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Esta é a vida eterna: que te conheçam, o único Elohim verdadeiro, e a Yeshua o Messias, a quem enviaste. JOÃO 17:3
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O espírito santo” é uma pessoa?

Espírito Santo” é uma pessoa?

Este artigo abordará, à luz da Bíblia, diversos argumentos que têm sido apresentados como alegada prova da personalidade do espírito santo. Você está sendo convidado a considerar ponderadamente as proposições que defendem essa tese, bem como o que dizem as evidências bíblicas quanto a se existe legitimidade para tal argumentação. [Subtópicos 1-3] Em seguida serão apresentadas as bases bíblicas que estabelecem a verdade sobre o espírito santo. [Subtópico 4]

1. O “Consolador” é uma pessoa?

No Evangelho de João, capítulos 14 a 16, Jesus faz referência ao espírito santo como sendo o “ajudador” (grego parákletos), um termo descritivo que algumas traduções colocam em maiúsculo, como sendo um título, vertendo tal palavra como “Ajudador” (IBB), “Consolador” (Al; ALA) e “Paráclito” (BJ), entre outros termos. Contudo, o fato de a Bíblia atribuir tal termo ao espírito santo não faz com que ele seja uma pessoa; apenas mostra que uma de suas funções inclui dar ajuda ou consolo aos servos de Deus. Assim, a Bíblia fala do “consolo do espírito santo”. (Atos 9:31) Mas ela também menciona o “consolo das Escrituras”. (Rom. 15:4) Portanto, a Palavra de Deus também fornece consolo, mas evidentemente ninguém concluiria disso que ela é uma pessoa. Adicionalmente, a Bíblia mostra que até mesmo qualidades abstratas podem atuar metaforicamente nessa função. O Salmo 119:76 declara: “Sirva a tua benevolência para consolar-me.” E o Salmo 23:4 ainda diz: “Tua vara e teu bastão são as coisas que me consolam.” Todas essas coisas impessoais cumprem o papel de “ajudador”, ou de “consolador”. Assim, o fato de Jesus Cristo ter personificado o espírito santo como “ajudador” ou “consolador” não fornece base para se concluir que o espírito santo é uma pessoa.

Como exemplo de personificação (atribuição de características pessoais a algo impessoal), note o que Paulo declarou em Gálatas 3:8: “Ora, tendo a Escritura previsto que Deus havia de justificar pela fé os gentios, anunciou primeiro o evangelho a Abraão, dizendo: Todas as nações serão benditas em ti.” (Almeida Corrigida e Revisada Fiel) Fazer uma previsão envolve usar o intelecto para fazer uma avaliação de fatos passados e presentes sobre o que estes indicam quanto ao futuro. Assim, todo esse processo mental foi atribuído figuradamente à Escritura. Em adição, o texto atribui voz pessoal própria à Escritura, afirmando que ela fala e que ‘anuncia’. Mas tudo isso não passa de personificação. E é claro que a personificação da “Escritura” não faz com que ela seja uma pessoa.

Do mesmo modo, a Bíblia personifica o espírito santo, quando diz que ele ‘fala’, ‘ensina’, ‘testifica’, ‘ouve’, etc. (João 14:26; 15:26; 16:8, 13-15) Mas, como vimos, a personificação não é em si mesma uma prova positiva de personalidade. Ou seja, a personificação do espírito santo não prova que ele seja uma pessoa. [1]

2. A palavra “outro” indica que o espírito santo é uma pessoa?

O espírito santo é descrito como “outro” ajudador em relação a Jesus Cristo. (João 14:16) A palavra grega para “outro” nessa passagem é állos, que significa “outro” da mesma espécie. Com base nisso, alguns trinitaristas afirmam que, uma vez que Jesus é uma pessoa, o “outro” ajudador também teria de ser uma pessoa. Mas a comparação aqui não é no sentido de Jesus e o espírito santo serem ambos pessoas. O texto não diz: ‘O Pai dará outra pessoa’, e sim “outro ajudador”. A linha de comparação está na palavra “ajudador” (ou “consolador”, conforme algumas traduções). Tanto Jesus como o espírito santo são descritos como ‘ajudadores’ ou ‘consoladores’. O espírito santo é “outro [állos] ajudador” no sentido de que daria continuidade à ajuda prestada por Jesus na promoção dos interesses do Reino de Deus, e de forma alguma tal passagem poderia ser usada para provar a existência de uma suposta terceira pessoa dum Deus trino.[2]

3. O uso de pronomes masculinos indica que o espírito santo é uma pessoa?

Alguns trinitaristas asseveram que João usou pronomes masculinos ao se referir ao espírito santo, embora a palavra grega para “espírito” (pneúma) seja neutra, o que exigiria gramaticalmente um pronome correspondentemente neutro. ‘Ao assim fazer’ – dizem os trinitários – ‘João estava firmando a personalidade do espírito santo’. Mas, será que João realmente usou pronomes masculinos ao aludir ao espírito santo, violando propositadamente regras gramaticais para assegurar aos seus leitores que o espírito santo é uma pessoa? O que mostram os fatos?

Longe de ser assim, o texto grego mostra que, quando a referência é ao “espírito”, palavra de gênero neutro, o artigo e os pronomes correspondentes também estão no gênero neutro, concordando gramaticalmente. Isso pode ser visto em João 14:17, que declara:

τὸ πνεῦμα τῆς ἀληθείας, ὃ ὁ κόσμος οὐ
o [neutro] espírito da verdade, que [neutro] o mundo não
δύναται λαβεῖν, ὅτι οὐ θεωρεῖ αὐτὸ
pode receber, porque não observa a ele[3] [neutro]
οὐδὲ γινώσκει: ὑμεῖς γινώσκετε αὐτό.
nem [o] conhece. Vós conheceis a ele[4] [neutro].

No entanto, quando a referência é ao “ajudador” (parákletos), palavra que em grego é masculina, o artigo e os pronomes correspondentes estão no gênero masculino, ao passo que a palavra neutra pneúma (“espírito”) continua a receber artigo e pronomes neutros. Veja isso abaixo, em João 14:26:

ὁ δὲ παράκλητος, τὸ πνεῦμα τὸ ἅγιον
o [masculino] ajudador, o [neutro] espírito o santo
ὃ πέμψει ὁ πατὴρ ἐν τῷ ὀνόματί μου,
que [neutro] enviará o Pai em o nome meu,
ἐκεῖνος ὑμᾶς διδάξει πάντα.
aquele[5] [masculino] vos ensinará todas as coisas.

Observe que, quando a alusão é ao “espírito” (substantivo neutro), o artigo (tó = o) e o pronome relativo (hó = que) também são neutros. Por outro lado, o pronome demonstrativo ekeínos (“aquele”) está no masculino, concordando com o substantivo masculino parákletos. Note que a frase “o espírito santo, que o Pai enviará em meu nome” está intercalada entre “o ajudador” e “aquele” (ekeínos), sendo uma expressão parentética explicativa. No texto grego bíblico, o pronome ekeínos não precisa vir imediatamente após o substantivo a que faz referência. O que ele precisa é concordar gramaticalmente com tal substantivo. Por exemplo, Hebreus 12:25 usa ekeínos no masculino plural (ekeínoi), fazendo alusão ao particípio substantivado masculino plural (hoi akoúsantes) do versículo 19. Um exemplo no próprio Evangelho de João de ekeínos separado do substantivo correspondente por uma longa frase encontra-se em João 9:11, 12:

“Ele respondeu: ‘O homem [hó ánthropos, substantivo masculino] chamado Jesus fez barro e untou-me os olhos com ele, e disse-me: “Vai a Siloé e lava-te.” Portanto, fui e lavei-me, e recebi visão.’ A isto disseram-lhe: ‘Onde está esse [ekeínos, masculino] homem?’”

Em João 14:12, o escritor usa o mesmo pronome no masculino para concordar com o particípio substantivado (ho pisteúon) a que faz referência, que também está no masculino. No versículo 20, o mesmo pronome está no feminino para concordar com a palavra grega para “dia” (heméra), que também é feminina. E no versículo 21 João usa ekeínos no masculino para concordar com o particípio substantivado pelo artigo masculino (ho ékhon). Coerentemente, no versículo 26, o mesmo pronome é usado com referência ao substantivo “ajudador” (parákletos), com o qual concorda gramaticalmente. Outros usos no Evangelho de João do pronome ekeínos mantêm a concordância gramatical. (João 6:57; 7:11, 29; 8:44; 10:1, 16; 18:15; 19:35; 21:23)[6] Assim, não há nenhuma base para concluir que ele deixaria de seguir tal concordância gramatical nas passagens envolvendo o espírito santo na função de “ajudador”.

Note agora como João 15:26 mantém a mesma concordância:

Οταν ἔλθῃ ὁ παράκλητος ὃν ἐγὼ
Quando chegar o [masculino] ajudador que [masculino] eu
πέμψω ὑμῖν παρὰ τοῦ πατρός,
enviarei a vós do Pai
τὸ πνεῦμα τῆς ἀληθείας ὃ παρὰ τοῦ πατρὸς
o [neutro] espírito da verdade que [neutro] do Pai
ἐκπορεύεται, ἐκεῖνος μαρτυρήσει περὶ ἐμοῦ.
procede aquele [masculino] dará testemunho de mim.

Assim, seguindo o mesmo padrão das passagens anteriores, observamos nesse versículo que, quando a referência é ao “espírito” (neutro), tanto o artigo (tó = o) quanto o pronome relativo (hó = que) são gramaticalmente neutros. Mas, quando a alusão é ao “ajudador” (masculino em grego) tanto o artigo (ho = o) quanto o pronome demonstrativo (ekeínos = aquele) são gramaticalmente masculinos. Em João 16:8 o apóstolo usa coerentemente ekeínos no masculino ao se referir ao parákletos (versículo 7). Logicamente, o uso de ekeínos em João 16:13 segue naturalmente o mesmo padrão.

Vale ressaltar em tudo isso que “gênero” é um aspecto linguístico que permite classificar certas classes gramaticais (substantivos, verbos, adjetivos, etc.) em um número fixo de categorias. Trata-se de um recurso gramatical e não um indicador de personalidade.

Por exemplo, a palavra “sol” em grego (hélios) é masculina, mas o sol não é uma pessoa. O amor (agápe) está no gênero feminino, mas se trata, não de uma pessoa, e sim de uma qualidade – algo abstrato. Por outro lado, “criança” (paidíon) está no gênero neutro, mas se refere a uma pessoa. A palavra “espírito” (pneúma) é gramaticalmente neutra, mas semanticamente pode se referir a uma pessoa, quando se aplica a Deus e a anjos, e pode se referir a algo impessoal, quando, por exemplo, se refere ao vento.[7] – João 3:8.

Por conseguinte, usar o argumento de que João usou pronomes masculinos para a palavra “espírito” (que é do gênero neutro) para tentar provar a personalidade do espírito santo demonstra desconhecimento da língua grega, bem como expõe o proponente desse argumento ao ridículo, (1.º) por confundir recurso gramatical com indicador de personalidade, e (2.º) por afirmar que João violou regras gramaticais para provar uma doutrina, quando ele perfeitamente poderia, dentro das regras gramaticais, mostrar a personalidade do espírito santo, caso esta realmente existisse.

Não podemos confundir gênero gramatical com semântica. O primeiro conceito está ligado à flexão de categorias de palavras, ao passo que o segundo, ao significado ou sentido das palavras dentro do contexto em que são empregadas. Assim, como já demonstrado, uma palavra gramaticalmente masculina (ou feminina) pode semanticamente se referir a algo impessoal (como é o caso do substantivo masculino parákletos), ao passo que uma palavra neutra, se o contexto permitir, pode se aplicar a seres pessoais. No caso do espírito santo, o contexto bíblico o apresenta uniformemente como sendo impessoal, e o uso de atributos pessoais com referência a ele não passam de personificação, figura de estilo que consiste em atribuir sentimentos e ações próprias de seres humanos a seres inanimados, impessoais e a conceitos abstratos.[8]

4. Evidência bíblica da natureza impessoal do espírito santo

Note abaixo as características aplicadas pela Bíblia ao espírito santo que determinam, além de qualquer dúvida, a sua natureza impessoal:

ENCHE pessoas. – Êxo. 31:3; Atos 2:4.
Pode VIR SOBRE elas. – Juí. 3:10; Luc. 2:25.
Pode ESTAR ATIVO em pessoas. – Juí. 14:6; 1 Sam. 10:6.
É DERRAMADO. – Atos 2:17; 10:45.
DISTRIBUÍDO. – Heb. 2:4.
PARCELADO. – Núm. 11:17, 25.
SOPRADO. – João 20:22.

O espírito santo é comumente associado a coisas impessoais. A Bíblia fala de ‘batizar com espírito santo e com fogo’ (Mat. 3:11); de estar “cheio de fé e espírito santo” (Atos 6:5; 11:24); e de estar “cheios de alegria e de espírito santo”. (Atos 13:52) O espírito santo dá testemunho, mas não junto com o Pai e o Filho (João 8:17, 18), e sim, junto com coisas impessoais, tais como a água e o sangue. – 1 João 5:5-8.[9]

Ademais, afirmar que o espírito santo é uma pessoa, além de ser biblicamente incorreto, tendo em vista o contexto bíblico, também implica em problemas teológicos desconcertantes para os defensores do dogma. Isso levantaria questões intrigantes, tais como:

Por que Jesus não apresentou o espírito santo como testemunha junto dele e do Pai? – João 8:17, 18.

Se Deus é uma Trindade, por que Jesus não disse: ‘Eu e o Pai e o Espírito Santo somos um’? – João 10:30.

Por que Jesus não mencionou o espírito santo, quando disse que a vida eterna depende de conhecer o Pai e o Filho? – João 17:3.

Por que ele disse que o Pai estava em união com ele e ele em união com o Pai, mas não citou o espírito santo como parte dessa união? – João 14:10, 11; 17:21-23.

Por que a “grande multidão” de salvos atribui a salvação ao Pai e ao Filho, mas não ao espírito santo? – Rev. 7:10.

Por que a Bíblia menciona “o trono de Deus e do Cordeiro”, mas não inclui o espírito santo? – Rev. 22:1.

Por que Paulo fala do “reino do Cristo e de Deus”, mas não inclui nesse reino o espírito santo? – Efé. 5:5.

Por que Jesus afirmou que somente ele e o Pai conhecem um ao outro plenamente, mas não incluiu o espírito santo nessa relação de conhecimento mútuo? – Luc. 10:22.

Por que João menciona que os cristãos têm parceria “com o Pai e com o seu Filho Jesus Cristo”, mas não inclui nessa parceria o espírito santo? – 1 João 1:3.

Além disso, se o espírito santo fosse uma pessoa, ele seria maior do que Jesus Cristo, pois a blasfêmia contra o Filho é perdoada, mas contra o espírito santo não.[10] – Mat. 12:32.

Todo esse conjunto de provas biblicamente documentadas estabelece um nítido marco divisório entre a clara doutrina bíblica da impessoalidade do espírito santo e as pretensas, infundadas e antibíblicas afirmações de sua personalidade. Tal conjunto probatório constitui uma evidência cumulativa e harmoniosa com a inteira Bíblia Sagrada que só pode ser explicada pela veracidade do conceito bíblico de que o espírito santo é, de fato, a força ativa de Jeová Deus.

Contato: oapologistadaverdade@gmail.com

Os artigos deste blog podem ser citados ou republicados, desde que seja citada a fonte: o blog oapologistadaverdade.blogspot.com

[1] Veja o artigo “Personificação prova personalidade?”, neste blog, no link http://oapologistadaverdade.blogspot.com.br/…/personificaca…
[2] Um artigo futuro analisará o uso de állos e de héteros no texto grego do “Novo Testamento”.
[3] Em português, quando ocorrem expressões negativas (como o advérbio “não”), a colocação pronominal do pronome pessoal do caso oblíquo átono é proclítica, fazendo o texto rezar: “Porque não o observa.”
[4] Em português predomina o uso de pronomes oblíquos como complemento, ao invés de pronomes retos antecipados de preposição. Assim, prevalece a tradução: “Vós o conheceis.”
[5] Ekeínos é equivalente a “ele”, “ela”, “esse”, “isso”, “aquilo”, podendo ser traduzido por esses pronomes conforme o gênero em que ocorre em grego.
[6] Em alguns casos ocorre a palavra kakeínos, que nada mais é do que a contração da conjunção kaí (“e”) com o pronome ekeínos.
[7] A palavra comumente usada para “vento”, em grego, é ánemos. (Mat. 11:7; 14:30; Atos 27:14; Efé. 4:14) Em João 3:8 o vento (grego pneúma) é personificado como tendo vontade própria, quando Jesus disse: “O vento sopra para onde quer” (de thélo = querer, desejar).
[8] Veja o artigo “Personificação prova personalidade?”, neste blog, no link http://oapologistadaverdade.blogspot.com.br/…/personificaca…
[9] Veja também o artigo “A Trindade é ensinada no ‘Novo Testamento’?” no link http://oapologistadaverdade.blogspot.com.br/…/trindade-eens…
[10] É possível blasfemar contra coisas impessoais. Por exemplo, é possível blasfemar contra o “nome de Deus” e contra a sua “residência”. – Rom. 2:24; Rev. 13:6.
Postado por O Apologista da Verdade

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