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Esta é a vida eterna: que te conheçam, o único Elohim verdadeiro, e a Yeshua o Messias, a quem enviaste. JOÃO 17:3
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As leis alimentares foram abolidas no Novo Testamento?

As leis alimentares foram abolidas no Novo Testamento?

Para o Leitor: O propósito deste artigo, não é condenar, ou insultar aqueles que defendem o ensino cristão de que as leis dietéticas de Deus estão abolidas sob o novo pacto. O propósito deste estudo, é examinar as passagens do Novo Testamento, que são usadas habitualmente para defender essa ideia, e demonstrar que essas passagens não ensinam afinal aquilo que a maioria da cristandade defende.

A bíblia ensina que exista desde sempre uma distinção entre os animais que se consideram “limpos” e “não limpos”, e isso acontece pelo menos mil anos antes da lei ter sido dada a Moisés. Esta distinção entre animais “limpos” e “não limpos”, é mencionada em Génesis 7:2 e 8:20, na história do Dilúvio.

Génesis não nos diz quais os animais que eram limpos, e não limpos/imundos, mas dá a entender facilmente que Noé sabia a diferença. Mas cerca de mil anos mais tarde, quando a Lei foi dada a Moisés, são especificados quais são os animais limpos (próprios para consumo), e não limpos (impróprios para consumo).

Levítico 11 foca-se nesse assunto, e Deuteronómio 14, faz um resumo do que é dito no texto de Levítico. O povo Judeu, continua a respeitar as leis alimentares. Já a maioria dos cristãos, por outro lado, pensam que não há nada de errado em comer animais que “em tempos” eram considerados imundos.

No entanto, muitos cristãos (e nutricionistas também) admitem que as pessoas seriam mais saudáveis se seguissem as leis dietéticas da Bíblia, e alguns fazem mesmo um pequeno esforço para evitar comer a carne de animais não-limpos. Mas a grande maioria, não vê as leis dietéticas como mandamentos divinos que devem ser observados. O argumento mais comum é que Deus aboliu essas leis no Novo Testamento (NT).

Existem seis textos do NT que podem dar a ideia de que Deus aboliu as leis alimentares, que estabelecera no Antigo Testamento (AT), mas não nos podemos esquecer que a palavra de Deus não muda (Tiago 1:17). E isso é corroborado pelo próprio Yeshua em Mat. 5:17-19; Mat. 24:35 e Lucas 16:17. Para além disso, devemos meditar nas palavras de Paulo em 2 Tess. 2:11-12.

Então, se sabemos pelas Escrituras que a palavra não se contradiz, é importante não fazer interpretações particulares (2ª Pedro 1:20), e analisar tudo (1ª Tess. 5:20), e só assim veremos que afinal, se ao invés de ser feita uma análise isolada, for feita uma análise geral, analisando a Palavra como um todo, veremos que tudo se encaixa.

Se analisarmos essas pretensas passagens, veremos que, as única formas de uma pessoa usá-las para “provar” a anulação das leis alimentares é:

– ignorando o contexto da passagem;

– ignorando o que o resto da bíblia diz sobre o tema;

– ignorando as conclusões lógicas desta posição teológica.

– se não atentarmos para o que nos diz Pedro em 2ª Pedro 3:15-16,

– ou se admitirmos que Deus é Deus de confusão.

Como tal, é crucial fazer uma análise dentro do contexto, uma análise geral da Palavra e não isolada, e ter bem ciente que a Deus não é Deus de confusão porque a Sua Palavra não muda.

Antes de analisar as passagens, consideremos o seguinte:

– Foram as leis dietéticas tradições de homens ou mandamentos de Deus?

– Yeshua ensina aos seus seguidores a desobedecer aos mandamentos de Deus?

Alguns certamente pensarão que esta pergunta será ridícula, mas nem tanto, pois isto é exactamente o que alguns cristãos pensam que Yeshua fez em Mateus 15 e Marcos 7:1-23, a primeira passagem que iremos analisar.

PRIMEIRO TEXTO: Não é o que entra pela boca que contamina o homem!

Mateus 15:11-17 e Marcos 7:1-23 mostram Yeshua a censurar a tradição dos anciãos, que consideravam que a sua tradição, neste caso, a obrigação de lavar as mãos antes de comer, deveria ser observada.

Curioso, é que não existe nenhum mandamento em toda a Torá sobre a obrigação de lavar as mãos antes de comer. Yeshua está a criticar a tradição dos homens, e é isso que está em causa no texto de Mateus e de Marcos, e não o comer “alimentos impuros”. Yeshua diz apenas, que comer sem ter as mãos lavadas, não contamina o homem, uma vez que Deus dotou o homem com um sistema digestivo que se encarregará do processo de limpeza, caso as mãos não estejam lavadas. (v.20).

A ideia de que Yeshua se referia aos alimentos imundos, está tão enraizada, que existem inclusive algumas traduções bíblicas que tem uma glosa onde consta: “assim considerou ele puros todos os alimentos”.

No entanto, mesmo para os que tem mais dificuldade de compreensão, conseguem perceber que Yeshua nunca poderia falar contra a Torá, pois ele não veio abolir a Torá, mas cumpri-la, como mostra o texto de Mateus 5:17-19. Ou seja, mesmo com acrescentos humanos ao texto, o Espírito Santo do Eterno ajuda-nos sempre a discernir a verdade mesmo que o adversário a manipule.

SEGUNDO TEXTO: Por causa da visão de Pedro, Deus tornou limpas todas as carnes?! (Actos 10)

Actos 10, aborda a visão que Pedro teve do lençol com animais. Essa visão tem um contexto simbólico, que nada tem a ver com as leis dietéticas de Deus. A visão mostrava, como percebemos mais à frente aquando do baptismo de Cornélio, que Deus considerava que os gentios já não eram mais imundos, porque se tinham tornado limpos através da sua fé no Messias. Desta forma, Deus mostra que esses gentios faziam parte do corpo do Messias, pois houve um tempo, que do Povo Santo, só faziam parte judeus, e prosélitos convertidos ao judaísmo.

Essa ideia de simbolismo, é apoiada em Ezequiel 17 e Daniel 7, que mostram as nações gentias simbolizadas por animais imundos, tais como águia, leão, urso e leopardo. A visão de Pedro não pode ser vista como literal, e percebemos isso quando chegam os mensageiros de Cornélio. Pedro não compreendera o significado da visão até chegarem os mensageiros de Cornélio, como vemos no vs. 28, do cap. 10 de Actos.

Pedro então percebeu que Deus não o mandou fazer algo que as escrituras proibiam, mas sim revelou-lhe simbolicamente o seu plano de enxertar os gentios na oliveira (Israel) através da fé em Yeshua, que era o lençol branco que os purificaria.

E aqueles que eram enxertados deveriam também obedecer aos mandamentos que Deus deu a Israel. O propósito é esse, Yeshua chama as pessoas ao arrependimento, para que atentem para a Lei do Eterno. Se as pessoas se arrependem, é porque eram pecadoras, e pecadores são os que desprezam e/ou violam a Lei. O arrependimento de nada vale se a pessoa mantém as mesmas práticas que mantinha anteriormente, o propósito é adoptar uma nova conduta de vida, isto é, caminhar segundo a instrução (Torá) de Deus.

TERCEIRO TEXTO: Ninguém vos julgue pelo comer ou pelo beber (Colossenses 2:16)

Colossenses 2:16 É uma das passagens mais usadas como argumento para apoiar a ideia que as leis alimentares não precisam mais de ser observadas. Como tal, seguindo os princípios abordados no ínicio deste estudo, vamos analisar o cap. 2 como um todo.

E depois só temos que atentar para o contexto dessa passagem, para entender o seu significado.

Os vs. 13-14 dizem que fomos perdoados, porque “a cédula fora riscada”. Esta cédula não é a Lei de Deus. Mas sim os nossos pecados. O que foi cravado na cruz não foi a Lei de Deus, mas sim as nossas transgressões, como profetizado por Jeremias (31:34) e Isaías (43:25).

E graças ao sacrifício de Yeshua, triunfámos diante do nosso acusador (vs.15), e por isso mesmo não devemos deixar que nenhum homem nos julgue. Aliás, quem tem o direito de julgar?

A palavra “portanto” do vs.16 vem em sequência dos vs. anteriores.

A melhor forma de resumir o vs. 16, é que as nossas transgressões nos foram perdoadas (vs.13). A lista dos nossos pecados foi removida/riscada, através do sacrifício de Yeshua (vs.14).

Quem conhece um pouco da história dos Colossenses, sabe que o povo de Colosso era influenciado por mestres ligados ao gnosticismo, que impunham leis humanas, para que os homens pudessem alcançar elevada espiritualidade. E era com isso que Paulo se confrontava em Colosso. Como vemos no cap. 2 vs. 4, 8, 18, 20, 22. Paulo não se referia às leis de Deus, mas às influências humanas, aliás, permitam-me que faça uma ressalva só a título de curiosidade; A palavra lei nem sequer aparece na carta aos Colossenses, mas isso são apenas detalhes.

Os mestres gnósticos de colosso, censuravam os novos crentes em Yeshua, por estes comerem e beberem aos Sábados, nos dias de Festa de YHWH, e nos dias de Lua Nova, pois consideravam que perdiam a espiritualidade por o fazerem.

Os mestres gnósticos ignoravam na verdade o propósito das Festas de YHWH. Além de serem dias santos, eram também dias festivos. Precisamente isso, dias festivos, de regozijo em que as pessoas devem comer e beber com alegria, como vemos em Deut. 14:22.

Não quer isso dizer que sejam dias de glutonaria ou bebedeiras, não torçamos o sentido do texto, mas não deixam de ser dias de alegria, em que se deve festejar e adorar o Eterno Deus. Não há nenhuma restrição relativamente ao comer e ao beber nesses dias, (exceptuando no dia de Expiação, que é um dia de Jejum obrigatório,) como os mestres de colosso defendiam, pois o propósito das festas, além de ser servir o Eterno, é dedicar essa dia a ele, comendo e bebendo alegremente. Foi contra a influência que o gnosticismo exercia sobre colosso, que Paulo falou. Paulo refutou essa ideia, afirmando que nada os proibia de comer e beber nesses dias, logo, contrariando a ideia geral das pessoas que falam sobre este texto específico, Paulo não aconselha a que não se observem os dias Santos de YHWH, antes pelo contrário, aconselha sim a observação desses dias, em total regozijo, comendo e bebendo sem se deixarem perturbar pelas críticas dos homens hereges.

Ou seja, em Colossenses 2:16, Paulo não está de forma alguma a falar contra os dias santos de YHWH, antes pelo contrário, vemos Paulo a incentivar os crentes a comerem e a beberem nesses dias festivos, pois tais restrições que lhes tinham sido imputadas, não constam na Torá, mas sim são influências humanas, neste caso dos mestres gnósticos.

Vamos então ler o texto novamente com o contexto correcto, e com uma tradução fiel aos originais, e sem tendenciosidades:

“Portanto, não deixem que vos julguem pelo comer ou pelo beber, nos dias de festa (solenes), da lua nova, ou aos sábados, pois tais coisas são o prenúncio daqueles que preparam o próprio corpo para serem julgados no Messias” (Peshitta- versão em aramaico do Novo Testamento).

A passagem é muitas vezes mal interpretada. O que é que realmente quer ela dizer? Paulo combatia uma heresia local. Falsos mestres tinham introduzido a sua própria filosofia religiosa, a qual era uma mistura de conceitos Judaicos e gentios. As suas ideias eram fundamentadas na “tradição” humana e nas “convicções do mundo” não na Palavra de Deus. Paulo avisou os Colossenses dizendo-lhes:

“Tende cuidado para que ninguém vos faça presa sua, por meio de filosofias e vãs subtilezas, segundo a tradição dos homens, segundo os rudimentos do mundo e não segundo Cristo” vs.8

Estes falsos mestres introduziram as suas próprias normas e regulamentos como comportamento devido (vs. 20-22). O aviso de Paulo à igreja de Colosso indica fortemente que estes hereges foram os percursores duma maior heresia que se desenvolveu no gnosticismo, o qual por si só, é uma crença que sustenta o sistema do conhecimento secreto (gnosis é o grego para “conhecimento”, daí o termo gnosticismo) para melhorar a religião de uma pessoa. Da palavra “gnosticismo” vem a palavra “agnosticismo”, e penso que isso esclarece claramente os leitores sobre a heresia que Paulo se confrontava em colosso.

Os gnósticos declaravam-se tão espirituais que desdenhavam virtualmente qualquer coisa física, considerando-a como inferior a eles. Em Colosso, os falsos mestres rejeitaram o físico—as coisas perecíveis que podiam ser tocadas, provadas ou manuseadas (vs. 21-22)—particularmente quando se relacionava com a adoração.

A sua filosofia encorajava a negligenciar as necessidades físiológicas do corpo para se alcançar elevada espiritualidade. Em verdade, contudo, a sua auto-imposta religião em nada ajudou e nada alcançou em combater a natureza humana. Como Paulo escreveu, não foi “de valor algum, senão para a satisfação da carne” vs. 23.

Os Cristãos em Colosso obedeciam a Deus. Eles guardavam o Seu Sábado e Dias Santos, e regozijavam-se neles, seguindo as instruções bíblicas (Deut. 16:10-11, 13-14). Os hereges condenavam a igreja de Colosso pela forma que os Colossenses celebravam os Dias Santos. Repare-se que eles não contestavam os dias em si mesmos, mas sim o gozo físico deles—alegrando-se e participando nas festas—que provocava a objecção desses falsos mestres.Repare-se outra vez as palavras de Paulo:

“Portanto, ninguém vos julgue pelo comer, ou pelo beber, nos dias de festa, ou da lua nova, ou dos sábados” (Col. 2:16).

Paulo advertia os Colossenses a ignorar os julgamentos e críticas dos heréges no que dizia respeito ao gozo de comer e beber nas solenidades de Deus. Em vez de mostrar indiferença pelos dias que Deus estabeleceu como sagrados, como a maior parte dos grupos cristãos actuais defende, os comentários de Paulo nesta passagem contrariam essa ideia, já que confirma que os Cristãos Colossenses— que eram principalmente gentios (Colossenses 2:13)—observavam o Sábado semanal e os Dias Santos de Deus, passados mais de 30 anos depois da morte e ressurreição de Yeshua. Se eles não estivessem a comemorar estes dias, os heréges não teriam fundamento para as suas objecções relativas ao aspecto de comer e beber nos dias de festa. Nunca esteve em questão neste texto, o que é lícito ou não é licíto comer, porque Paulo observava a Torá, como vemos em Actos 24:14.

QUARTO TEXTO: 1ª Timóteo 4:1-5 (Porque toda a criatura de Deus é boa, e não há nada que rejeitar, sendo recebido com acções de graças.)

Primeiramente atentemos para o vs. 3, que fala nos alimentos que Deus criou para os fiéis. Eu pergunto, quais foram os animais que Deus criou para serem consumidos como alimento? Por acaso o porco, o marisco, o rato, ou os lagartos foram criados para servirem de alimentação? Logicamente a frase “os manjares que Deus criou” refere-se aos animais que são considerados como alimentos, e isso é nos ensinado no Velho Testamento.

Paulo escreveu sobre as doutrinas de certo tipo de falsos mestres:

“proibindo o casamento e ordenando a abstinência dos manjares [alimentos] que Deus criou para os fiéis e para os que conhecem a verdade, a fim de usarem deles com acções de graças; porque toda criatura de Deus é boa, e não há nada que rejeitar, sendo recebido com acções de graças, porque, pela palavra de Deus e pela oração, é santificada.”

O que pretendiam estes falsos mestres? Por acaso Paulo estaria a advertir Timóteo acerca de mestres “judaizantes” que exigiam a obediência às leis alimentares da Torá? Ou, tratava-se de algo muito diferente?

Atentemos para um detalhe muito significativo. Paulo disse a Timóteo que “toda a Escritura [o que agora se conhece como o Antigo Testamento] divinamente inspirada é proveitosa para ensinar, para redarguir, para corrigir, para instruir em justiça” (2 Timóteo 3:16). Como é que se então afirmar, que Paulo dizia a Timóteo, que não se importasse com as instruções que se encontravam nessas mesmas Escrituras?

As próprias palavras de Paulo esclarecem qual era realmente a situação: havia mestres que estavam a exigir às pessoas coisas que Deus não tinha ordenado. Eles proibiam casar-se, algo que na Bíblia não só não aparece, mas que nela se recomenda exactamente o contrário; aos olhos de Deus, o matrimónio é algo muito positivo.

Além disso, os falsos mestres mandavam “a abstinência dos alimentos que Deus criou para os fiéis e para os que conhecem a verdade, a fim de usarem deles com acções de graças”

Na Bíblia de Aplicação na Vida encontramos uma explicação acerca do erro que Paulo abordava aqui:

“O perigo que Timóteo enfrentou em Éfeso parece ter vindo de certas pessoas na igreja que seguiam a alguns filósofos gregos que ensinavam que o corpo é mau e que só o Espírito importava. Os falsos mestres recusavam crer que o Deus da criação era bom, porque o seu simples contacto com o mundo físico o teria manchado. Os falsos mestres estabeleciam normas estritas (como proibir ao povo que se casasse ou que comesse certos alimentos). Isto fazia os parecer muito disciplinados e justos”.

Em 1 Timóteo 4:1, Paulo esclarece a verdadeira origem destas heresias; ou seja, em vez de terem a sua origem na Bíblia, provinham sim de “espíritos enganadores” e eram “doutrinas de demónios”.

Podemos ver que o problema tratado nesta passagem tinha a ver com um ascetismo mundano e pervertido (aqueles com uma filosofia de mortificação da ‘carne’, porque o que é físico é maldoso), e não com a obediência às normas alimentares de Deus. Paulo escreveu isto “para os fiéis e para os que conhecem a verdade” (1Tim. 4:3), porque deduzia que esses tinham conhecimento das Escrituras que identificavam quais as carnes tinham sido santificadas (separadas, apartadas) para sua alimentação e deleite “pela palavra de Deus e pela oração” (1 Tim. 4:5).

Ele exortou a Timóteo para que em vez de se deixarem levar pelo que ensinavam estes mestres do ascetismo, tivessem as Escrituras como base e ponto de referência em tudo. Assim como Paulo desmascarou o ascetismo em Colosso (Col 2:16), também alertou a Timóteo acerca da mesma falsidade. Em nenhuma das duas passagens se tratava das instruções de Deus a respeito dos alimentos.

Como é que sabemos quais as criaturas que podem ser consumidas como alimento? A resposta a essa pergunta está na seguinte frase esclarecedora: “porque pela palavra de Deus e pela oração é santificada.” Onde é que a palavra de Deus nos diz quais os animais santificados e separados para ser consumidos como alimentos? Em Lev. 11 e Deut. 14, os dois locais das Escrituras onde são dadas as leis alimentares.

Se há quem afirme que a frase “toda a criatura de Deus é boa” não tem que necessariamente estar ligado às frases “a fim de usarem deles com acções de graças” e “porque pela palavra de Deus e pela oração é santificada”, então temos um problema, porque a carne de alguns animais é venenosa e mataria qualquer pessoa se ingerida.

A palavra “toda” tem obrigatoriamente que ser vista dentro do contexto. Nesta mesma carta a Timóteo, Paulo diz que: “Deus abundantemente nos dá todas as coisas, para delas gozarmos” (6:17), mas significa isso que nos dá todas as coisas sem restrições?

Claramente que não, há um plano de orientação, de conduta humana, Deus não nos dá a esposa do próximo para que desfrutemos dela, não nos dá cocaína e marijuana para desfrutarmos delas. Claramente “todas as coisas” não inclui as coisas que Deus proibiu ou que são nocivas. Da mesma forma, “tudo o que Deus criou” não inclui os animais que Deus proibiu para o seu consumo.

Vejamos que existe a utilização a palavra “todo” num contexto similar em Génesis 1:29 onde Deus disse a Adão: “Eis que vos tenho dado toda a erva que dá semente, que está sobre a face de toda a terra; e toda a árvore, em que há fruto de árvore que dá semente, ser-vo-á para mantimento”.

Significa isso que todas as plantas são comestíveis? Que diremos da cicuta, cogumelos venenosos, e outras plantas que são venenosas?

A posição da teologia cristã no seu geral, declara que não há restrições relativamente à alimentação. Mas não imaginam as implicações lógicas dessa posição teológica. Se não há restrições, então não podemos criticar os glutões e os bêbados, não podemos criticar os canibais, porque afinal, o homem também é uma criatura de Deus.

QUINTO TEXTO: Em Romanos 14, o que Paulo quer dizer quando diz que nada é “imundo”?

É evidente que o texto de Romanos 14:14, se refere à alimentação, como vemos no vs. seguinte (15).

Mas vamos analisar o texto desde o início do capítulo 14, vejamos a partir do vs. 2-3:

” Porque um crê que de tudo se pode comer, e outro, que é fraco, come legumes. O que come não despreze o que não come; e o que não come, não julgue o que come; porque Deus o recebeu por seu.”

Uma das chaves para entender a questão alimentar do cap. 14 de Romanos, está no vs. 2. Uma vez que haviam crentes em Yeshua que mantinham uma alimentação baseada em vegetais, e frutas, o mesmo regime alimentar que nos dias de hoje ganha cada vez mais adeptos, e que nós chamamos de “vegetarianos”. Esses crentes em Yeshua consideravam que a carne era imunda, por isso Paulo explica que nada do que Deus estipulou como alimento “é de si mesmo imunda, a não ser para aquele que a tem por imunda”.

Continuando a análise. Para perceber melhor o contexto do texto de Romanos 14, avancemos para o vs. 21:

“Bom é não comer carne, nem beber vinho, nem fazer outras coisas em que teu irmão tropece, ou se escandalize, ou se enfraqueça”

Vejamos, Paulo aqui diz que “bom é não comer carne”. Se nós procedêssemos como aqueles que defendem que as leis alimentares foram abolidas, poderíamos também isolar esta passagem e alegar que não deveríamos comer carne. Mas como a Palavra é um todo, não o faríamos, vamos sim, continuar a nossa análise sobre o texto de Romanos.

Conforme a explicação anterior, que é confirmada pelo vs. 21, a questão que se punha era se era lícito ou não comer carne.

“Mas aquele que tem dúvidas, se come está condenado, porque não come por fé; e tudo o que não é de fé é pecado.” Rom. 14:21-23

Paulo esclarece, que quando comemos, devemos estar de consciência tranquila perante Deus, pois se esses irmãos vegetarianos, começam a comer carne, mas não estão certos se estão a pecar ou não, estarão claramente a pecar, porque tudo aquilo que não é de fé é pecado. Confuso?

Vejamos, essas pessoas não comiam carne, por pensar que era pecado, logo, consideravam que comer carne era desobedecer a Deus. No entanto, se essas pessoas fossem comer carne, mas a pensar que estariam em desobediência, estavam a pecar no seu coração, porque estão a ir contra algo que acreditavam.

Neste contexto não se menciona nada a respeito de carnes “limpas” ou “imundas”. O assunto sobre o qual Paulo se referia estava relacionado com a atitude de alguns dos novos membros da Congregação, ou seja, “ao fraco na fé”, conforme o vs. 1.

Eles receavam comer carnes em geral e consequentemente, comiam somente vegetais, como é mencionado no vs. 2.

O tema do vegetarianismo continua no vs. 6: “E quem come, para o Senhor come, porque da graças a Deus; e quem não come, para o Senhor não come, e da graças a Deus”. Vemos claramente que havia membros da Congregação que comiam carne, e outros que simplesmente não comiam.

SEXTO TEXTO: “Comei de tudo o que se puser diante de vós” (1ª Cor. 10:27)

Ao ler o Novo Testamento nós apercebemo-nos de que existiu uma controvérsia a respeito da alimentação. Se examinarmos cuidadosamente as Escrituras, podemos entender qual era na realidade o motivo do debate. Em 1 Coríntios 8 o apóstolo Paulo dá uma explicação “quanto ao comer das coisas sacrificadas aos ídolos” (vs. 4). Por que se discutia isto?

“Na época de Paulo, frequentemente a carne era sacrificada e oferecida nos altares pagãos como oferenda aos deuses. Mais tarde, essa mesma carne era vendida nos açougues públicos. Alguns cristãos se perguntavam se para eles era correcto comer esta carne que havia sido previamente oferecida aos deuses pagãos” (Nelson’s New Illustrated Bible Dictionary [“Novo dicionário bíblico ilustrado de Nelson”], 1995, na secção “Meat”).

É interessante notar (ainda que não seja uma prova conclusiva) que em Actos 14:13, (a única passagem em que se mencionam os animais que se sacrificavam aos ídolos), o animal sacrificado era um touro, um animal limpo.

Porém, o que se debatia não era o tipo de carne que se podia comer. Para os judeus crentes que seguiam a instrução de Deus nem sequer lhes passaria pela cabeça considerar como alimento a carne dos animais imundos. A controvérsia tinha a ver mais com a consciência de cada crente. Ao dizer que era permitido consumir a carne de animais que tinham sido oferecidos aos ídolos, Paulo explicou “que o ídolo, por si mesmo, nada é no mundo” (1 Cor. 8:4).

O facto de que o animal tivesse sido oferecido a um deus pagão não afectava a carne em nada, ou seja, não alterava as propriedades nutricionais da mesma. Paulo continuou dizendo:

“Entretanto, não há esse conhecimento em todos; porque alguns, por efeito da familiaridade até agora com o ídolo, ainda comem dessas coisas como a ele sacrificadas; e a consciência destes, por ser fraca, vem a contaminar-se. Não é a comida que nos recomendará a Deus, pois nada perderemos, se não comermos, e nada ganharemos, se comermos” (1Cor. 8:7-8).

Segundo Paulo, se um crente comprava a carne num açougue, ou se numa visita lhe fosse oferecida a carne, não era necessário averiguar se esta tinha sido oferecida aos ídolos (1Cor. 10:25-27). O que mais lhe preocupava era que se considerasse e respeitasse a quem tivesse uma crença diferente, ou seja, que não comesse carne sacrificada a ídolos. Segundo as suas instruções, nestes casos era preferível não comer carne para não servir de tropeço ao irmão (1 Cor. 8:13; 10:28-29).

O assunto com os Coríntios dizia respeito, ao facto de se era ou não permitido comer carne que tinham sido oferecida a ídolos, e o conselho que Paulo deu aos coríntios é o mesmo que deu aos romanos, no contexto que analisámos há pouco (Rom. 14), ou seja: Não fazer nada que possa causar ofensa a um irmão na fé. A resposta de Paulo é a mesma: Não há nada de mal com a carne que Deus determinou como alimento, porém não é correcto comê-la se isso for motivo de ofensa para outros (Rom.14:13; 1 Cor. 8:9). Lembremo-nos que Paulo estava a puxar pessoas à fé, logo não deveria fazer tropeçar na fé aqueles a quem ele dava testemunho.

A controvérsia a respeito da carne sacrificada aos ídolos foi grande na época do Novo Testamento. Este é o núcleo de muitas das coisas que Paulo escreveu acerca da liberdade cristã. As Escrituras hebraicas não contêm referências sobre a carne oferecida a ídolos, mas têm instruções muito claras a respeito de quais carnes se podem comer e quais não. No Novo Testamento, no entanto, o assunto das carnes oferecidas aos ídolos era muito importante para alguns cristãos, segundo a sua consciência e entendimento.

Percebemos então que, o que Paulo deixa claro aqui, é que qualquer associação de comida com cerimónias idólatras não altera em nada, por este acto, as suas propriedades como alimento.

O Novo Testamento ensina que é proibido aos crentes comer comidas oferecidas aos ídolos. Quatro vezes aparece isso escrito, em Actos 15:20; 21:25; Ap. 2:14; Ap. 2:20. Aparentemente o testemunho de Paulo em 1Coríntios 8, parece contradizer esses textos de Actos e Apocalipse. Mas Paulo esclarece o assunto em 1Coríntios 10, quando ele escreve:

“Antes digo que as coisas que os gentios sacrificam, as sacrificam aos demónios, e não a Deus. E não quero que sejais participantes com os demónios. Não podeis beber o cálice do Senhor e o cálice dos demónios; não podeis ser participantes da mesa do Senhor e da mesa dos demónios.” 1Cor. 10:20-21.

O problema com o qual os Coríntios se confrontavam era que estes não queriam comer carne que tivesse sido oferecida a ídolos. Muitas vezes, a carne vendida nos açougues, provinha de animais que tinham sido oferecidos a ídolos. Seria difícil, senão mesmo impossível saber se determinado corte provinha de um animal que tinha sido oferecido aos ídolos. Por isso a questão era: Deveriam os crentes de Corinto comprar carne no mercado público sem saber se esta tinha sido ou não oferecida aos ídolos? Paulo responde:

“Comei de tudo quanto se vende no açougue, sem perguntar nada, por causa da consciência. Porque a terra é do Senhor e toda a sua plenitude.” 1Cor. 10:25-26

Paulo dava então a entender aos Coríntios que uma pessoa era culpada por comer carne oferecida aos ídolos se soubesse que a mesma tinha sido oferecida a um ídolo. Se um anfitrião oferecesse carne e dissesse: “isto foi oferecido em sacrifício aos ídolos” Paulo diz que o crente “não deve comê-la” mas se o anfitrião nada diz, então o crente poderá comer a carne. É neste contexto que Paulo escreve

SÉTIMO TEXTO: Comei do que vos puserem diante (Lucas 10:8)

Este texto de Lucas 10:8 que mostra uma instrução directa de Yeshua, está directamente relacionada com o texto de 1Coríntios 10:27, que já abordámos no ponto anterior.

Certamente que nem um, nem outro texto, mostra que devemos aceitar tudo o que o anfitrião nos oferece, mesmo que isso inclua comida proibida pela instrução de Deus. Yeshua nunca faria tal coisa, visto que ele recebeu mandamento do pai, sobre o que falar e o que dizer (Jo. 12:49), e a palavra de Deus não muda.

Devemos ter em consideração o seguinte. O texto de Lucas 10:8 vem em sequência do facto de Yeshua ter enviado os setenta discípulos a espalhar o evangelho pelas terras de Israel. Em primeiro lugar devemos perceber um ponto; nas terras de Israel não era vendido nos açougues comida não-kasher, ou seja, imprópria/imunda. Os setenta eram judeus que seguiam um rabino judeu observador da Torá (Yeshua). Yeshua diz aos discípulos em Mat. 10:5-6:

“Não ireis pelo caminho dos gentios, nem entrareis em cidade de samaritanos; Mas ide antes às ovelhas perdidas da casa de Israel;”

É evidente, por esta declaração, que os discípulos seriam alojados em casas de judeus observantes da Torá, nas quais as leis alimentares são observadas. É pouco razoável, e mesmo ridículo supor que lhes iriam oferecer porco ou algo do género nessas casas. Yeshua simplesmente quis dizer que eles deveriam contentar-se com aquilo que lhes colocariam à frente.

Muitos crentes sinceros, crêem que as instruções de Yeshua e Paulo (Luc. 10:8 e 1Cor. 10:27) relativamente ao “comer aquilo que nos ofereçam”, significa que não devemos recusar a comida que um anfitrião nos ofereça, mesmo que a carne seja de um animal imundo. Esse argumento parte da premissa de que recusar a comida que nos é oferecida, poderá insultar o anfitrião, e seja impedimento para que este aceite o evangelho.

Mas mais uma vez, esses crentes que defendem essa ideia, não pensam nas implicações lógicas e na conclusão dessa posição. Se é permitido (e preferível) desobedecer deliberadamente às leis dietéticas de Deus para evitar ofender o anfitrião, então, porque é que não é permitido desobedecer a outras leis de Deus para evitar ofender terceiros?

Em algumas culturas, um homem mostra a sua hospitalidade permitindo que o seu convidado durma com a esposa do anfitrião. Se o convidado recusa, isso é considerado um grande insulto para o anfitrião e para a esposa.

Noutras culturas é um insulto se o convidado se recusa a embebedar-se com o anfitrião.

No mundo das drogas, é um insulto o comprador recusar-se a drogar-se com o traficante, se for convidado a fazê-lo.

Portanto, a nossa tranquila e humilde obediência aos mandamentos de Deus às vezes poderá ofender terceiros, que ignoram os mandamentos de Deus. Ofender as pessoas é certamente um dos efeitos secundários da obediência a Deus. A quem queremos agradar? A Deus ou aos homens? Gál. 1:10.

A distinção entre limpo e não limpo/imundo, não terminou após a morte de Yeshua. Como vemos em Apoc. 18:2.

“E clamou fortemente com grande voz, dizendo: Caiu, caiu a grande babilônia, e se tornou morada de demónios, e covil de todo espírito imundo, e esconderijo de toda ave imunda e odiável.”

Como vemos, quando analisadas dentro do contexto correcto, percebemos que as passagens que antes geravam controvérsia, são facilmente esclarecidas. Vemos que a Palavra de Deus não mudou ao longo do tempo, e que as leis alimentares, devem ser observadas por todos aqueles que são seguidores de Yeshua, e que servem ao Eterno YHWH.

Autor Desconhecido

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