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Esta é a vida eterna: que te conheçam, o único Elohim verdadeiro, e a Yeshua o Messias, a quem enviaste. JOÃO 17:3
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A Ansiedade

A Ansiedade
Ansiedade
Texto: Mt 6.25-32

Introdução

Ansiedade ou ânsia é uma perturbação de espírito causada pela incerteza ou pelo receio, às vezes sem causa evidente. Trata-se de preocupação e cuidado exagerado com algo ou alguém. “Em contraste com o medo, que é a percepção de um perigo real e presente, a ansiedade prevê para o futuro perigos inexistentes e, de modo impotente, fixa a idéia em como reduzi-los” .
Nunca as pessoas estiveram tão ansiosas como nesta nossa era, chamada de “era da ansiedade”. Os medicamentos para combatê-la, os ansiolíticos, os calmantes, estão entre os mais vendidos de todo o mundo. Devemos, entretanto, aprender com Jesus e a Bíblia como lidar com este problema.
No NT a palavra usada para ansiedade é o substantivo merimna, que tem o sentido de: preocupação com as coisas ou com as pessoas e usualmente é traduzida por: cuidados do mundo, preocupação ou ansiedade. Também temos o verbo merimnaō, traduzido por “estar ansioso”.
Vejamos alguns tipos de preocupações que somos ensinados pelo Senhor a evitar:

a) Preocupação com o futuro

Devemos evitar as preocupações inúteis que tiram a nossa confiança e descanso em Deus (Mt 6.25-33). Cristo afirma que a preocupação é um desperdício de energia que só cabe àquele que não confia em Seu Pai, o qual cuida dos seus. Se não podemos resolver os problemas de um dia, juntá-los aos de outros dias só nos trará um fardo maior para carregar. O Mestre diz: “basta a cada dia o seu mal”. O Senhor também afirma o cuidado de Deus para com Seus filhos, mais do que com os animais e plantas, que na observação dos discípulos tinham tudo de que precisavam. Não confiar no Pai, portanto, é coisa de quem não o conhece.
A posição de Jesus, pois, quanto à ansiedade é:
1. O Pai nos ama e está no controle de todas as coisas;
2. Ele satisfará as nossas necessidades;
3. A preocupação, portanto, é inútil e mostra falta de confiança.

Muitas vezes gastamos nossa energia naquilo que não é essencial (Lc 10.41,42). Nos preocupamos com coisas pequenas e não com o que é principal. O Mestre pergunta: alguém pode acrescentar alguns centímetros à sua estatura com sua preocupação? Se não podemos resolver algo tão pequeno, como poderemos acreditar que acrescentaremos anos ao comprimento da vida, com os nossos cuidados?

b) Preocupação com o mundo

Devemos evitar que as ocupações com as coisas terrenas tirem o nosso envolvimento com as coisas celestiais (Mt 13.22; Mc 4.19; Lc 8.14). Jesus declarou que as nossas preocupações com as coisas do mundo podem envolver-nos de tal modo que sufoquem a Palavra de Deus e nos tirem o tempo de estar com o Pai.
O homem que não tem tempo para Deus e para o Seu reino corre sério perigo (Lc 21.34). Precisamos, evidentemente, trabalhar, estudar e cuidar da nossa vida, mas não podemos permitir que as necessidades materiais sejam supridas em detrimento das coisas espirituais. Mesmo porque as coisas desta vida são passageiras, mas as espirituais são eternas. “Um homem pode passar tanto tempo com os homens que não tem tempo para estar com Deus. Pode ter tantas palavras para falar aos homens que não tem tempo para orar a Deus. Deve ser notado que a sua ocupação no mundo pode ser com coisas que, em si mesmas, não são más, mas o bom pode ser o pior inimigo do melhor” .
A ansiedade e as preocupações não podem tirar do cristão a expectativa da vinda de Cristo. Assim aconteceu nos dias de Noé e Cristo afirmou que da mesma maneira será no arrebatamento da igreja (Mt 24.37-39). Eles estavam ocupados com coisas que não eram más: comiam, bebiam, casavam, mas o seu erro foi estarem desligados das coisas de Deus.
Num momento em que a igreja era perseguida e manter a fé era muito difícil o apóstolo Paulo diz que preferia que os irmãos vivessem sem preocupações com as coisas cotidianas, mas buscando apenas ao Senhor (1 Co 7.32,33, cfe v26).

c) Preocupação com os homens

Não devemos estar ansiosos sobre a oposição dos homens, pois Deus nos dá o livramento e o poder para os enfrentarmos (Lc 12.11; Mc 13.11). O Espírito Santo é o que nos fortalece nos momentos em que não sabemos como agir e ficamos sobremodo ansiosos, com medo (2 Tm 1.7).
Não devemos estar ansiosos em agradar aos homens , mas sim a Deus (1 Co 7.32-34).

A Cura da Ansiedade

Só poderemos ficar curados desta preocupação exagerada e inútil se entregarmos todos os problemas ao Senhor (1 Pe 5.7). O apóstolo Paulo faz coro com as palavras do Senhor, recomendando a cada cristão que descanse no Senhor, entregando a Ele as ansiedades pela oração e já agradecendo pelo Seu cuidado (Fp 4.6,7). Assim reconhecemos e confiamos no Seu cuidado, orientação e proteção sobre nós.
Vencer a ansiedade, pois, não é uma questão de técnica ou medicamento, mas de um relacionamento de confiança com o Senhor. Aquele que, como o salmista, se aninha nos braços do Pai, ficará como uma criança desmamada, que não está ansiosa na busca de suprir suas necessidades, mas apenas descansa nos braços daquele que cuida e ama (Sl 131.1-3).
Isto fica evidente na recomendação de Cristo à ansiosa e inquieta Marta: é melhor estar aos pés de Jesus, num relacionamento íntimo e confiado do que correr de um lado para outro (Lc 10.41,42). No lugar da ansiedade devemos ter confiança e priorizarmos o reino de Deus em nossa vida, com Cristo reinando e determinando os acontecimentos. “Aquele que dá as boas vindas a este Reino de Deus e à justiça que se nele se proclama, com zelo e confiança, descobre pela experiência que tudo quanto é necessário para a vida lhe foi dado pela providência de Deus (Mt 6.33)” .

A preocupação com os outros

As palavras usadas no NT para ansiedade também tem o sentido de cuidar de alguém ou tomar providências a respeito de algo. Neste sentido, devemos, porém, ter cuidado com as pessoas, com a família e com os irmãos, para ajudá-las e prover-lhes o que pudermos (1 Co 12.25; 1 Tm 5.8). A vida se torna grandiosa quando sentimos os problemas dos outros mais do que os nossos.
Os irmãos das igrejas cuidavam de Paulo (2 Co 7.12) e ele tinha grande cuidado com a igreja (2 Co 11.28). Timóteo é apresentado à igreja filipense como alguém que cuidará dela de maneira única. Paulo chama isto de “buscar as coisas que são de Cristo” (Fp 2.19-21). Devemos, portanto, por mandamento de Deus, cuidar uns dos outros (Gl 5.13; 6.2).

Conclusão

Devemos evitar a preocupação inútil com as coisas da vida e com o amanhã. O cristão deve fazer tudo o que puder e deixar o restante nas mãos de Deus. Ele cuida, como verdadeiro Pai, dos Seus filhos. É proibida a preocupação que causa desalento e não a previsão que capacita.
Devemos ter cuidado e preocupação é com o próximo, com a família, com os irmãos e a igreja de Deus, como Ele próprio o faz, a fim de ajudar-nos mutuamente.

Leitura sugerida

BARCLAY, William. Palavras Chaves do Novo Testamento. Vol. 1. São Paulo: Vida Nova, 1985.
COENEN, Lothar; BROWN, Colin. Dicionário Internacional de Teologia do Novo Testamento. São Paulo: Vida Nova, 2000.
ELWELL, Walter A. Enciclopédia Histórico-Teológica da Igreja Cristã. Verbete Ansiedade. São Paulo: Vida Nova, 2009.

Carlos Kleber Maia

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