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Esta é a vida eterna: que te conheçam, o único Elohim verdadeiro, e a Yeshua o Messias, a quem enviaste. JOÃO 17:3
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O que significa levar cativo o cativeiro

O que significa levar cativo o cativeiro

Paulo pregou a entrada no Céu por ocasião da ressurreição de Cristo? – Outro conceito que tem sido sistematicamente deturpado dentro da teologia imortalista é a tese não-bíblica mas amplamente divulgada entre os dualistas, que consiste no ensino de que, por ocasião da ressurreição de Cristo, os mortos justos que esperavam conscientemente no Sheol (que, como vimos, não é uma morada de espíritos desencarnados, mas puramente sepultura), partiram dali para o Paraíso, onde estão até hoje. Para isso, eles se apoiam em um único versículo bíblico, que é analisado de forma isolada e tão mal interpretado por alguns a tal ponto que foi necessário que os próprios imortalistas revissem essa tese e a refutassem em seus livros. O verso em questão trata-se de Efésios 4:8-9, onde Paulo diz:

“Por isso, diz: Quando ele subiu às alturas, levou cativo o cativeiro e concedeu dons aos homens. Ora, que quer dizer subiu, senão que também havia descido até às regiões inferiores da terra?” (cf. Efésios 4:8,9)

E pronto! Os imortalistas, de alguma forma, acharam neste versículo o subsídio necessário para a crença corrente por muitos neste meio, de que, por ocasião da ressurreição de Cristo, todos os mortos que estavam no Hades foram transferidos para o Paraíso. Segundo eles, Cristo desceu – pasme – até o inferno (v.9), entendem eles “inferno” por “regiões inferiores da terra”.

Não é preciso dizer nada, pois o texto fala por mim: não há absolutamente nada disso no texto! Se realmente houvesse havido esta transferência de lugar dos mortos, Paulo iria acentuar isso em qualquer uma de suas epístolas ou então o próprio Jesus iria pregar tal coisa. Este “ensinamento” seria amplamente encontrado nas Escrituras. Mas isso não aparece em lugar nenhum, senão na teologia de alguns que distorcem completamente essa passagem como forma isolada de conciliar os meios “literais” da parábola do Lázaro com a consciência pós-morte no Céu.

Interpretar que “levar cativo o cativeiro” significa exatamente transportar espíritos desencarnados justos do Hades para o Céu é forçar a passagem completamente – o texto não diz isso e poderíamos forçá-la do jeito que quisermos para fundamentar qualquer doutrina! Se essa transferência realmente tivesse ocorrido, então certamente isso estaria sendo mencionado de maneira clara nas Escrituras. Mas isso não ocorre em parte nenhuma. Vejamos, por exemplo, no comentário do mesmo apologista imortalista anteriormente citado, o que ele tem a nos dizer sobre Efésios 4:8-9:

“Finalmente, quando Cristo ‘levou cativo o cativeiro’, não estava levando amigos para o céu. É uma referência à sua vitória sobre as forças do inimigo. Os cristãos não são ‘cativos’ no céu. Não somos forçados a ir para lá contra a nossa própria e livre escolha (veja Mt 23:37; 2 Pe 3:9)”[1]

Sobre o “descer às regiões inferiores da terra”, ele comenta:

“A expressão ‘até as regiões inferiores da terra’ não é uma referência ao inferno, mas ao túmulo. Até mesmo o ventre de uma mulher é descrito como sendo ‘profundezas da terra’ (Sl 139:15). Essa expressão significa simplesmente covas, túmulos, lugares fechados na terra, em oposição a partes altas, como montanhas”[2]

O comentário dos tradutores na nota de rodapé da Nova Versão Internacional, que por sinal também adota a crença na imortalidade da alma, também faz questão de refutar esse mito no que diz respeito a Efésios 4:9:

“Embora Paulo cite o salmo para introduzir a ideia de ‘dons aos homens’, aproveita a oportunidade para relembrar ao leitor a vinda de Cristo à terra (sua encarnação) e a subsequente ressurreição e ascenção. É provável que o texto não signifique (como pensam alguns e como querem algumas traduções) que Cristo desceu ao inferno”[3]

Até mesmo o pastor norte-americano John Piper se posicionou contra a tese de que Jesus tenha descido ao inferno entre a sua morte e ressurreição, e disse:

“Em Efésios 4:9, é dito que Cristo desceu às partes mais baixas da terra. Isso provavelmente significa que ele desceu à terra, que é as partes mais baixas. O “da” ali não significa que ele estava afundando na terra. Assim, não penso que o texto garanta a interpretação que ele desceu ao inferno (…) Minha conclusão é que não existe nenhuma base textual para crer que Cristo desceu ao inferno”[4]

Vemos, portanto, que são os próprios imortalistas que refutam esse mito amplamente crido por muitos deles, de que “levar cativo o cativeiro” significa ter tirado pessoas do Hades e as transferido para o Paraíso. Levar cativo o cativeiro é uma linguagem que expressa a vitória de Cristo sobre as trevas e sobre os inimigos espirituais de Cristo. Não significa que ele desceu até o inferno e nem que ele tenha levado amigos cativos para o Céu. Se assim fosse, os próprios imortalistas teriam que rever sua própria teologia, pois ensinam que o Sheol (Hades) era um local de paz para os justos, e não um “cativeiro”.

Além disso, teriam que rever seus conceitos sobre alma e espírito, uma vez que se baseiam em um texto de Eclesiastes que fala da retirada do espírito na morte para Deus (cf. Ec.12:7), e não para o Sheol. Se tal interpretação fosse correta e o espírito fosse mesmo uma “alma imortal”, o espírito deveria descer ao Hades e só subir ao Paraíso após a ressurreição de Cristo. É evidente que os imortalistas não conseguem conciliar suas teses com elas mesmas, pois todas são contraditórias umas às outras.

Mas ainda há um texto bíblico por eles utilizado, e este é ainda mais completamente descontextualizado: “’E também: Nele porei a minha confiança’. Novamente ele diz: ‘Aqui estou eu com os filhos que Deus me deu’” (cf. Hb.2:13). Para eles, estes “filhos que Deus me deu” significa exatamente os espíritos desencarnados que Cristo transportou para o Céu na sua morte. Tal interpretação, contudo, é claramente negada pelo verso seguinte que especifica tudo: “Portanto, visto que os filhos são pessoas de carne e sangue, ele também participou dessa condição humana, para que, por sua morte, derrotasse aquele que tem o poder da morte, isto é, o diabo” (v.14).

Aqui vemos que os “filhos” do verso 13 não são espíritos sem corpo levados para o Céu a fim de serem apresentados para Deus, mas sim pessoas “de carne e de sangue” (v.14), e o texto diz respeito à encarnação de Cristo, quando Jesus “participou desta condição humana” (v.14), e esteve com pessoas “de carne e sangue”. Aqui temos mais um exemplo de como é fácil tirar um texto de seu contexto para fundamentar mitos, que sempre tem o poder de enganar aqueles que não buscam se aprofundar no contexto e procurar a verdade.

Por tudo isso, vemos que não existe base bíblica nenhuma para a teoria amplamente mirabolante divulgada entre os imortalistas, de que, por ocasião da morte e ressurreição de Cristo, ele desceu até ao inferno e transportou os justos direto do Hades para o Céu. O que a Bíblia realmente ensina, como vimos, é exatamente o contrário de tal ensino. Os justos não estão no Céu ainda, mas entrarão por ocasião da segunda vinda de Cristo, momento em que os vivos justos serão arrebatados a fim de entrarem no Paraíso ao mesmo passo dos justos que já morreram. Qualquer doutrina que vai além disso é não-bíblica, e as próprias Escrituras advertem a “não se deixar levar pelos diversos ensinos estranhos” (cf. Hb.13:9).

Paz a todos vocês que estão em Cristo.

Por Cristo e por Seu Reino,

Lucas Banzoli (apologiacrista.com)

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