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Esta é a vida eterna: que te conheçam, o único Elohim verdadeiro, e a Yeshua o Messias, a quem enviaste. JOÃO 17:3
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A Pronunciação IAUE

A Pronunciação IAUE

A ausência do uso do Nome quer liturgicamente quer na literatura e linguagem
cristãs baseia-se essencialmente na ideia de que a correcta pronúncia do Nome de
Deus se perdeu devido ao encobrimento feito pelos judeus ao longo dos séculos.
Tão eficaz foi esse encobrimento que a correcta pronúncia acabou por se perder.
Para além disto, nenhum dos manuscritos das Escrituras gregas que chegaram até
nós contém o Nome de Deus.

Com base nisto os líderes religiosos dos nossos dias concluem que, não tendo a
pronúncia correcta do Nome, temos total liberdade para o substituir por qualquer
outro ou por um título. A título de exemplo, ‘The Popular and Critical Bible
Encyclopedia’ afirma categoricamente:

“A verdadeira pronúncia deste nome, pelo qual Deus era conhecido pelos hebreus, perdeu-se
completamente…”

Este argumento tão disseminado vai contra toda a lógica bíblica! Porque é que
Deus diria que todos devemos conhecer e usar o Seu Nome, porque é que Ele o
instituiria como um memorial para todas as gerações, e depois permitiria que esse
Nome se perdesse? Ou estariamos perante um Deus cruel que deliberadamente
coloca a humanidade perante um problema insolúvel ou perante um Deus que
perdeu o controle da situação e que agora tem que permitir que os homens
contornem os seus mandamentos.

“A glória de Deus está nas coisas encobertas; mas a honra dos reis, está em descobri-las.”
(Pv 25:2)

“7 Pedi, e dar-se-vos-á; buscai, e encontrareis; batei, e abrir-se-vos-á. 8 Porque, aquele que
pede, recebe; e, o que busca, encontra; e, ao que bate, abrir-se-lhe-á.” (Mt 7:7-8)

Contrariamente a esta lógica a ‘Encyclopaedia Judaica’ afirma:

“A verdadeira pronúncia do Nome YHWH nunca se perdeu. ”

Em que é que ficamos então?

Sabemos que Deus não é um deus de confusão (1Cor.14:33) e que Ele transmitiu
o Seu Nome ao homem como um memorial para assim ser mencionado (Êx. 3:15)
e que o Seu povo Israel bem como todos os povos virão a conhecer o Seu Nome:

“E farei conhecido o meu santo nome no meio do meu povo Israel, e nunca mais deixarei
profanar o meu santo nome; e os gentios saberão que eu sou hwhy, o Santo em Israel.” (Ez
39:7)

“Portanto o meu povo saberá o meu nome; pois, naquele dia, saberá que sou eu mesmo o
que falo: Eis-me aqui.” (Is 52:6)

“19 Ó hwhy, fortaleza minha, e força minha, e refúgio meu no dia da angústia; a ti virão os
gentios desde os fins da terra, e dirão: Nossos pais herdaram só mentiras, e vaidade, em que
não havia proveito. 20 Porventura fará um homem deuses para si, que contudo não são
deuses? 21 Portanto, eis que lhes farei conhecer, desta vez lhes farei conhecer a minha mão
e o meu poder; e saberão que o meu nome é hwhy.” (Jr 16:19-21)

“Encham-se de vergonha as suas faces, para que busquem o teu nome, hwhy… Para que
saibam que tu, a quem só pertence o nome de hwhy, és o Altíssimo sobre toda a terra.” (Sl 83:16,18)

“Louvem o nome de hwhy, pois só o seu nome é exaltado; a sua glória está sobre a terra e o
céu.” (Sl 148:13)

“E hwhy será rei sobre toda a terra; naquele dia um será hwhy, e um será o seu nome.” (Zc 14:9)

hwhy não é o autor desta confusão. Tudo isto resulta da abusiva e errada tentativa
dos líderes religiosos judaicos para substituir, esconder e dissimular o Nome de
Deus por acharem que ele é inefável31.

Apesar de terem começado a ocultar o nome de Deus, pronunciando-o de forma
distinta, os judeus não eliminaram o Nome das Escrituras (salvo nas 134 instâncias
já referidas atrás) portanto seria de pensar que bastaria transliterar os sons destas
letras hebraicas para as linguas modernas, mas é aí que a confusão realmente
começa.

31 A inefabilidade do Nome de Deus foi herdada de outros povos pagãos. O Dr. Koster no seu livro “The Final
Reformation”, citando o livro “Forerunners and Rivals of Christianity” de Legge, faz a seguinte afirmação
(trad.livre): “A inefabilidade dos nomes divinos era uma ideia já antiga no Egipto… o nome do próprio Osiris
era considerado inefável… o nome de Marduk da Babilónia era também declarado inefável. Os gregos
evitavam os nomes das suas divindidades e preferiam referir-se a elas pelos títulos Kurios e Theos”. ‘Kurios’
significa ‘Senhor’ e ‘Theos’, ‘Deus’ (sendo precisamente a origem da palavra), precisamente os mesmos
títulos pelos quais foi substituído o Nome de hwhy.

A Pronunciação IAUE – Parte 2

Até aqui podemos facilmente assumir que o leitor deste trabalho ao chegar a este
ponto estará legitimamente baralhado acerca de qual das formas de pronunciação
do Nome é a mais correcta – IAUE ou IEHOVA – se é que não está mesmo
inclinado a favor de IEHOVA.

Existem variadíssimas outras propostas mas são, de uma maneira geral tão
descabidas que não foram incluídas neste trabalho. Já no que toca à
argumentação a favor de uma e outra das alternativas aqui apresentadas, confesso
que, conforme já disse atrás, eu próprio fiquei confuso e senti necessidade de pôr o
trabalho em ‘stand-by’ por alguns meses por forma a me distanciar um pouco do
tema e recuperar alguma objectividade em relação ao mesmo.

Findo esse período reinicei uma troca de correspondência com um académico do
hebraico e do aramaico – Andrew Gabriel Roth – judeu, crente e autor de vários
livros acerca da composição aramaica do chamado Novo Testamento que foi uma
ajuda preciosa para me ajudar a desencalhar da confusão onde a evolução deste
trabalho me tinha conduzido. Este autor introduziu-me a vários outros e
significativos argumentos em defesa da pronunciação IAUE que serão agora aqui
expostos nesta segunda parte e por isso estou imensamente grato a ele
pessoalmente pela paciência que teve comigo e pela ajuda prestada bem como a
YHWH por me ter conduzido a ele.

O primeiro aspecto a considerar e que é completamente ignorado por Nehemia
Gordon e Gerard Gertoux é a evidência da Peshitta.

O Que é a Peshitta?

Desde o início da construção do Segundo Templo com Esdras e Neemias e até à
data da expulsão dos judeus da Judeia, pelos romanos em 135 d.C.52 que a
população da Judeia era uma pequena minoria face à população judaica que
nunca regressou do exílio em Babilónia. Durante todo este período a grande parte
da população judaica encontrava-se ainda em Babilónia e também dispersos pela
Assíria, Pérsia e Caldeia. A lingua comum a todos estes povos era o aramaico e
não o hebraico. Mesmo os judeus que habitaram a Judeia durante o período do
Segundo Templo trouxeram consigo de Babilónia a lingua aramaica como língua
corrente. O hebraico era uma lingua que permanecia apenas ou quase para uso
liturgico na Sinagoga e Templo uma vez que era a lingua em que a maior parte das
Escrituras53 se encontravam escritas. O Messias, os apóstolos e os seus
conterrâneos falavam e escreviam em aramaico.

Existem evidências muito substânciais de que todo o chamado Novo Testamento
foi escrito em aramaico, lingua nativa dos seus autores, e nunca em grego pois o
grego contém inúmeras evidências de aramaicismos resultantes de traduções

52 Após a revolta de Bar Kochba.
53 O livro de Daniel, por exemplo, escrito em Babilónia, encontra-se escrito em aramaico desde o capítulo 2:4
até ao capítulo 7.
imperfeitas de uma lingua para a outra. Não cabe no âmbito deste trabalho analisar
essas evidências mas cabe aqui dizer ser essa a minha firme opinião e de muitos
académicos. Cabe ainda aqui dizer que a chamada Igreja do Oriente54 tem sido, ao
longo dos séculos, a fiel depositária de um texto aramaico cujo manuscrito mais
antigo supostamente data do 2º século55 que é considerado por muitos académicos
como o texto não adulterado da maior parte dos livros e epístolas do Novo
Testamento56 e que é conhecido por Peshitta.

Enquanto que a Peshitta é considerada por muitos como o original do NT, já o não
é do AT. Este foi na sua grande maioria escrito em hebraico e mais tarde traduzido
para aramaico pelos mesmos judeus de Babilónia que mais tarde escreveriam o
Talmude. Muito mais antigos, portanto, do que os Masoretes da Idade Média e
certamente bastante conhecedores do hebraico e aramaico.

Em que é que a Peshitta nos é relevante?

Um fenómeno curioso ocorre na Peshitta com o Tetragrama. Em todas as
ocorrências do Tetragrama quer no AT quer no NT, o Tetragrama é substituído
pelo termo ‘MarYah’. Adicionalmente, e ao contrário do que sucede com os
manuscritos gregos, sempre que o NT cita uma passagem do AT em que o
Tetragrama aparece ou mesmo no decorrer da sua própria narrativa, ele usa
‘MarYah’ como designação clara e inequivoca de YHWH.

 

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