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Esta é a vida eterna: que te conheçam, o único Elohim verdadeiro, e a Yeshua o Messias, a quem enviaste. JOÃO 17:3
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A Mulher Na Igreja – 1ºTIMÓTEO 2.11-12

  A Mulher Na Igreja – 1ºTIMÓTEO 2.11-12
By adalbertoribeiro December 13, 2012
1ºTIMÓTEO 2.11-12
A mulher ouça a instrução em silêncio, com espírito de submissão. Não permito à mulher que ensine nem que se arrogue autoridade sobre o homem, mas permaneça em silêncio. ( 1º TIMÓTEO 2.11-12 )
A Mulher Na Igreja
O que significa “Não permito que a mulher ensine nem que exerça autoridade sobre o homem” de 1º Timóteo 2.11-12?
“Que a mulher seja discipulada em quietude, com toda subordinação. E não estou permitindo que a mulher fique ensinando, nem dominando o homem, mas que esteja em quietude. Porque Adão foi moldado primeiro, depois Eva; e Adão não foi seduzido, porém, a mulher, sendo seduzida, caiu em violação.” (1º Tim. 2.11-14. Tradução nossa)
Pode ser verificado que usei “seja discipulada” ao invés de “aprenda”, como está na maioria das traduções portuguesas. Isto porque a palavra grega aqui é manthaneto, que é relacionada a mathetês (discípulo). Também pode ser visto que usei “quietude” ao invés de “silêncio”, e assim fiz porque a palavra grega hesuchia pode também ser assim traduzida, e a quietude, ou tranqüilidade, é um requisito muito mais importante para o aprendizado do que o silêncio. Uma pessoa pode estar em silêncio (calada) e estar inquieta; assim terá dificuldade de aprender. No entanto, uma pessoa estando quieta, tranqüila, terá muito mais probabilidade de aprender, mesmo não necessariamente estando calada.
A primeira conclusão importante que já pode ser tirada da passagem é que ela se aplica especificamente ao aprendizado, ao ensino das Escrituras e à liderança (condução) das igrejas cristãs. Qualquer conclusão que vá além disso está extrapolando o texto, portanto interpretando erroneamente. Em outras palavras, o apóstolo não estava instruindo a Timóteo para que este ordenasse que as mulheres em Éfeso ficassem absolutamente caladas nas reuniões das igrejas (que aconteciam nos lares). Não está instruindo que elas não podiam orar, nem profetizar, nem cantar, nem opinar quando a igreja fosse tomar uma decisão relacionada à comunidade. Está especificamente, repito, instruindo para que elas não ensinassem as Escrituras aos homens. Juntar o texto das cartas a Timóteo ao texto das cartas aos Coríntios para formar uma “teologia da mulher na igreja” é desconhecer o que é exegese e sua importância fundamental para a interpretação da Bíblia. Cada carta Paulina tem o seu próprio contexto – o seu pano de fundo – e é neles, e a partir deles, que se devem tirar conclusões sobre os princípios que devem ser seguidos por todas as gerações de crentes em Jesus Cristo.
Outra inferência interessante que pode ser feita a partir da passagem (sendo isto verificado também em outras), é que nas igrejas cristãs era dado o direito às mulheres de aprender as Escrituras, em contrário ao que acontecia nas comunidades judaicas do primeiro século, onde as mulheres eram proibidas de aprender e estudar a Torá. Isto aponta para uma harmonia com os princípios ensinados pelo Senhor Jesus, com relação à inclusão das mulheres no seu Reino. Nos evangelhos canônicos está relatado que várias mulheres seguiam o Mestre, ouvindo-o e aprendendo dele. E dois episódios em particular são muito fortes neste sentido da inclusão das mulheres no aprendizado. Estes são o da mulher samaritana (no poço) e de Marta e Maria em sua casa. A mulher samaritana pôde aprender diretamente do Senhor que a verdadeira adoração não deve estar condicionada a nenhum lugar. E Maria ficou sentada na sala de sua casa, junto com os discípulos homens, aprendendo do Senhor. E quando Marta reclamou da atitude de Maria, o Senhor a repreendeu e ainda disse, em outras palavras, que Maria é que estava com a atitude correta, embora aquele comportamento fosse agressivo à cultura da sociedade em que estavam. As igrejas cristãs do primeiro século, seguindo o Senhor, romperam com a tradição judaica e permitiram que as mulheres cristãs aprendessem as Escrituras.
Qual é o contexto de 1 Timóteo?
No início de 1 Timóteo (1.3), Paulo, o apóstolo, afirma que em certa ocasião (não mencionada em Atos) ele saiu de Éfeso rumo à Macedônia, e rogou a Timóteo, seu companheiro apostólico, que não fosse com ele, mas permanecesse em Éfeso, para “Ordenar a certas pessoas que não mais ensinem doutrinas falsas, e que deixem de dar atenção a mitos e genealogias intermináveis, que causam controvérsias em vez de promoverem a obra de Deus, que é pela fé.” (1º Tim. 1.3b-4. NVI. Grifo nosso). Nos versos 6 a 8 Paulo nos dá mais uma pista sobre de que se tratava o cerne do problema. Afirma que alguns queriam ser mestres da Lei (o Velho Testamento) sem que nem a compreendessem direito. Que a Lei é boa, se usada adequadamente, mas que esses “mestres” a estavam entendendo errado e categoricamente a ensinando errado.
Percebe-se, então, que havia um problema sério em Éfeso, quanto ao ensino das doutrinas bíblicas. Naquela época não existia o Novo Testamento como nós o temos – uma coleção de livros e cartas escritos no primeiro século pelos apóstolos e seus companheiros. E os cristãos só possuíam como Escrituras o Velho Testamento, que era conhecido também como a Lei e os Profetas, ou simplesmente como a Lei. Ocorre que alguns homens de Éfeso não entendiam bem a Lei e, mesmo assim, passavam-se por grandes rabis – mestres – da Lei. O resultado óbvio disso é que estavam ensinando coisas erradas aos cristãos de Éfeso, enfatizando trivialidades, e causando dissensão na igreja; e isto precisava ser imediatamente corrigido.
Paulo segue instruindo a Timóteo sobre como combater esses ensinos errôneos, e, vemos no capítulo 2 que ele trata especificamente sobre:
• Os cristãos devem orar por todas as pessoas, inclusive pelas autoridades governamentais, para que elas permitam que eles possam viver segundo o Cristianismo (2.1-3);
• Há um só Deus e um só mediador entre Deus e os homens, o qual é Jesus Cristo – o homem (2.5)
• Os homens podem orar em qualquer lugar, levantando as mãos, sem ira nem polêmicas (2.8);
• As mulheres se vistam modestamente, e pratiquem boas obras (2.9, 10);
• As mulheres devem aprender com atitude de quietude e submissão (2.11);
• As mulheres não devem ensinar (as Escrituras) aos homens (2.12-14).
Fazendo uso do que se chama de interpretação-espelho (deduzir a pergunta a partir da resposta), pode-se inferir que os falsos mestres estavam ensinando que:
• Não se deve orar pelos incrédulos, principalmente pelas autoridades terrenas, pois elas são más;
• Existem diversos mediadores entre Deus e os homens, além de Cristo (talvez aqui seja uma alusão aos sacerdotes Levítico-Aarônicos, ou ao ensino proto-gnóstico de que há várias hierarquias de deuses no céu);
• Os homens não podem orar em todo lugar (talvez esses “mestres” entendessem que os cristãos devessem orar apenas nas sinagogas ou em outros “lugares sagrados”);
• As mulheres cristãs, especialmente as casadas, poderiam (ou até deveriam) se vestir de forma ousada e ostentadora, desprezando os costumes judaicos e cristãos. Isto provavelmente indicasse também que os falsos mestres estivessem ensinando que a mulher cristã não devia ser submissa ao seu marido;
• As mulheres, quando forem discipuladas, devem questionar o ensino dos mestres (homens) provocando discussões e debates;
• As mulheres cristãs podem (ou devem) ensinar os homens. Isto provavelmente está relacionado ao entendimento proto-gnóstico de que a mulher, por ter sido a primeira a provar do fruto do conhecimento (gnosis) do bem e do mal, estaria mais apta a ensinar do que o homem, que o provou depois.
Acerca do contexto específico, havia ainda a questão de que em Éfeso se cultuava fortemente a divindade feminina Diana, e que isto provavelmente fazia com que as mulheres naquela sociedade fossem mais valorizadas do que em outras cidades. É provável que, em Éfeso, as mulheres cristãs tenham sido influenciadas por essa valorização da mulher naquela sociedade.
Vê-se, então, que cada um dos pontos dos ensinos dos falsos mestres da Lei foi contestado por Paulo. E, quanto à atitude e conduta das mulheres cristãs em Éfeso com relação ao aprendizado e ensino, que é o nosso foco aqui, ele exorta, como já mencionamos, que: [1] as mulheres devem aprender com atitude de quietude e submissão (2.11); e que [2] as mulheres não devem ensinar as Escrituras aos homens (2.12-14).
A atitude correta das mulheres cristãs quanto ao aprendizado e ensino das Escrituras
Não há necessidade de muita reflexão para saber que as melhores atitudes em questões de aprendizado são a quietude (a calma, a tranquilidade) e a submissão ao mestre – aquele que está ensinando. A pessoa estressada e arrogante não aprende. Ao contrário, só provocará polêmica e inimizade. E este princípio não vale apenas com relação às mulheres e seus mestres. Vale também para com os homens e seus mestres.
No tocante à questão da restrição paulina às mulheres ensinarem aos homens na igreja cristã, ele primeiro argumenta a partir do princípio bíblico de que “a esposa deve ser submissa ao marido” (Col. 3.18; Tito 2.5; 1ª Pedro 3.1 e 3.5). Paulo agora aplica este princípio de modo mais amplo para a igreja e o justifica com o caso de Eva, que, quando desprezou este princípio e persuadiu Adão no sentido de que ele também comesse do fruto proibido, ocorreu a maior desgraça da humanidade – o pecado contra Deus. Eva “ensinou” a Adão que o fruto era gostoso, bonito e bom para dar conhecimento (Gen. 3.6); e ele (Adão) “deu ouvidos” à voz da sua mulher – ao ensino dela – ao invés de dar ouvidos à ordem de Deus (Gen. 3.17). Paulo, então, exorta a igreja em Éfeso para que não repita o erro do primeiro casal. Que as mulheres não ensinem a Palavra de Deus – as Escrituras – aos homens, nas comunidades cristãs.
Logo a seguir, no capítulo 3, Paulo reforça seu posicionamento, apresentando as qualificações daqueles que podem exercer a supervisão (episcopado, que significa condução ou liderança) nas igrejas, deixando claro que devem ser homens (“…marido de uma só mulher…”). Os presbíteros ou bispos (pais de família maduros na fé e na idade, de bom testemunho, íntegros e sem vícios) são aqueles que devem ensinar as Escrituras e liderar as comunidades cristãs, e não as mulheres (ou as esposas). E, no contexto da família, os maridos são aqueles que devem ensinar as Escrituras às suas esposas, e não o contrário.
Algumas pessoas têm levantado objeções a essa conclusão, dizendo que a restrição de Paulo às mulheres cristãs de Éfeso ensinar aos homens se deu porque naquela época as mulheres cristãs não podiam estudar ou aprender; conseqüentemente, ensinariam erradamente, caso o fossem fazer. Porém, isto extrapola o texto de 1º Timóteo e do Novo Testamento como um todo. Não há nenhuma passagem no Novo Testamento que indique isto – que as crentes de Éfeso não podiam aprender ou estudar, e que, portanto, eram sem instrução. E nem há indicação de textos extra-bíblicos que apóiem esta afirmação. Além disso, vimos que as igrejas cristãs do primeiro século permitiam que as mulheres aprendessem as Escrituras, contrariando esta objeção. Portanto, ela deve ser desconsiderada na exegese desta passagem. Não vale como argumento. Outras pessoas afirmam que restringir as mulheres de ensinar aos homens entra em contradição com o que Paulo disse em Gál. 3.28: “Não há judeu nem grego; não há escravo nem livre; não há homem nem mulher; porque todos vós sois um em Cristo Jesus.”. Este entendimento, todavia, despreza o contexto da carta de Gálatas, a qual trata especificamente da salvação e da formação do Israel de Deus. O verso significa, naquele contexto, que depois de Cristo não há mais exclusividade dos Judeus como povo de Deus. Não tem nada a ver com o comportamento dos cristãos na igreja, como é o caso em 1º Timóteo. Mais uma vez lembro que “um texto fora do contexto é um pretexto”. Assim, também este argumento não é válido. Há outros ainda que afirmam que, se Deus não permitisse que a mulher ensinasse, ele não daria o dom do ensino à uma mulher. Esta argumentação também é falaciosa, porque primeiro Deus permite que a mulher ensine; ele apenas não permite (baseando-nos principalmente no texto de Paulo aqui analisado) que as mulheres ensinem as Escrituras… aos homens. Segundo porque os dons não guiam as Escrituras; as Escrituras é que guiam os dons. Não é a nossa experiência com os dons que deve determinar nossa doutrina sobre eles, mas, ao contrário, devemos exercer nossos dons em conformidade com as Escrituras. Se Deus não permite que as mulheres ensinem as Escrituras aos homens, o dom do ensino deve ser praticado pelas mulheres observando este preceito.
Além dessas três objeções anteriores, há quem lembre o fato de que Priscila (uma mulher), ensinou a Apolo sobre o Evangelho (Atos 18.24-28) e que isto fez com que ele fosse grandemente usado por Deus, abençoando a igreja. Entretanto, Priscila não ensinou a Apolo sozinha; ela o fez com seu marido Áquila, e, assim entendo, sob a autoridade e supervisão dele. Desse modo, o princípio bíblico não foi desrespeitado. Quem discipulou Apolo foi o casal Áquila e Priscila, e não somente a mulher Priscila.
A instrução dada por Paulo em 1º Tim. 2.11-14 é apenas local e temporal?
Algumas pessoas entendem que o problema de Éfeso relativo às mulheres era local e temporal, e que por isso a orientação de Paulo não é para todas as igrejas nem para todas as gerações. É claro que esta instrução foi dada a Timóteo para corrigir o problema das igrejas (nos lares) de Éfeso. Porém, a forma com que Paulo instrui nesta carta, diferente de como faz em 1 Coríntios, não tem apenas tonalidades locais ou de época. Ele utiliza como argumentos princípios eternos e trans-culturais. Apresenta seu fundamento em doutrinas, e não em costumes locais. As pessoas que afirmam que a restrição “E não estou permitindo que a mulher fique ensinando” nas comunidades de Éfeso é apenas local, terá que afirmar também que o ensino “Há um só Deus e um só mediador entre Deus e os homens” é também apenas local, pois ambos fazem parte da mesma unidade textual e objetivam corrigir falsas doutrinas que estavam sendo ensinadas. Observe bem que o objetivo de Paulo em 1º Timóteo não era apenas corrigir práticas locais, mas combater doutrinas falsas. E doutrinas falsas se combatem com doutrinas verdadeiras, ou como ele disse na carta, com a “sã doutrina” (1.10). Então, a carta de Timóteo nos ensina doutrina cristã, portanto, perene e atemporal.
Abro aqui um parêntese para dizer que eu mesmo acho difícil seguir esta restrição. Raciocinando como homem, não entendo porque as mulheres não podem (ou não devem) ensinar as Escrituras aos homens. Talvez isto seja porque tenho uma esposa que é irmã, muito sábia e talvez mais inteligente do que eu. Algumas vezes é ela e não eu que está de acordo com a vontade do Senhor. Entretanto, a instrução do apóstolo nesta passagem é clara e, mesmo considerando todas as objeções, não tenho como refutar. Tenho que aceitar.
É preciso enfatizar que a restrição da passagem aqui analisada é aplicável apenas ao ensino da Bíblia, e não se aplica ao ensino educativo, ou científico, ou a qualquer ensino extra-bíblico. Dizer que as mulheres não podem transmitir ou ensinar outros conhecimentos não bíblicos aos homens vai além do que o texto bíblico instrui. Este texto não pode ser aplicado, por exemplo, às mulheres que ensinam em universidades e escolas.
Concluindo, as únicas restrições à participação das mulheres na igreja são de ensinar as Escrituras aos homens e de liderar (conduzir) as igrejas. Elas podem ensinar as Escrituras às outras mulheres e às crianças (inclusive meninos) da igreja, podem cantar, podem orar, podem profetizar, podem ler uma passagem bíblica em voz alta nas reuniões, e podem opinar nas decisões coletivas da igreja. Tudo com ordem e decência. Tudo para a glória de Deus.
Ministério Pastoral Feminino – BATISTAS DO ESTADO DE MINAS GERAIS
Pr. José Alves
A ordenação de mulheres para o ministério pastoral está em destaque em algumas denominações e timidamente entre os batistas. A consagração de mulheres para o ministério pastoral não encontra o devido respaldo bíblico. Muitas pessoas estão confusas quanto ao que crer acerca do assunto. Já que não sou favorável à ordenação de mulheres devo explicar sincera e cuidadosamente esta minha posição e procedimento.
O preâmbulo dos meus comentários põe em destaque dois aspectos. Primeiramente, exponho aqui uma convicção pessoal, e não deve ser entendida como uma crítica severa sobre o que outros crêem e praticam. Como tantos outros, eu creio na autonomia da igreja local. Sendo uma assembléia, rege-se por leis que não foram criadas por ela. Jesus Cristo, seu fundador é o legislador. Assim, as igrejas fiéis têm a Bíblia e, com especialidade, o Novo Testamento como regra de fé e prática. É em obediência aos ensinos da Bíblia que as igrejas devem exercer sua autonomia não indiferentes e aleatoriamente.
No Novo Testamento não há qualquer diferença entre o homem e a mulher no campo da salvação e na obra redentora. Cristo dignificou a mulher, pois Deus não faz acepção de pessoas. Mesmo considerando isso, só homens foram vocacionados e exerceram o ministério pastoral.
Nos dias do Antigo Testamento havia muitas nações vizinhas de Israel com sacerdotisas, e nem assim, esta posição de serviço religioso foi praticada em Israel por mulher. Nenhuma mulher do povo de Deus levantou sua voz para reivindicar a posição de sacerdotisa;
Cabe, aos líderes postos nas igrejas, orientá-las com amor e sabedoria. Sabendo que a autonomia da igreja está sujeita à regra de fé e prática já no bojo da Palavra da Verdade. O que resta mesmo a cada igreja e a cada líder é ser fiel na obediência ao ensino de Jesus. Esta fidelidade é até a morte; sempre firmes sabendo que tal atitude não é vã no Senhor. A recompensa não há de faltar aos fiéis.
Pr. Jaime Augusto
Apesar de reconhecer que todos devem sempre considerar os tempos e as mudanças culturais, creio que a Bíblia deva ser sempre o primeiro e último escrutínio para uma decisão assim. Como pastores, nosso espírito precisa ser bíblico, mesmo que isso implique em posicionamentos contrários à cultura ou à tendência por mais inevitável que seja. A voz profética, aliás, nem sempre obteve respaldo da moda. Tendo como base os escritos de alguns autores comprometidos com a Bíblia, quero propor a análise de determinados textos sagrados para provocar uma reflexão consistente em cada um (pelo menos que sirva de ponto de partida), para depois chegar a uma conclusão.
A resposta pode começar a ser encontrada no contexto de Gálatas. Ao que tudo indica, Paulo escreveu essa carta para responder a questões levantadas sobre a nossa justificação diante de Deus. Sua afirmação central é a de que todos, independente da sua raça, cor, posição social e sexo, são recebidos por Deus da mesma maneira: pela fé em Cristo. Definitivamente Gálatas 3.28 não está tratando do desempenho de papéis na igreja e na família, mas da nossa posição diante de Deus. A salvação em Cristo justifica igualmente homens e mulheres diante de Deus, mas não altera o papel de ambos estabelecido previamente na Criação. O pastor e teólogo presbiteriano Augustus Nicodemus afirma que “o assunto não são as funções que homens e mulheres desempenha na Igreja de Cristo, mas a posição que todos os que crêem desfrutam diante de Deus”.
É importante sempre ter em mente que a questão da subordinação feminina tem sua base na Criação (Gênesis 1 e 2) e não na Queda (Gênesis 3). A cruz de Cristo aboliu as diferenças cerimoniais para que todos pudessem aproximar-se de Deus, mas em nenhum momento pôs um término nas funções ou papéis fundamentais do homem e da mulher estabelecidos por Deus muito antes da Queda.
Quando Cristo desejou estabelecer pastores para sua Igreja, ele nos deixou o registro bíblico de homens sendo incumbidos dessa função. Mesmo sendo um Senhor gracioso que considera todos iguais para receberem misericórdia e graça; que ama indistintamente suas ovelhas e morreu por todas de igual forma, ele não mencionou mulheres como pastoras. Ele as amou, serviu e foi servido por elas. Não as ignorou, mas, pelo contrário, foi-lhes um protetor num mundo desigual. Foi o libertador de tantas opressões que elas sofriam, mas nada falou sobre serem pastoras. Além disso, a igreja sempre declarou ser sustentada sobre o ensino dos apóstolos e eles, da mesma forma, não parecem sustentar essa posição. A subordinação da mulher ao homem não a torna inferior. Assim como Pai e Filho, que são iguais em poder, honra e glória, desempenham papéis diferentes na economia da salvação (o Filho submete-se ao Pai), homem e mulher se complementam no exercício de diferentes funções, sem que nisso haja qualquer desvalorização.
Paulo vê nos detalhes da Criação uma ordenação divina quanto aos diferentes papéis do homem e da mulher. O fato, por exemplo, de termos de ser submissos às autoridades civis não nos torna inferiores. A própria Bíblia ordena essa submissão (Rm 13.1-5; 1 Pe 2.13-17). Também os filhos não são inferiores a seus pais, mas lhes devem submissão (Ef 6.1). Como bem lembrou o Dr Nicodemus, “o conceito de subordinação de uns a outros tem a ver apenas com a maneira pela qual Deus estruturou e ordenou a sociedade, a família e a igreja”.
É evidente que há elementos no Novo Testamento que pertencem à cultura do século I. A função do exegeta é descobrir nelas o princípio permanente para então aplicá-lo no contexto contemporâneo. É a ponte construída entre o mundo bíblico e o mundo atual. As passagens de 1 Coríntios 11.2-16, 14.34-35 e 1 Timóteo 2.11-12 têm um princípio permanente para que se mantenham distintamente os papéis inerentes ao homem e à mulher na igreja e na família. Assim, não devemos inverter os papéis. A mulher não deve ocupar posição de autoridade sobre os homens, mas deve observar de maneira análoga seu papel como o da Igreja, que está submissa ao Senhor. Ela tem liberdade, usa seus dons e talentos e ainda tem suas preferências, mas, em última análise, deve ouvir ao Senhor.
Definitivamente Paulo não instrui sobre esse assunto tendo como base considerações condicionadas culturalmente. Seu apoio é basicamente feito de princípios inerentes à própria humanidade, enraizados na Criação. Ele sempre apela às Escrituras (Antigo Testamento),
demonstrando que a origem dos papéis próprios do homem e da mulher não estão fundamentados nas questões transitórias das igrejas e muito menos em algum aspecto cultural, mas teológico, que envolve Deus e a Criação. É bem provável que o mundo dos apóstolos estava distante cerca de 4 mil anos do evento da Criação. Talvez alguém pudesse alegar que os tempos haviam mudado e o cristianismo deveria estabelecer novos critérios culturais, mas o apelo dos apóstolos às Escrituras mostra que havia um princípio permanente estabelecido por Deus que transcendia as épocas.
Conclusão
Penso que o assunto deve ser tratado do mesmo modo que se faz com os casos de pastores divorciados e novamente casados. A Bíblia condena, mas muitas igrejas e ordens de pastores exercitando a graça aceitam pacificamente, outras rejeitam, mas ninguém cria divisão por este motivo.
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