
Eis que os dias vêm, diz o Senhor, em que farei um pacto novo com a casa de Israel e com a casa de Judá, não conforme o pacto que fiz com seus pais, no dia em que os tomei pela mão, para os tirar da terra do Egito, esse meu pacto que eles invalidaram, apesar de eu os haver desposado, diz o Senhor. Mas este é o pacto que farei com a casa de Israel depois daqueles dias, diz o Senhor: Porei a minha lei no seu interior, e a escreverei no seu coração; e eu serei o seu Deus e eles serão o meu povo.
(Jeremias 31:31-33)
O texto é claro em afirmar que o Senhor firmará um novo pacto (Nova Aliança) com a casa de Israel e com a casa de Judá. E que nestes dias o Eterno escreverá a lei no coração do seu povo.
Muitos cristãos influenciados por pensamento anti-semita afirmam que após a morte de Jesus a lei foi abolida em favor de uma nova aliança. No entanto, Jesus mesmo afirmou em Mateus 5:17-18 que ele não veio para abolir a lei e que era mais fácil passar os céus e a terra do que um só ponto da lei deixar de ter vigor.
Se Jesus não veio para abolir a lei, quem aboliu?
Muitos teólogos colocam as cartas de Paulo contra as palavras de Jesus. Afirmam que após a morte de Jesus foi consolidada uma nova aliança e que a lei do chamado antigo testamento foi abolida e cravada na cruz.
Desde modo as escrituras entram em contradição, pois o Eterno escreve uma lei e revela a Moises, em seguida Jesus diz que não veio abolir a lei e cumpre a lei sendo em tudo obediente ao Pai, logo depois aparece Paulo dizendo que a Lei foi abolida?
Pois, mudando-se o sacerdócio, necessariamente se faz também mudança da lei. Porque aquele, de quem estas coisas se dizem, pertence à outra tribo, da qual ninguém ainda serviu ao altar, visto ser manifesto que nosso Senhor procedeu de Judá, tribo da qual Moisés nada falou acerca de sacerdotes. E ainda muito mais manifesto é isto, se à semelhança de Melquisedeque se levanta outro sacerdote, que não foi feito conforme a lei de um mandamento carnal, mas segundo o poder duma vida indissolúvel. Porque dele assim se testifica: Tu és sacerdote para sempre, segundo a ordem de Melquisedeque. Pois, com efeito, o mandamento anterior é ab-rogado por causa da sua fraqueza e inutilidade (Hebreus 7:13-18).
O fato é que mudança da lei de sacerdócio não tem nada haver com abolição da lei do Eterno. O texto de hebreus está relatando e explicando o sacerdócio de Jesus segundo a ordem de Melquisedeque. O autor de hebreus explica que sacerdócio de Jesus é superior a sacerdócio Aarônico, pois assim como Melquisedeque que não tinha linhagem para ser sacerdote, Jesus é declarado sacerdote para sempre segundo a ordem de Melquisedeque.
As escrituras sagradas não podem entrar em contradição! Pois ela é a palavra do Eterno revelada aos homens através dos profetas. O próprio apostolo Paulo ao escrever 2 Timóteo 3:16 afirma que toda escritura é divinamente inspirada e proveitosa para ensinar, para repreender, para corrigir, para instruir em justiça. Ora, quando Paulo escreveu este texto ainda nem existia o chamado Novo Testamento, assim fica claro que ele estava se referindo a lei do Eterno para cada um fazer-te sábio para a salvação através da observância e obediência.
O profeta Jeremias descreve que a nova aliança é um pacto que o Eterno firmará com a casa de Israel e com a casa de Judá. A lei não será gravada em tábuas de pedras como foi no tempo de Moises, mas no coração do povo do Eterno. O Espírito do Senhor guiará o povo através da obediência e gravará a lei do Eterno no coração do seu povo. O profeta Joel assegura que nós últimos dias os exilados de Judá e de Jerusalém voltarão de todas as nações a terra de Israel e todo aquele que invocar o nome do Senhor no monte Sião será salvo.
Vós, pois, sabereis que eu estou no meio de Israel, e que eu sou o Senhor vosso Deus, e que não há outro; e o meu povo nunca mais será envergonhado. Acontecerá depois que derramarei o meu Espírito sobre toda a carne; vossos filhos e vossas filhas profetizarão, os vossos anciãos terão sonhos, os vossos mancebos terão visões; e também sobre os servos e sobre as servas naqueles dias derramarei o meu Espírito. E mostrarei prodígios no céu e na terra, sangue e fogo, e colunas de fumaça. O sol se converterá em trevas, e a lua em sangue, antes que venha o grande e terrível dia do Senhor. E há de ser que todo aquele que invocar o nome do Senhor será salvo; pois no monte Sião e em Jerusalém estarão os que escaparem, como disse o Senhor, e entre os sobreviventes aqueles que o Senhor chamar.
(Joel 2:27-32)
Os 10 mandamentos não são exclusivos somente a Israel, mas se estende a todos os povos de todas as nações. Embora o novo pacto ou nova aliança seja com Israel e com a casa de Judá, todo aquele que crer no Senhor de Abraão, Isaque e Jacó é enxertado na oliveira e desfruta das mesmas bênçãos do povo escolhidos do Eterno. O profeta diz que “TODO AQUELE QUE INVOCAR O NOME DO SENHOR SERÀ SALVO”.
O Senhor Eterno não faz acepção de pessoas, ele salva todo aquele que o busca e obedece aos seus mandamentos. A nova aliança não isenta ninguém de obediência aos mandamentos, ao contrário, aqueles que no antigo pacto (Gentios) não tinham acesso a salvação, através da nova aliança são chamados a serem povo escolhido e se tornam um com Israel.
A nova aliança abre as portas para “todos” que querem servir e obedecer ao Senhor Eterno, independente de raça. O Senhor é Senhor de todos, e sua misericórdia se estende a todo aquele que nele crer e obedece a seus mandamentos.
Todo aquele que crê que Yeshua (Jesus) é o Messias é nascido de Deus; e todo aquele que ama ao que o gerou, também ama ao que dele é nascido. Nisto conhecemos que amamos os filhos do Eterno, quando amamos ao Senhor e guardamos os seus mandamentos. Porque este é o amor do Senhor: que guardemos os seus mandamentos; e os seus mandamentos não são pesados; Porque todo o que é nascido do Senhor vence o mundo; e esta é a vitória que vence o mundo, a nossa fé (fidelidade). (João 5:1-4).
Sabedor de todas as coisas, como é Deus, o futuro Lhe pertence é presente. Mais que qualquer outra coisa, talvez as profecias da bíblia e seu cumprimento dão testemunho de sua inspiração divina. A ciência não pode dizer quanto ao que virá a ocorrer, no que se refere ao futuro. Não existe no mundo um só cientista que possa predizer a evolução da história.
Entretanto, no cumprimento de várias profecias bíblicas, Deus já demostrou que não quer que seu povo, ande em trevas , quanto ao conhecimento vindouros, como ocorre, com os que não O servem ou militam em religiões pagãs. Por meio dos profetas bíblicos, o Senhor nos revela o futuro, Suas gloriosas promessas e como podemos alcança-las.
Daniel revelou a Nabucodonosor fatos concernentes a seu reino, o futuro de todo a humanidade, até aos dias da implantação do reino milenar messiânico.
O sonho de Nabucodonosor ….
O rei Nabucodonosor teve um sonho, que não se lembrava mais. Convocou os sábios de seu reino para adivinharem o sonho e darem a sua interpretação . Como ninguém conseguiu, Mandou matar todos. Esta ordem também atingiria Daniel e seus amigos hebreus. Daniel pediu um tempo a Arioque, oficial do rei, para que pudesse buscar a Deus e dar a resposta. Daniel teve a revelação e se apresentou a Nabucodonosor, impedindo desta forma, a extinção dos sábio de Babilônia.
Daniel 2
1 Ora no segundo ano do reinado de Nabucodonosor, teve este uns sonhos; e o seu espírito se perturbou, e passou-se-lhe o sono.
2 Então o rei mandou chamar os magos, os encantadores, os adivinhadores, e os caldeus, para que declarassem ao rei os seus sonhos; eles vieram, pois, e se apresentaram diante do rei.
3 E o rei lhes disse: Tive um sonho, e para saber o sonho está perturbado o meu espírito.
4 Os caldeus disseram ao rei em aramaico: Ó rei, vive eternamente; dize o sonho a teus servos, e daremos a interpretação
5 Respondeu o rei, e disse aos caldeus: Esta minha palavra é irrevogável se não me fizerdes saber o sonho e a sua interpretação, sereis despedaçados, e as vossas casas serão feitas um monturo;
6 mas se vós me declarardes o sonho e a sua interpretação, recebereis de mim dádivas, recompensas e grande honra. Portanto declarai-me o sonho e a sua interpretação.
7 Responderam pela segunda vez: Diga o rei o sonho a seus servos, e daremos a interpretação.
8 Respondeu o rei, e disse: Bem sei eu que vós quereis ganhar tempo; porque vedes que a minha palavra é irrevogável.
9 se não me fizerdes saber o sonho, uma só sentença será a vossa; pois vós preparastes palavras mentirosas e perversas para as proferirdes na minha presença, até que se mude o tempo. portanto dizei-me o sonho, para que eu saiba que me podeis dar a sua interpretação.
10 Responderam os caldeus na presença do rei, e disseram: Não há ninguém sobre a terra que possa cumprir a palavra do rei; pois nenhum rei, por grande e poderoso que fosse, tem exigido coisa semelhante de algum mago ou encantador, ou caldeu.
11 A coisa que o rei requer é difícil, e ninguém há que a possa declarar ao rei, senão os deuses, cuja morada não é com a carne mortal.
12 Então o rei muito se irou e enfureceu, e ordenou que matassem a todos os sábios de Babilônia.
13 saiu, pois, o decreto, segundo o qual deviam ser mortos os sábios; e buscaram a Daniel e aos seus companheiros, para que fossem mortos.
14 Então Daniel falou avisada e prudentemente a Arioque, capitão da guarda do rei, que tinha saído para matar os sábios de Babilônia;
15 pois disse a Arioque, capitão do rei: Por que é o decreto do rei tão urgente? Então Arioque explicou o caso a Daniel.
16 Ao que Daniel se apresentou ao rei e pediu que lhe designasse o prazo, para que desse ao rei a interpretação.
17 Então Daniel foi para casa, e fez saber o caso a Hananias, Misael e Azarias, seus companheiros,
18 para que pedissem misericórdia ao Deus do céu sobre este mistério, a fim de que Daniel e seus companheiros não perecessem, juntamente com o resto dos sábios de Babilônia.
19 Então foi revelado o mistério a Daniel numa visão de noite; pelo que Daniel louvou o Deus do céu.
20 Disse Daniel: Seja bendito o nome de Deus para todo o sempre, porque são dele a sabedoria e a força.
21 Ele muda os tempos e as estações; ele remove os reis e estabelece os reis; é ele quem dá a sabedoria aos sábios e o entendimento aos entendidos.
22 Ele revela o profundo e o escondido; conhece o que está em trevas, e com ele mora a luz.
23 Ó Deus de meus pais, a ti dou graças e louvor porque me deste sabedoria e força; e agora me fizeste saber o que te pedimos; pois nos fizeste saber este assunto do rei.
24 Por isso Daniel foi ter com Arioque, ao qual o rei tinha constituído para matar os sábios de Babilônia; entrou, e disse-lhe assim: Não mates os sábios de Babilônia; introduze-me na presença do rei, e lhe darei a interpretação.
25 Então Arioque depressa introduziu Daniel à presença do rei, e disse-lhe assim: Achei dentre os filhos dos cativos de Judá um homem que fará saber ao rei a interpretação.
26 Respondeu o rei e disse a Daniel, cujo nome era Beltessazar: Podes tu fazer-me saber o sonho que tive e a sua interpretação?
27 Respondeu Daniel na presença do rei e disse: O mistério que o rei exigiu, nem sábios, nem encantadores, nem magos, nem adivinhadores lhe podem revelar;
28 mas há um Deus no céu, o qual revela os mistérios; ele, pois, fez saber ao rei Nabucodonozor o que há de suceder nos últimos dias. O teu sonho e as visões que tiveste na tua cama são estas:
29 Estando tu, ó rei, na tua cama, subiram os teus pensamentos sobre o que havia de suceder no futuro. Aquele, pois, que revela os mistérios te fez saber o que há de ser.
30 E a mim me foi revelado este mistério, não por ter eu mais sabedoria que qualquer outro vivente, mas para que a interpretação se fizesse saber ao rei, e para que entendesses os pensamentos do teu coração.
31 Tu, ó rei, na visão olhaste e eis uma grande estátua. Esta estátua, imensa e de excelente esplendor, estava em pé diante de ti; e a sua aparência era terrível.
32 A cabeça dessa estátua era de ouro fino; o peito e os braços de prata; o ventre e as coxas de bronze;
33 as pernas de ferro; e os pés em parte de ferro e em parte de barro.
34 Estavas vendo isto, quando uma pedra foi cortada, sem auxílio de mãos, a qual feriu a estátua nos pés de ferro e de barro, e os esmiuçou.
35 Então foi juntamente esmiuçado o ferro, o barro, o bronze, a prata e o ouro, os quais se fizeram como a pragana das eiras no estio, e o vento os levou, e não se podia achar nenhum vestígio deles; a pedra, porém, que feriu a estátua se tornou uma grande montanha, e encheu toda a terra.
36 Este é o sonho; agora diremos ao rei a sua interpretação.
37 Tu, ó rei, és rei de reis, a quem o Deus do céu tem dado o reino, o poder, a força e a glória;
38 e em cuja mão ele entregou os filhos dos homens, onde quer que habitem, os animais do campo e as aves do céu, e te fez reinar sobre todos eles; tu és a cabeça de ouro.
39 Depois de ti se levantará outro reino, inferior ao teu; e um terceiro reino, de bronze, o qual terá domínio sobre toda a terra.
40 E haverá um quarto reino, forte como ferro, porquanto o ferro esmiúça e quebra tudo; como o ferro quebra todas as coisas, assim ele quebrantará e esmiuçará.
41 Quanto ao que viste dos pés e dos dedos, em parte de barro de oleiro, e em parte de ferro, isso será um reino dividido; contudo haverá nele alguma coisa da firmeza do ferro, pois que viste o ferro misturado com barro de lodo.
42 E como os dedos dos pés eram em parte de ferro e em parte de barro, assim por uma parte o reino será forte, e por outra será frágil.
43 Quanto ao que viste do ferro misturado com barro de lodo, misturar-se-ão pelo casamento; mas não se ligarão um ao outro, assim como o ferro não se mistura com o barro.
44 Mas, nos dias desses reis, o Deus do céu suscitará um reino que não será jamais destruído; nem passará a soberania deste reino a outro povo; mas esmiuçará e consumirá todos esses reinos, e subsistirá para sempre.
45 Porquanto viste que do monte foi cortada uma pedra, sem auxílio de mãos, e ela esmiuçou o ferro, o bronze, o barro, a prata e o ouro, o grande Deus faz saber ao rei o que há de suceder no futuro. Certo é o sonho, e fiel a sua interpretação.
46 Então o rei Nabucodonosor caiu com o rosto em terra, e adorou a Daniel, e ordenou que lhe oferecessem uma oblação e perfumes suaves.
47 Respondeu o rei a Daniel, e disse: Verdadeiramente, o vosso Deus é Deus dos deuses, e o Senhor dos reis, e o revelador dos mistérios, pois pudeste revelar este mistério.
48 Então o rei engrandeceu a Daniel, e lhe deu muitas e grandes dádivas, e o pôs por governador sobre toda a província de Babilônia, como também o fez chefe principal de todos os sábios de Babilônia.
49 A pedido de Daniel, o rei constituiu superintendentes sobre os negócios da província de Babilônia a Sadraque, Mesaque e Abednego; mas Daniel permaneceu na corte do rei.
Daniel fala o passo a passo, ao monarca qual tinha sido o seu sonho. Primeiramente, deixa claro que o que vai transmitir é obra do Deus dos céus e não do homem. Fala da grande estátuas, suas e os seus diferentes materiais que a compunha. Ouro, prata, metal amarelo, ferro e barro.
Vamos ao significado da estatua e sua história no nosso mundo
SIMBOLO GOVERNANTE IMPÉRIO
cabeça de ouro Nabucodonosor Babilônico
606-538 a.C.
peito e braços de prata Ciro & Dario Medo-Persa
538-331 a.C.
ventre e coxas de metal Alexandre /4 generais Grécia
331-168 a.C.
pernas e pés em ferro e barro Imperadores diversos Roma
168 a.C 476 d.C
A pedra: Representa a vinda de Cristo e a implantação do Reino messiânico sobre a terra
Note que depois do quarto reino mundial não existe mais um reino mundial sob domínio humano. O quinto reino é de Cristo. A pedra, após ferir e esmiuçar a estátua, se faz um grande monte e enche toda a terra. A pedra não retorna nem enche o céu. Monte em profecia significa reino. Outro detalhe importante é que não existe espaço entre a queda dos reinos terrenos e o estabelecimento do Reino do Messias Jesus.
Postado por Evangelista Flavio Schmidt
καὶ ἐξ ὧν ὁ Χριστὸς τὸ κατὰ σάρκα,
kai ex hon ho khri•stós to ka•tá sár•ka,
e de quem o Cristo segundo a carne,
ὁ ὢν ἐπὶ πάντων, θεὸς εὐλογητὸς εἰς τοὺς αἰῶνας, ἀμήν.
ho òn e•pì pán•ton, The•òs eu•lo•ge•tòs eis toùs ai•ó•nas; a•mén
aquele que é sobre todos, Deus bendito para sempre. Amém.
1934 “e dos quais, por descendência física, veio o Cristo. Deus, que é sobre todos, seja bendito por todas as eras! Amém.” – The Riverside New Testament, Boston e Nova Iorque.
1952 “e da sua raça, segundo a carne, é o Cristo. Deus, que é sobre todos, seja bendito para sempre. Amém.” – Revised Standard Version, Nova Iorque.
1961 “e deles, na descendência natural, procedeu o Messias. Que Deus, o supremo sobre todos, seja bendito para sempre! Amém.” – The New English Bible, Oxford e Cambridge, Inglaterra.
1963 “e de quem procedeu Cristo segundo a carne: Deus, que é sobre todos, seja bendito para sempre. Amém.” – Tradução do Novo Mundo das Escrituras Gregas Cristãs, Brooklyn, Nova Iorque.
1966 “e Cristo, como ser humano, pertence à sua raça. Que Deus, que governa sobre todos, seja louvado para sempre! Amém.” – Today’s English Version, American Bible Society, Nova Iorque.
1970 “e deles veio o Messias (falo de suas origens humanas). Bendito para sempre seja Deus, que é sobre todos! Amém.” – The New American Bible, Nova Iorque e Londres.
1982 “e deles é o Cristo segundo a carne. O Deus que está acima de tudo seja bendito pelos séculos! Amém.” – Bíblia Sagrada, Editora Vozes Ltda., Petrópolis, RJ.[1]
NTV, ABV e BLH usam fraseologia similar à das traduções acima.
Contudo, outras traduções vertem o texto em questão de modo a fazer o leitor concluir que o “Deus bendito para sempre” é o Senhor Jesus Cristo. Por exemplo, a versão Almeida Revista e Corrigida traduz esse texto assim: “Dos quais são os pais, e dos quais é Cristo, segundo a carne, o qual é sobre todos, Deus bendito eternamente. Amém!” Tais tradutores querem com isso encontrar apoio para poder afirmar a divindade de Jesus e a igualdade dele com seu Pai, o Soberano Senhor Jeová. Mas, vale ressaltar que essas duas características – divindade e igualdade – são atributos inteiramente diferentes e não forçosamente conciliáveis entre si. A palavra “divindade” é definida como “qualidade de divino”. (Michaelis) De fato, a Bíblia atesta a divindade de Cristo, atribuindo a ele o título Theós (Deus ou deus). (Is 9:6; Jo 1:1, 18) Em razão disso, as Testemunhas de Jeová reconhecem e aceitam abertamente a divindade de nosso Senhor Jesus Cristo.[2] No entanto, a divindade de Cristo não pressupõe a igualdade dele com seu Pai, Jeová.
Por exemplo, na Bíblia os anjos são chamados de ’elo•hím (Deus ou deuses) no Salmo 8:5 (veja a nota na versão Almeida Corrigida), pelo fato de serem “filhos de Deus” (Jó 1:6; 2:1, Al; hebraico: benéh ha•’Elo•hím) O Lexicon in Veteris Testamenti Libros (Léxico dos Livros do Velho Testamento), de Koehler e Baumgartner (1958, p. 134), diz: “seres divinos, deuses (individuais)”. (Apud obra Estudo Perspicaz das Escrituras, vol. 1, pp. 689-690, publicada pelas Testemunhas de Jeová.) Assim, biblicamente os anjos são seres divinos; possuem divindade. Mas, evidentemente, isso não os torna iguais a seu Pai Jeová em poder, autoridade e eternidade. Assim como o fato de um homem possuir humanidade por ser filho de outro homem não significa que esse filho seja igual ao seu pai humano em poder, autoridade e tempo de existência, do mesmo modo o fato de Jesus Cristo ser Filho de Deus – sendo, por isso, divino – não o torna igual a seu Pai celestial em poder, autoridade e eternidade.[3]
Mas, como Romanos 9:5 deve ser traduzido? De modo a identificar o Senhor Jesus Cristo com o “Deus bendito eternamente”, ou de forma a mostrar que o “Deus bendito eternamente” e Jesus Cristo são seres distintos? Isso é relevante doutrinalmente, ou é apenas uma questão de tradução? As evidências apontam inequivocamente como tradução correta a que distingue Jesus Cristo do “Deus bendito eternamente”. Serão apresentadas abaixo as razões para tal conclusão.
Há base bíblica e gramatical para que ὁ ὢν (ho òn, “aquele que é” [“o qual”, Al]) seja o começo duma nova sentença, ou cláusula independente, referindo-se a Deus e proferindo uma bênção sobre ele pelas provisões que fez.
1) O contexto mostra que o assunto que vinha sendo discorrido por Paulo finaliza com a expressão “o Cristo segundo a carne”.
Nos versículos 1-3 Paulo expressa seu pesar pelo fato de os judeus como um todo terem rejeitado a Cristo. Daí, no versículo 4, ele enumera os privilégios que lhes foram estendidos – “a adoção como filhos, e a glória, e os pactos, e a promulgação da Lei, e o serviço sagrado, e as promessas”, e o fato de terem antepassados ilustres, tementes a Deus – patriarcas como Abraão, Isaque e Jacó. Daí o versículo 5, na primeira parte, finaliza a descrição de tais privilégios com o maior privilégio que os judeus tiveram – Cristo ter sido um deles “segundo a carne” (segundo a linhagem humana). Em vista de tais provisões feitas por Deus aos judeus, Paulo inicia uma nova frase, proferindo uma bênção sobre Deus. De modo que a primeira sentença do versículo 5 – “de quem procedeu Cristo segundo a carne” – é gramaticalmente completa em si mesma, tem um tom terminante, e faz parte de um tema que vinha sendo considerado desde o versículo 1, mas não tem conexão alguma com a frase seguinte.[4] Assim, a frase seguinte deve corretamente rezar: “Deus, que é sobre todos, seja bendito para sempre. Amém.” – NM.
2) Encontramos um ponto após σάρκα [sár•ka; “carne”] em todos os mais antigos manuscritos que atestam neste caso, — a saber, os unciais[5] A (Códice Alexandrino, grego, quinto século), B (Ms. Vaticano 1209, gr., quarto séc. EC), C (Códice Ephraemi rescriptus, gr., quinto séc. EC), e em pelo menos 26 mss. cursivos, que também têm em geral um ponto depois de αἰῶνας [ai•ó•nas] ou ἀμήν [a•mén]. Isso é uma indicação adicional de que o que vinha sendo considerado nos versículos anteriores de Romanos, capítulo 9, termina na palavra “carne”. A sentença seguinte, pois, é uma expressão de louvor a “Deus, que é sobre todos”, e não diz respeito a Cristo.
3) Em Romanos 9:5, ὁ ὢν (ho òn, “aquele que é”) não se refere a Cristo, pois é separado de ὁ Χριστὸς (ho khri•stòs; “o Cristo”) por τὸ κατὰ σάρκα (tò ka•tà sár•ka, “segundo a carne”). Devido a isso, a leitura precisa ser seguida por uma pausa, — uma pausa que se prolonga pela ênfase especial dada a κατὰ σάρκα (ka•tà sár•ka) pelo το (to).[6] Observe isso na transcrição abaixo do texto grego dessa parte de Romanos 9:5:
ὁ Χριστὸς τὸ κατὰ σάρκα. ὁ ὢν
ho khri•stós to ka•tá sár•ka. Ho òn
o Cristo segundo a carne. Aquele que é
4) A expressão ὁ ὢν ἐπὶ πάντων (ho òn e•pì pán•ton, “aquele que é sobre todos”) só pode ser aplicada, em sentido absoluto, a Jeová, o Deus Todo-Poderoso. Efésios 4:6 declara que há “um só Deus e Pai de todos, o qual é sobre todos [ὁ ἐπὶ πάντων; ho epì pánton], e por intermédio de todos, e em todos”. Em sentido absoluto, o único que não tem um cabeça sobre si é Jeová. – 1Co 11:3; 15:28.
5) A expressão εὐλογητὸς εἰς τοὺς αἰῶνας (eu•lo•ge•tòs eis toùs ai•ó•nas, “bendito para sempre”) é aplicada na carta aos Romanos ao Deus Todo-Poderoso, distinto de Cristo. Em Romanos 1:7 e 8, Paulo usa expressões distintivas, tais como “da parte de Deus, nosso Pai, e do Senhor Jesus Cristo”; “agradeço a meu Deus, por intermédio de Jesus Cristo”, indicando que o Deus a quem Paulo adorava não era Jesus Cristo; e no versículo 25 Paulo descreve tal “Deus” como sendo ‘Aquele que criou, que é bendito para sempre’ (“que é bendito eternamente”, Als; ACRF) e finaliza com “Amém”. (τὸν κτίσαντα, ὅς ἐστιν εὐλογητὸς εἰς τοὺς αἰῶνας: ἀμήν; tòn ktísanta, hós estin eulogetòs eis toùs aiónas. Amén). Observe que a mesma expressão (“bendito para sempre”) é aplicada por Paulo ao Deus que é distinto do Filho, Jesus Cristo.
Também, 2 Coríntios 11:31 fala do “Deus e Pai do Senhor Jesus” como sendo “Aquele que há de ser louvado para sempre” (ὁ ὢν εὐλογητὸς εἰς τοὺς αἰῶνας; ho òn eulogetòs eis toùs aiónas; “que é eternamente bendito”, Als; “que é bendito para sempre”, BLH.)Por conseguinte, o contexto da Bíblia como um todo é determinante em apontar para Jeová, o Pai, como sendo o θεὸς εὐλογητὸς εἰς τοὺς αἰῶνας (The•òs eu•lo•ge•tòs eis toùs ai•ó•nas; “Deus bendito para sempre”).
6) A inserção do verbo “seja” é coerente com a tradução do grego antigo.
O predicativo εὐλογητός (eu•lo•ge•tós, “bendito”) ocorre depois do sujeito θεός (The•ós, “Deus”). O mesmo ocorre no Salmo 68:19 (Sal 67:19, LXX) Sobre a expressão “Bendito seja Jeová” (Hebr.: ba•rúkh ’Adho•naí), que inicia esse salmo, a versão LXXBagster verte assim: Ký•ri•os ho The•ós eu•lo•ge•tós, eu•lo•ge•tós Ký•ri•os; “Jeová Deus [seja] bendito, bendito [seja] Jeová”. (Este é um dos 134 lugares em que os soferins, ou escribas, judaicos alteraram o texto hebraico original de YHWH [transliteração das consoantes do nome divino] para ’Adho•naí, conforme Gins.Mas [7]) As traduções costumam inserir o verbo “seja” para dar sentido ao texto. De fato, o grego antigo usa uma linguagem elíptica, tornando necessário inserir palavras na tradução para outras línguas para dar o sentido ao texto. Como exemplo, temos a inserção, em Romanos 9:5, do verbo “procedeu” (“descende”, ALA, IBB; “é”, grifado para indicar inserção, na Al).
7) Há base para colocar θεός (The•ós, “Deus”) antes de ὁ ὢν ἐπὶ πάντων (ho òn e•pì pán•ton; “aquele que é sobre todos”).
G. B. Winer, na sua obra A Grammar of the Idiom of the New Testament (Gramática do Idioma do Novo Testamento; 7.º edição, Andover, EUA, 1897, p. 551), diz que “quando o sujeito constitui a noção principal, especialmente quando é antitético para com outro sujeito, o predicado pode e deve ser colocado depois dele, cf. [Sal 67:19 LXX]. E assim, em Rom. ix. 5, se as palavras ὁ ὢν ἐπὶ πάντων θεὸς εὐλογητὸς etc. [ho òn e•pì pán•ton The•òs eu•lo•ge•tòs etc.] se referem a Deus, a posição das palavras é bem apropriada e até mesmo indispensável.”[8]
A Catholic Dictionary admite: “Não existe razão alguma, na gramática ou no contexto, que nos proíba de traduzir: ‘Deus, que está acima de tudo, seja abençoado para sempre’. Amém.”[9]
8) Mesmo que Cristo fosse o “Deus” mencionado em Romanos 9:5, ainda assim, “Cristo não seria absolutamente igualado a Deus, mas apenas descrito como um ser de natureza divina, pois a palavra theós [Deus] está sem artigo. . . . A explicação muito mais provável é que essa declaração é uma doxologia dirigida a Deus.” – The New International Dictionary of the New Testament Theology (O Novo Dicionário Internacional de Teologia do Novo Testamento), Grand Rapids, Mich., EUA; 1976, traduzido do alemão (Vol. 2, p. 80), apud livro Raciocínios à Base das Escrituras (p. 411, § 2), publicado pelas Testemunhas de Jeová.
Assim, temos um conjunto repleto de evidências:
1) O contexto. – Ro 9:1-5.
2) O ponto após σάρκα: [sár•ka; “carne”] em todos os mais antigos mss. unciais (A, B, C) e em pelo menos 26 mss. cursivos.
3) A separação de ὁ Χριστὸς (ho khri•stós; “o Cristo”) de ὁ ὢν (ho òn, “aquele que é”) por τὸ κατὰ σάρκα [tò katà sárka; “segundo a carne”], mostrando que “aquele que é” não se refere a Cristo.
4) O fato de apenas Jeová, o Deus Todo-Poderoso, poder ser ὁ ὢν ἐπὶ πάντων (ho òn e•pí pán•ton, “aquele que é sobre todos”). – Ef 4:6; 1Co 11:3; 15:28.
5) O fato de Jeová ser identificado como o εὐλογητὸς εἰς τοὺς αἰῶνας (eu•lo•ge•tòs eis toùs ai•ó•nas, “bendito para sempre”). – Ro 1:7, 8, 25.
6) A inserção do verbo “seja” é coerente com a tradução do grego antigo. – Sal 68:19; Ro 9:5.
7) A colocação de θεός (The•ós, “Deus”) antes de ὁ ὢν ἐπὶ πάντων (ho òn e•pì pán•ton, “aquele que é sobre todos”) também é gramaticalmente correta.
8) O “Deus” mencionado em Romanos 9:5 está sem o artigo, impedindo até mesmo traduções trinitaristas de identificar Jesus com o Deus Todo-Poderoso.
Tudo isso constitui prova cumulativa irrefutável de que Romanos 9:5 não apoia a Trindade. Portanto, Romanos 9:5 atribui louvor e agradecimento a Deus. Este texto não identifica Jeová Deus com Jesus Cristo.
Explicação das siglas das traduções usadas:
ABV – A Bíblia Viva
Al – Almeida Revista e Corrigida
ALA – Almeida Revista e Atualizada no Brasil
Als – Almeida Revista e Corrigida, Almeida Atualizada e Almeida da Imprensa Bíblica do Brasil
BLH – Bíblia na Linguagem de Hoje
IBB – Almeida da Imprensa Bíblica Brasileira
LXX – Versão dos Setenta (Septuaginta)
LXXBagster – Septuaginta (com uma tradução em inglês do Sir Lancelot Brenton, S. Bagster & Sons, Londres, 1851).
NM – Tradução do Novo Mundo das Escrituras Gregas Cristãs
NTV – Novo Testamento Vivo
Contato: oapologistadaverdade@gmail.com
“Seol” e “Hades” na Bíbliahttps://afeexplicada.wordpress.com/2011/06/01/a-fe-sem-obras-e-morta/
A TORÁ DE YHWH ACABOU OU É ETERNA?A filha de Jairo estava morta ou moribunda?
Você ficou em dúvida sobre a inerrância das Escrituras quando percebeu que em um evangelho Jairo fala que sua filha está morta e em outros dois que ela estava moribunda. Afinal, quando ele procurou a ajuda de Jesus ela estava moribunda ou já tinha morrido? As duas respostas são corretas porque ela pode ter morrido enquanto ele falava com o Senhor e cada evangelista registrou um aspecto de sua conversa, ficando apenas para Marcos e Lucas incluírem a parte em que os mensageiros chegam vindos da casa de Jairo.
“Falava ele ainda quando um dos dirigentes da sinagoga chegou, ajoelhou-se diante dele e disse: ‘Minha filha acaba de morrer. Vem e impõe a tua mão sobre ela, e ela viverá’. (Mt 9:18, 35).
“Então chegou ali um dos dirigentes da sinagoga, chamado Jairo. Vendo Jesus, prostrou-se aos seus pés e lhe implorou insistentemente: ‘Minha filhinha está morrendo! Vem, por favor, e impõe as mãos sobre ela, para que seja curada e viva’. (…) Estando ele ainda falando, chegaram alguns do principal da sinagoga, a quem disseram: A tua filha está morta; para que enfadas mais o Mestre?” (Mc 5:22-23, 35 ).
“Então um homem chamado Jairo, dirigente da sinagoga, veio e prostrou-se aos pés de Jesus, implorando-lhe que fosse à sua casa porque sua única filha, de cerca de doze anos, estava à morte. (…) Estando ele ainda falando, chegou um dos do príncipe da sinagoga, dizendo: ‘A tua filha já está morta, não incomodes o Mestre’. (Lc 8:41-42, 49)
Já que em Marcos diz que Jairo implorava “insistentemente” é possível imaginar um processo repetitivo e contínuo de pedidos pela cura de sua filha moribunda. Então chegam os mensageiros e dão a mensagem da morte e seria natural que Jairo mudasse seu pedido de “está morrendo” para “está morta”. Talvez Marcos e Lucas tenham registrado esse pedido contínuo (“está morrendo”) enquanto Mateus tenha registrado apenas o pedido final de Jairo: “está morta”.
Você encontra outras situações assim em que os textos se complementam, como no caso da morte de Judas que, em Mateus 27:5 diz que “ele atirando para o templo as moedas de prata, retirou-se e foi-se enforcar” e em Atos 1:18 que “precipitando-se, rebentou pelo meio, e todas as suas entranhas se derramaram”. Deixando de lado a possibilidade de ele ter ido se enforcar e mudado de ideia no caminho e decidido saltar de um lugar alto, um detetive teria juntado os dois relatos e deduzido que Judas foi se enforcar de um lugar alto e a corda (ou o galho) pode ter se rompido e ele caiu de grande altura, derramando-do suas entranhas como acontece em quedas assim.
Se alguém disser que o meio-irmão de Saddam Hussein morreu enforcado e decapitado você poderia estranhar, mas a verdade é que ele era muito gordo e sua cabeça foi arrancada pelo peso do corpo durante o enforcamento. Assim ele foi enforcado e decapitado.
por Mario Persona
Mario Persona é palestrante e consultor de comunicação, marketing e desenvolvimento profissional (www.mariopersona.com.br). Não possui formação ou título eclesiástico e nem está ligado a alguma denominação religiosa, estando congregado desde 1981 somente ao Nome do Senhor Jesus. Esta mensagem originalmente não contém propaganda. Alguns sistemas de envio de email ou RSS costumam adicionar mensagens publicitárias que podem não expressar a opinião do autor.)
Postado por Mario Persona
A morte da alma imortal
Nestas semanas eu tenho escrito menos artigos porque estou fazendo uma revisão, correção e atualização completa em meu livro: “A Lenda da Imortalidade da Alma”, acrescentando algumas coisas e tirando outras. Por esta razão, passarei aqui apenas o conteúdo extra que foi adicionado ao livro, o que inclui um sub-tópico mais elaborado do que o antigo no que tange às provas bíblicas claras e diretas da morte da alma no Antigo e Novo Testamento. São literalmente centenas de citações, o que vocês lerão a partir de agora não passa de um pequeno resumo. Que os apologistas amadores defensores da “alma imortal” fundamentadores de interpretações patéticas baseadas em meia dúzia de passagens bíblicas isoladas e já há muito refutadas possam se divertir bastante.
Paz a todos vocês que estão em Cristo.
NO ANTIGO TESTAMENTO
A Bíblia relata a morte da alma tantas inúmeras vezes que eu tive que resumir citações condensadas aqui ao invés de passar uma a uma. O arsenal bíblico da morte da alma é tão significativo ao ponto de nenhum exegeta sério poder contestar que este é um fato. Ela não sobrevive a parte do corpo, mas, pelo contrário, morre com ele, pelo que não existe “alma vivente” sem o corpo com o fôlego de vida. Quando o fôlego de vida [espírito] é retirado, nós que somos almas viventes nos tornamos almas mortas. É por isso que a Bíblia fala tão frequentemente na morte da alma também.
No Antigo Testamento, os escritores bíblicos quase cansaram de falar que a alma morre. No texto original hebraico, a alma morria, era transpassada, podia ser morta, morria para esta vida e morria para a próxima, a alma morria a toda hora. Josué conseguiu o “feito” de exterminar muitas almas… (ver Josué 10:28 no original hebraico: “Ve’eth-maqqêdhâh lâkhadh yehoshua` bayyom hahu’ vayyakkehâlephiy-cherebh ve’eth-malkâh hecherim ‘othâm ve’eth-kâl-hannephesh ‘asher-bâh lo’ hish’iyr sâriydh vayya`as lemelekh maqqêdhâh ka’asher `âsâhlemelekh yeriycho”).
A tradução literal ficaria assim: “Naquele dia tomou Maquedá. Atacou a cidade e matou o rei a espada e exterminou toda a alma que nela vivia, sem deixar sobreviventes. E fez com o rei de Maquedá o que tinha feito com o rei de Jericó”. E não foi só essa vez que Josué conseguiu o feito extraordinário de matar não só o corpo, mas a alma também: em Josué 10:30, 31, 34, 36 e 38, a alma costumava morrer sempre. No original hebraico, Josué “matou a espada todas as almas” (cf. Js.10:30), e “exterminou toda a alma” (cf. Js.10:28). Definitivamente, se existia uma imortalidade da alma, então Josué deveria ganhar uma medalha de honra ao mérito por tais feitos.
Se alguém “matava uma alma acidentalmente”, podia fugir para uma cidade de refúgio (cf. Js.20:3). Era possível aniquilar uma alma sem intenção (cf. Js.20:9). A alma morria tantas vezes, que uma referência completa a todas as passagens nos faria superar os limites de escopo deste livro. É claro que a maioria das versões bíblicas a nossa disposição simplesmente não traduzem a palavra “alma” como colocada no original hebraico [nephesh] pelo simples fato de que isso seria uma afronta à teoria imortalista de que é só o corpo que morre e a alma não. Os personagens bíblicos não acreditavam que seria apenas o corpo que morreria, pois eles categoricamente afirmam: “Quem contará o pó de Jacó e o número da quarta parte de Israel? Que a minha alma morra da morte dos justos, e seja o meu fim como o seu” (cf. Nm.23:10).
Veja que ele não diz: “que meu corpo morra a morte dos justos”, o que presumivelmente seria a única coisa que os defesores da imortalidade da alma afirmariam. A própria alma não escaparia da morte, e essa era a tão forte convicção de toda a Bíblia. A esperança deles não era que as suas almas fossem imortais, mas sim que elas morressem as mortes dignas dos justos, isto é, com honra. Este seria o fim deles, e não um início de uma nova existência!
Tal convicção de que a alma também não escapa da morte pode ser encontrada mais inúmeras vezes: “Dai-me um sinal seguro de que salvareis meu pai, minha mãe, meus irmãos, minhas irmãs e todos os que lhe pertencem e livrareis as nossas vidas da morte” (cf. Js.2:13). Caso os israelitas atacassem Jericó, as “vidas” da família de Raabe seriam mortas. Poucos sabem, contudo, que o original hebraico verte novamente a morte da alma-nephesh ao invés de “vida” como é traduzido por muitas versões. A Versão King James é uma das versões que traduzem nesta passagem corretamente a morte da alma, como sendo o próprio término da vida, a cessação da existência.
Em Deuteronômio 19:11, a tradução em português assim reza: “Mas, se alguém odiar o seu próximo, ficar à espreita dele, atacá-lo e matá-lo, e fugir para uma dessas cidades…”. Contudo, o original hebraico traz novamente a morte da alma: “Vekhiy-yihyeh ‘iysh sonê’lerê`êhu ve’ârabh lo veqâm `âlâyv vehikkâhu nephesh vâmêth venâs’el-‘achath he`âriym hâ’êl”. “Matá-lo” aqui é a tradução do original hebraico que traz nephesh: matar a alma!
Em Jó 27:8, quando lemos que Deus eliminaria os ímpios, tirando a sua vida, o original traduz por “tira a alma” [nephesh]: “Pois, qual é a esperança do ímpio, quando é eliminado, quando Deus lhe tira a alma [nephesh]”? O fato bíblico é que “a alma que pecar, essa morrerá” (cf. Ez.18:4; Ez.18:21). Se Deus tivesse feito a alma imortal, teria dito a Ezequiel que “a alma que pecar viverá eternamente em estado desencarnado”; ou, então, diria que “a alma que pecar nunca morrerá”! Contudo, vemos que nem mesmo a alma está isenta da morte.
Os autores bíblicos usavam e abusavam da morte da alma. Outro fato interessante encontra-se no Salmo 49:8,9, que diz: “Pois o resgate da alma deles é caríssima, e cessará a tentativa para sempre, para que viva para sempre e não sofra decomposição” (cf. Sl.49:8,9). Se a alma fosse algo à parte do corpo que se desliga deste por ocasião da morte, então ela jamais poderia em circunstância alguma sofrer decomposição. O que deveria sofrer decomposição seria o corpo, somente, e não a alma. Contudo, o verso 8 faz menção a nephesh – alma!
A verdade é que no original hebraico a alma é explicitamente morta: “Para que nelas se acolha aquele que matar alguém [nephesh] involuntariamente” (cf. Nm.35:15). Evidentemente o hebraico nephesh [alma] nunca é traduzido na maior parte das versões pelo simples fato de que isso iria suscitar o questionamento de que a alma claramente morre com a morte do corpo. Por isso, traduzem até o “matar alguém”… e daí pulam imediatamente para o: “…involuntariamente”.
Não traduzem por “matar alguma alma”, pois desta forma é muito mais fácil enganar os leitores que não tem como descobrir usando apenas a linguagem disponível no texto em português se o verso verte a morte apenas do corpo ou também da alma. O que bem podemos observar, ao longo de toda a Bíblia, é que a alma morre tanto quanto o corpo (ou até mais), mas isso é escondido dos leitores pela maioria das traduções. Tais casos semelhantes ocorrem inúmeras vezes nas Escrituras.
Alguns, na tentativa de provar que a alma é imortal, argumentam usando o texto de 1ª Reis 17:20-22, que assim diz: “E estendendo-se três vezes sobre o menino, clamou ao Senhor, e disse: Ó Senhor meu Deus, rogo-Te que faças a alma deste menino tornar a entrar nele. E o Senhor atendeu à voz de Elias; e a alma do menino tornou a entrar nele, e reviveu” (cf. 1Rs.17:20-22). Mas, na realidade, tudo o que este texto nos mostra é que a alma do menino, que estava morta, voltou a ter vida – ele tornou-se novamente um ser vivente, uma alma vivente.
Colabora com isso também a variante linguística do texto, como observa o Dr. Samuelle Bacchiocchi: “Esta leitura, que se acha à margem da versão AV, apresenta uma construção linguística diferente. O que retorna às partes interiores é a respiração. A alma como tal nunca se liga a algum órgão ‘interior’ do corpo. O retorno da respiração às partes interiores resulta no reavivamento do corpo, ou, poderíamos dizer, faz com que se torne uma vez mais uma alma vivente” [“Immortality or Resurrection?”]
Aquele que matasse alguma alma deveria ficar sete dias fora do arraial: “Acampai-vos por sete dias fora do arraial; todos vós, tanto o que tiver matado alguma alma [nephesh], como o que tiver tocado algum morto” (cf. Nm.31:9). Se tais “exterminadores de alma” vivessem no século presente e vissem o que o conceito de “alma” se tornou após a adoção universal do conceito platônico para este termo, iriam ficar realmente assombrados em descobrir que mataram almas imortais!
A morte do corpo está sempre ligada à morte da alma porque o corpo é a forma visível da alma. Nós não temos uma alma presa dentro de nós que é liberta por ocasião da morte; nós somos essa “pessoa” que morre e que revive por ocasião da ressurreição (cf. Ap.20:4)! É por isso que, quando Josué conquistou as várias cidades além do Jordão, a Bíblia nos diz repetidas vezes que “ele destruiu totalmente toda alma [nephesh]” (cf. Js.10:28, 30, 31, 34, 36, 38). Definitivamente não haviam avisado Josué que no máximo o que ele matou foi somente um corpo!
Em Deuteronômio 11:9, lemos que “havendo alguém que aborrece o seu próximo, e lhe arma ciladas, e se levanta contra ele, e o fere de golpe mortal, e se acolhe a uma destas cidades…”. A frase “o fere de golpe mortal” é uma infeliz tradução do original hebraico que diz “fere a alma-nephesh mortalmente”. Jamais poderíamos imaginar que um cidadão iria com a sua espada transpassar tanto um indivíduo num combate ao ponto de matar até a alma “imortal” e imaterial que essa pessoa possui dentro dela! É nítido que a alma não era crido como sendo algo imaterial com imortalidade preso dentro de nós, o que também fica claro em Jeremias:
“Então disse eu: Ah, Senhor Deus! Verdadeiramente enganaste grandemente a este povo e a Jerusalém, dizendo: Tereis paz; pois a espada penetra-lhe até à alma” (cf. Je.4:10). Se a alma fosse algo imaterial, não poderia ser atingida por objeto algum material e nem ser penetrada! Uma entidade imortal e imaterial não pode ser ferida com espada ou algum outro instrumento; contudo, lemos que “vos estejam à mão cidades que vos sirvam de cidades de refúgio, para que ali se acolha o homicida que ferir a alguma alma [nephesh] por engano” (cf. Nm.35:11).
Aqui o “ferir” é propriamente a morte, porque o que a atinge é um homicida. Obviamente a morte do corpo é a morte da alma, pelo fato de que a alma não é um segmento imaterial que não pode ser atingido e nem destruído. Nenhum autor bíblico acreditava que existia uma alma imortal e imaterial presa dentro do nosso corpo, pois, se assim fosse, então a alma jamais e em circunstância alguma poderia ser morta e nem destruída em hipótese nenhuma!
Isaías fala a respeito de Jesus nessas palavras: “Por isso lhe darei a sua parte com os grandes, e com os fortes ele partilhará os despojos; porque derramou a sua alma até a morte, e foi contado com os transgressores. Contudo levou sobre si os pecados de muitos, e intercedeu pelos transgressores” (cf. Is.53:12). Comentando essa passagem, o Dr. Samuelle Bacchiocchi afirma: “’Ele derramou’ é versão do hebraico arah que significa ‘esvazia, desnudar, ou deixar a descoberto’. Isso significa que o Servo Sofredor esvaziou-Se de toda a vitalidade e força da alma. Na morte, a alma não mais funciona como o princípio animador da vida, mas descansa na sepultura” [“Immortality or Resurrection?”].
De qualquer forma, eles não insistiriam tanto na morte da alma, com os tradutores bíblicos na grande maioria dos casos traduzindo por “pessoa” ao invés de “alma-nephesh”, como deve ser traduzido, presumivelmente por causa de crerem que a alma é imortal e não pode ser morta, contrariando a Bíblia toda (cf. Nm.31:19; 35:15,30; Js.20:3, 9; Gn.37:21; Dt.19:6, 11; Je.40:14, 15; Jz.16:30; Nm.23:10; Ez.18:4; Ez.18:21). Em Números 31:19, lemos que a morte do corpo é a morte da alma:
“Acampai-vos sete dias fora do arraial; qualquer de vós que tiver matado alguma pessoa [nephesh] e qualquer que tiver tocado em algum morto, ao terceiro dia e ao sétimo dia, vos purificareis, tanto vós como os vossos cativos” (cf. Nm.31:19). O original novamente traz a morte da alma: “Ve’attem chanu michutslammachaneh shibh`ath yâmiym kol horêgh nephesh vekhol noghêa` bechâlâltithchathe’u bayyom hasheliyshiy ubhayyom hashebhiy`iy ‘attem ushebhiykhem”.
Qualquer erudito familiarizado com as Escrituras também irá se deparar repetidamente com a forte convicção bíblica de que, caso as pessoas morressem, as suas almas não escapariam da morte. Isso explica o porquê que, em tantos casos, vemos os salmistas agradecendo a Deus por ter livrado a alma deles da morte, prolongando os dias de vida deles, ou, então, dizendo que a sua alma morreria a morte dos justos:
“Porque tu livraste a minha alma da morte, os meus olhos das lágrimas, e os meus pés da queda” (cf. Sl.116:8).
“Para lhes livrar as almas da morte, e para os conservar vivos na fome” (cf. Sl.39:19)
“Pois tu livraste a minha alma da morte; não livrarás os meus pés da queda, para andar diante de Deus na luz dos viventes?” (cf. Sl.56:13)
“Quem contará o pó de Jacó e o número da quarta parte de Israel? Que a minha alma morra da morte dos justos, e seja o meu fim como o seu” (cf. Nm.23:10)
“E a sua alma se vai chegando à cova, e a sua vida aos que trazem a morte” (cf. Jó 33:22)
“Portanto guardareis o sábado, porque santo é para vós; aquele que o profanar certamente morrerá; porque qualquer que nele fizer alguma obra, aquela alma será eliminada do meio do seu povo” (cf. Êx.31:14)
“Preparou caminho à sua ira; não poupou as suas almas da morte, mas entregou à pestilência as suas vidas” (cf. Sl.78:50)
“E sucedeu que, importunando-o ela todos os dias com as suas palavras, e molestando-o, a sua alma se angustiou até a morte” (cf. Jz.16:16)
“Conspiração dos seus profetas há no meio dela, como um leão que ruge, que arrebata a presa; eles devoram as almas; tomam tesouros e coisas preciosas, multiplicam as suas viúvas no meio dela” (cf. Ez.22:25)
“E naquele mesmo dia tomou Josué a Maquedá, feriu-a a fio de espada, e destruiu o seu rei, a eles, e a toda a alma que nela havia; nada deixou de resto: e fez ao rei de Maquedá como fizera ao rei de Jericó” (cf. Js.10:28)
“Os seus príncipes no meio dela são como lobos que arrebatam a presa, para derramarem sangue, para destruírem as almas, para seguirem a avareza” (cf. Ez.22:27)
Estes são alguns exemplos de passagens nas quais não precisamos ir até o original hebraico para revelarmos que o original traz a palavra “alma”, pois as próprias versões em português (ou a maioria delas) já traduzem por “alma” nestes versos, traduzindo nephesh por alma como realmente deve ser, em um contexto onde ela é morta, ou destruída, ou eliminada, ou devorada! Vale lembrar sempre que existe uma outra grande maioria de passagens bíblicas relatando a morte e extermínio da alma, em que nephesh não foi traduzido por “alma” como corretamente deveria ser, mas o que restou a nós já é mais do que o suficiente para imputarmos a doutrina de que a alma não morre como algo completamente antibíblico.
Os escritores bíblicos jamais disseram que a alma é um elemento imaterial e imortal, mas sim algo bem material e que morre. Por tudo isso, não existe alma imortal; o fato de a alma morrer tanto provém de que uma “alma vivente” não significa uma “alma imortal”, mas simplesmente um “ser vivo”, sujeito a morte: “Eis que todas as almas são minhas; como a alma do pai, também a alma do filho é minha; a alma que pecar, essa morrerá” (cf. Ez.18:4).
O Dr. Bacchiocchi ainda acrescenta em seu livro sobre a “Imortalidade ou Ressurreição”:
“As pessoas tinham grande temor por suas almas [nephesh] (Jos. 9:24) quando outros estavam buscando suas almas [nephesh] (Êxo. 4:19; 1 Sam. 23:15). Eles tiveram que fugir por suas almas [nephesh] (2 Reis 7:7) ou defender suas almas [nephesh] (Est. 8:11); se não o fizessem, suas almas [nephesh] seriam totalmente destruídas (Jos. 10:28, 30, 32, 35, 37, 39). “A alma que pecar, essa morrerá” (Eze. 18:4, 20). Raabe pediu aos dois espias israelitas que salvassem sua família falando em termos de “livrareis as nossas vidas [almas-VKJ] da morte” (Jos. 2:13)”
Sumariando, vemos que, biblicamente, a alma morre (cf. Ez.18:4), perece (cf. Mt.10:28), é destruída (cf. Ez.22:27), não é poupada da morte (cf. Sl.78:50), é completamente eliminada (cf. Êx.31:14), desce à cova na morte (cf. Jó 33:22), revive na ressurreição [porque estava morta antes disso] (cf. Ap.20:4), é totalmente destruída (cf. Js.10:28), é derramada na morte (Is.53:12), é penetrada pelo fio da espada (cf. Je.4:10), é passível de sofrer decompisição [na sepultura] (cf. Sl.49:8,9), “repousa” na morte (cf. Sl.25:13), é sufocada (cf. Jó 31:39,40), é devorada (cf. Ez.22:25), pode ser assassinada (cf. Nm.35:11) e exterminada (cf. At.3:23).
Que a alma não é e nem nunca foi imortal, isso também fica evidente pelo fato de que, em mais de 1600 citações em que aparece “alma” na Bíblia, em nenhuma delas é seguida do termo “eterno” [aionios] ou “imortal” [athanatos], o que obviamente seria feito caso a alma fosse eterna ou imortal. Porém, isso nunca ocorre nas Escrituras, que preferem insistir constantemente em dizer que a alma morre, é destruída, exterminada e aniquilada (cf. Nm.31:19; 35:15,30; 23:10; Js.20:3,9; Js.20:3,28; Gn.37:21; Dt.19:6, 11; Je.40:14,15; Jz.16:30; 16:30; Ez.18:4,21; 22:25,27; Jó 11:20; At.3:23; Tg.5:20, etc).
A Bíblia usa e abusa de todos os termos genéricos para a morte da alma. Junte isso ao fato que vimos acima, de que nunca algum escritor bíblico fez qualquer questão de dizer que a alma seria ‘eterna’ ou ‘imortal’ (em mais de 1600 citações), porque eles sabiam bem que a alma morre com a morte do corpo. Ou seja: temos centenas de centenas de citações mostrando explicitamente e expressamente a morte da alma, mas nenhuma que de forma direta afirme que a alma é “imortal” (athanatos) ou “eterna” (aionios)! Isso vai frontalmente contra o dualismo grego que divulgava a imortalidade da alma amplamente e nunca ousava dizer que a alma podia ser morta, o que seria uma completa afronta para os gregos dualistas, um verdadeiro escândalo para eles.
Se a alma de fato fosse imortal, o que deveríamos esperar seria uma “enchente” de citações bíblicas falando sobre a “alma eterna”, a “alma imortal”, a “imortalidade da alma”, etc. O próprio fato de a Bíblia insistir tanto na morte da alma ao invés de promover a imortalidade desta é suficientemente incontestável a fim de desqualificarmos inteiramente esta doutrina por não possuir um mínimo de respaldo teológico sério. Crer que a alma é imortal é estar com os olhos “vendados” (cf. 2Co.4:4) a luz de todas as evidências.
NO NOVO TESTAMENTO
O Novo Testamento confirma, mantém e amplia a crença bíblica de que a alma morre. Jesus nos contou sobre aquele que pode destruir o corpo e a alma (cf. Mt.10:28), Tiago nos diz que a alma está sujeita à morte (cf. Tg.5:20) e Pedro declara que ela pode ser exterminada:
“E acontecerá que toda a alma que não escutar esse profeta será exterminada dentre o povo” (cf. Atos 3:23)
Neste texto a palavra usada para o extermínio da alma é exolothreuo, que, de acordo com o léxico de Strong, significa “derrubar do seu lugar, destruir completamente, extirpar” (Concordância de Strong, 1842). Não tem qualquer relação com um prosseguimento eterno e ininterrupto de vida consciente, mas diz respeito a um extermínio, uma completa cessação de existência. A palavra grega exolothreuo denota o completo extermínio da alma. Embora os escritores bíblicos tivessem a completa decisão de escolha entre respaldar a morte do “corpo” ou da “pessoa”, duas palavras disponíveis tanto no grego como no hebraico, eles insistem na morte e extermínio da alma [nephesh/hebraico – psiquê/grego].
Paulo também afirma, no auge da tempestade de Atos 27, que “nenhuma vida se perderá” (cf. At.27:22). O “perder-se” aqui referido é claramente relacionado com a cessação de vida, a morte na qual passaria aquelas pessoas em caso que o navio se afundasse. Poucas pessoas sabem, contudo, que o original grego traz “alma-psiquê” novamente: “kai abs=ta abs=nun t=tanun parainô umas euthumein apobolê gar psuchês oudemia estai ex umôn plên tou ploiou”. Em outras palavras, eles teriam as suas próprias almas mortas.
O apóstolo Paulo usou a palavra para alma-psiquê apenas treze vezes em seus escritos (de 1600 em que aparece na Bíblia). A razão mais razoável para isso é que ele não queria dar entender aos seus leitores um sentido equívoco daquilo que seria a “alma”, em direto contraste com o pensamento platônico que a divulgava amplamente. Por isso mesmo, ele jamais se utilizou do termo “alma-psichê” para denotar a vida que sobrevive à morte. Pelo contrário, relata que “é semeado um corpo natural [psychikon] e ressuscita um corpo espiritual. Se há corpo natural [psychikon], há também corpo espiritual” (cf. 1Co.15:44).
Aqui ele se utiliza de um derivado de alma-psyche a fim de denotar a natureza do corpo natural que está sujeito à morte [e consequente ressurreição], e não a algum elemento imaterial ou imortal. “Corpo natural” aqui é a tradução do grego que diz: “soma psuchikos”, que literalmente significa: “corpo psíquico” (psiquê significa alma). Alma-psiquê, portanto, está relacionada a um corpo natural que morre e que ressuscita, e não a um elemento imaterial, intangível e imortal desassociado do corpo natural e mortal.
Os manuscritos originais da Bíblia (AT/hebraico; NT/grego) sempre insistem que a alma não é uma parte divisível do corpo ou algum potencial imaterial presente na natureza humana trazendo consigo imortalidade, mas sim a própria pessoa como um ser vivo, como uma alma vivente. Paulo e Barnabé eram “homens que têm arriscado a vida [psiquê] pelo nome de nosso Senhor Jesus Cristo” (cf. At.15:26), porque a alma-psiquê também morre. Por isso, ela também é colocada em risco de acordo com os perigos em determinada localidade. Eles colocaram a própria alma em risco por amor a Cristo, porque a alma também pode ser morta. Se assim não fosse, eles estariam arriscando apenas o corpo mortal, e não a alma, pois esta supostamente seria imortal e inatingível a qualquer perigo de vida.
Em Mateus 2:20, é nos dito que já morreram os que buscavam a alma-psiquê do menino Jesus:
“Levanta-te, toma a criancinha e sua mãe, e vai para a terra de Israel, porque já morreram os que buscavam a alma da criancinha” (cf. Mateus 2:20)
No grego:
“legôn egertheis paralabe to paidion kai tên mêtera autou kai poreuou eis gên israêl tethnêkasin gar oi zêtountes tên psuchên tou paidiou”
O termo “buscar a alma”, diante do contexto, tem clara ligação com buscar a morte daquela criança, que era o objetivo de Herodes: matar o menino Jesus. Ocorre que o evangelista Mateus, ao invés de dizer que eles matariam apenas o corpo, emprega novamente o termo “alma-psiquê”, pois a morte seria total: corpo e alma. Jesus disse em Mateus 16:25 que “todo aquele que quiser salvar a sua alma [psiquê], perdê-la-á; mas todo aquele que perder a sua alma [psiquê] por minha causa, achá-la-á”.
O termo “perder a alma” aqui diz respeito ao martírio que todos os discípulos de Cristo passaram. Eles “perderam a alma”, isto é, tiveram um fim nesta vida pelas mãos de homens cruéis, visando “ganhá-la” num momento futuro, na ressurreição dos mortos. Mais uma vez, a morte não está relacionada ao corpo de modo estrito, mas também à psiquê: alma! Outra clara referência neotestamentária sobre a morte da alma está em Marcos 3:4, quando Cristo diz:
“A seguir, disse-lhes: ‘É lícito, no sábado, fazer uma boa ação ou fazer uma má ação, salvar ou matar uma alma?” (cf. Marcos 3:4)
No grego:
“kai legei autois exestin tois sabbasin a=agathon a=poiêsai tsb=agathopoiêsai ê kakopoiêsai psuchên sôsai ê apokteinai oi de esiôpôn”
De acordo com a Concordância de Strong, a palavra grega apokteino significa:
615 αποκτεινω apokteino
de 575 e kteino (matar); v
1) matar o que seja de toda e qualquer maneira.
1a) destruir, deixar perecer.
Portanto, apokteino psiquê denota a morte completa da alma, e não uma “imortalidade natural” dela. Pedro, ao dizer que morreria por Cristo, chegou a dizer:
“Senhor, por que é que não te posso seguir atualmente? Entregarei a minha alma em benefício de ti!” (cf. João 13:37)
No grego:
“legei autô ats=o petros kurie ab=dia ab=ti ts=diati ou dunamai soi akolouthêsai arti tên psuchên mou uper sou thêsô”
Pedro estava simplesmente dizendo que estava disposto a morrer por Cristo, e para isso diz que entregaria a sua psiquê por amor do Mestre, isto é, estaria disposto a entregar a sua própria alma à morte em benefício de Cristo. Ele não cria que no máximo entregaria um corpo para morrer, mas a alma. Ele não via a alma como um elemento imaterial e imortal, mas como algo tão fadado à morte quanto o próprio corpo. E o mesmo pode ser dito com relação ao Filho do homem, que daria a sua alma-psiquê como resgate em troca de muitos:
“Assim como o Filho do homem não veio para que se lhe ministrasse, mas para ministrar e dar a sua alma como resgate em troca de muitos” (cf. Mateus 20:28)
No grego:
“ôsper o uios tou anthrôpou ouk êlthen diakonêthênai alla diakonêsai kai dounai tên psuchên autou lutron anti pollôn”
“Eu sou o pastor excelente; o pastor excelente entrega a sua alma em benefício das ovelhas” (cf. João 10:11)
No grego:
“egô eimi o poimên o kalos o poimên o kalos tên psuchên autou tithêsin uper tôn probatôn”
“Ninguém tem maior amor do que este, que alguém entregue a sua alma a favor de seus amigos” (cf. João 15:13)
No grego:
“meizona tautês agapên oudeis echei ina tis tên psuchên autou thê uper tôn philôn autou”
“Dar a sua alma” nada mais é do que entregar a sua própria vida à morte, em favor da humanidade. Psiquê mais uma vez não é vista como algo imortal, mas algo sujeito à morte, como o corpo. Finalmente, em Apocalipse 20:4 é nos dito que as almas dos que foram degolados por causa do testemunho de Jesus reviveram. Se elas “reviveram”, é porque estavam mortas antes disso:
“E vi tronos; e assentaram-se sobre eles, e foi-lhes dado o poder de julgar; e vi as almas daqueles que foram degolados pelo testemunho de Jesus, e pela palavra de Deus, e que não adoraram a besta, nem a sua imagem, e não receberam o sinal em suas testas nem em suas mãos; e reviveram, e reinaram com Cristo durante mil anos” (cf. Apocalipse 20:4)
Neste contexto em que as almas revivem, não aparece corpo-soma na passagem, mas apenas a referência às almas-psiquê que João viu em sua visão ganharem vida novamente no ato da ressurreição. Dizer que aquilo que reviveu foi somente o corpo é entrar em gritante contradição com o texto bíblico, que em momento nenhum fala de corpos. O texto não diz: “as almas daqueles corpos que foram degolados”, mas sim “as almas daqueles que foram degolados”. Foram “as almas daqueles que foram degolados” que reviveram, e não “os corpos daqueles que foram degolados”.
Dizer que o “daqueles” está associado ao corpo (que nem sequer aparece no texto) e não ao referencial direto (“almas”) é no mínimo querer ferir a exegese e amputar as regras de interpretação textual. “Daqueles” é uma referência clara ao referencial mais direto, ou seja, “as almas”. Um exemplo prático para elucidar a questão: se eu dissesse que “a gasolina daqueles carros que pararam de funcionar foi recolocada”, o que é que foi recolocado? A gasolina ou os carros? Óbvio: a gasolina. É a gasolina daqueles carros, e não os próprios carros. Em Apocalipse 20:4 é exatamente a mesma estrutura textual que aparece. Vemos que as almas daqueles mártires reviveram. O que reviveu? A resposta também é óbvia: as almas daqueles que foram degolados!
Além disso, o original grego traz o artigo definido, que no grego é “των” (ho), e que é traduzido na maioria das versões por “daqueles”:
“kai eidon thronous kai ekathisan ep autous kai krima edothê autois kai tas psuchas tôn pepelekismenôn dia tên marturian iêsou kai dia ton logon tou theou kai oitines ou prosekunêsan a=to tsb=tô a=thêrion tsb=thêriô a=oude tsb=oute tên eikona autou kai ouk”
De acordo com o léxico da Concordância de Strong, significa:
3588 ο ho que inclui o feminino η he, e o neutro το to
em todos as suas inflexões, o artigo definido; artigo
1) este, aquela, estes, etc.
Exceto “o” ou “a”, apenas casos especiais são levados em consideração.
Este artigo inclui o feminino e também o neutro, o que mostra que está apenas reiterando que o sujeito é mesmo as almas, e não algum outro. “Corpo-soma” é masculino, e não feminino; ademais, nunca que o artigo definido ho toma o lugar de sujeito da frase, ele apenas é um artigo definido que confirma o sujeito da frase, não é utilizado para fazer uma distinção das “almas”, mas é um prosseguimento do relato delas, ainda com elas (as almas) sendo o sujeito único da frase. Portanto, em momento nenhum a referência e o sujeito da frase deixa de ser “as almas”, o que nos mostra que:
• Almas são decapitadas (morrem)
• Almas revivem na ressurreição
Por tudo isso, vemos que o Catecismo Católico que afirma que “a alma não perece com a morte do corpo” mostra uma total carência de conhecimento e discernimento bíblico. Isso explica o porquê do “problema da Bíblia” como já foi aqui exposto; e, de fato, até hoje a grande maioria das traduções continuam omitindo dos seus leitores a morte da alma com a morte do corpo. Mas, fazer o que: essa é a única maneira de “salvar” a doutrina de que a alma não morre e está viva em algum lugar, escondendo e omitindo dos seus leitores a verdade bíblica da morte da alma, o que exterminaria com um império de cegueira espiritual que tenta monopolizar a opinião escondendo a verdade dos olhos do povo, perpetuando estes enganos através das tradições humanas.
Por Cristo e por Seu Reino,
Lucas Banzoli.
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Escrito por: Lucas Banzoli às 23:17
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Marcadores: Estado Intermediário, Imortalidade da Alma
Por que a mentira? (Gn.3:4)
Que a imortalidade da alma é uma falsa doutrina, confusa e impossível de ser pregada sem recorrer a falácias e a argumentos falidos e já há muito refutados, isso já ficou provado inúmeras vezes aqui, cujas matérias estão em sua totalidade presentes em meu blog “Desvendando a Lenda”. A questão, agora, não será provar mais uma vez que a imortalidade da alma é uma heresia (o que já está mais do que provado), mas sim mostrar o porquê que o diabo criou essa heresia. Em outras palavras, a pergunta que irei refletir ao longo deste artigo é simplesmente esta: “Qual é o objetivo de Satanás em pregar tal mentira”?
Ora, sabemos Satanás continua usando dos mais variados meios a fim de perpetuar a primeira mentira, pois isso é um forte meio de desviar as pessoas da sinceridade e pureza devidas a Cristo. Por meio da crença da sobrevivência da alma na morte, inúmeras religiões do mundo terminam cursando os mais variados meios de consulta aos mortos em desobediência à Palavra de Deus.
Existem religiões que tem como base a doutrina da sobrevivência da alma em um estado intermediário. Caso essa doutrina esteja errada, a religião termina. O culto aos mortos no catolicismo é um bom exemplo disso, uma vez que Cristo deixou claro que “só ao Senhor teu Deus darás culto” (cf. Mt.4:10) e que “há um só Deus e um só mediador entre Deus e os homens, Cristo Jesus” (cf. 1Tm.2:5).
Satanás usa das mais variadas maneiras para deturpar a Palavra de Deus e perpetuar a primeira mentira, da imortalidade da alma, a fim de que o que Paulo mais temia acontecesse: “Pois, assim como Eva foi enganada pelas mentiras da cobra, eu tenho medo de que a mente de vocês seja corrompida e vocês abandonem a devoção pura e sincera a Cristo” (cf. 2Co.11:3). A imortalidade da alma foi a doutrina que Satanás encontrou uma “brecha” a fim de que o evangelho fosse sutilmente modificado por meio de homens que “introduziram secretamente heresias destruidoras, chegando a negar o Soberano que os resgatou, trazendo sobre si mesmos repentina destruição” (cf. 2Pe.2:1).
O culto aos mortos é um bom exemplo de um meio que a Serpente continua utilizando a fim de desviar o cristão do evangelho puro e genuíno somente a Cristo. Quando o evangelho deixa de ser Cristocêntrico, a missão de Satanás está completa. E qual é o meio que ele usa para perpetuar tais enganos? Claro, a mesma mentira pregada à Eva no Jardim: “…certamente não morrereis” (cf. Gn.3:4).
O que Satanás ensina, na verdade, é bem simples. Ele diz que o nosso “verdadeiro eu”, a nossa “alma eterna”, não morre. De modo que, se não formos tão bons, “a reza resolve tudo”! Tal visão de imortalidade inerente que Satanás ensina é bem mais simples do que o que Deus quer que creiamos: que “a alma que pecar, essa morrerá” (cf. Ez.18:4), porque a consequência do pecado seria “moth tâmuth” – “morrendo, morrereis” (cf. Gn.2:17). Todas as práticas de culto aos mortos, de intercessão de santos já falecidos, de invocação ou comunicação com os mortos ou de qualquer coisa do gênero, que quase sempre geram idolatria e apego no coração dos homens àquilo que já morreu ao invés de se focar Naquele que está vivo (Jesus), tem como base e fundamento a crença na imortalidade da alma.
No espiritismo, então, a coisa complica ainda mais. A consulta aos mortos, que existe de maneira “mascarada” no catolicismo mediante a oração que é um claro meio de comunicação, é “desmascarada” no espiritismo que abertamente declara isso convictamente. A própria crença na reencarnação, que é crida não somente por espíritas mas também por muitos outros grupos panteístas (como o budismo e o hinduísmo) também tem por base a crença que a alma sobrevive consciente após a morte. Afinal, se a alma não sobrevive, não há como reencarnar.
A Bíblia afirma categoricamente que “entre ti não se achará quem faça passar pelo fogo a seu filho ou a sua filha, nem adivinhador, nem prognosticador, nem agoureiro, nem feiticeiro; nem encantador, nem quem consulte a um espírito adivinhador, nem mágico, nem quem consulte os mortos; pois todo aquele que faz tal coisa é abominação ao Senhor; e por estas abominações o Senhor teu Deus os lança fora de diante de ti” (cf. Dt.18:9-12). Afinal, “a favor dos vivos consultar-se-ão os mortos?” (cf. Is.8:19). Não!
Deus sabe muito bem dessa impossibilidade de comunicação dos mortos com os vivos, e foi por isso o Senhor proibiu o seu povo israelita de tentar tal “comunicação”, a fim de que não fossem enganados por espíritos demoníacos (cf. Lv.19:31; 20:6; 1Sm.28:7-25; Is.8:19; 1Tm.4:1; Ap.16:14), dada a devida impossibilidade de comunicação com os que já morreram (cf. Gn.2:7; Sl.13:3; Ec.9:5,6; Ec.9:10; Sl.146:4; Sl.6:5; Sl.115:17; Sl. 13:3; Jó 14:11,12; Sl.30:9; Is.38:18; Is.28:19; Sl.94:17). Dada tal impossibilidade, quem se apresenta no “além” para se comunicar com os vivos são os espíritos dos demônios, e se aproveitando, é claro, da mentira da imortalidade da alma.
Tudo isso poderia ser perfeitamente removido e o evangelho restaurado caso fosse realizado um exame apurado das Escrituras, analisando um conteúdo total e não se apegando cegamente a um texto ou outro descontextualizado tomando tais textos isolados como regra de doutrina. Mas, como Jesus disse em Mateus 28:20 para ensinarmos tudo, também precisamos revelar às pessoas o que realmente acontece depois da morte, pois isso nos faria voltar ao evangelho Cristocêntrico tão abandonado por consequência da primeira mentira.
Imagine um mundo onde todos creem conforme a Bíblia diz: que a alma que pecar, essa morrerá (cf. Ez.18:4). Imagine um mundo onde a mentira de que “certamente não morrerás” não engana mais ninguém. Imagine um mundo onde todos creem que a ressurreição é o caminho para uma nova vida no retorno à existência. Ou seja: imagine o mundo todo seguindo os padrões bíblicos. No que isso implicaria? Isso implicaria na completa inexistência da idolatria no mundo, visto que grande parte dela subsiste com base na crença que “espíritos” ou “almas” subsistem após a morte e são dignos de serem consultados, venerados, cultuados ou adorados.
Isso implicaria na completa inexistência de todos os falsos sistemas religiosos que tem por base a crença que a alma é imortal, o que inclui espiritismo, catolicismo, budismo, hinduísmo, religiões panteístas, politeístas e pagãs, que tem como fundamento a crença da transmigração das almas, da reencarnação, da evocação dos mortos, da intercessão dos falecidos, da veneração e culto aos defuntos. Isso implicaria também em um mundo mais Cristocêntrico, isto é, um mundo onde Aquele que vive é o único digno de toda a glória, toda a honra, toda a majestade e todo o louvor, pois é aquele que venceu a morte e ressuscitou, Cristo Jesus.
Todas as orações e todo o culto em todo o mundo seriam voltados e dirigidos unicamente Àquele que era, que é e que há de vir. Todas as nações seriam felizes e haveria paz no mundo, pois “feliz é a nação cujo Deus é o Senhor” (cf. Sl.33:12). Todos os nossos atos de adoração seriam sempre voltados por Ele e para Ele. Você poderia pensar: “Este é um mundo utópico, imaginário, impossível de ser verdade um dia”. Mas seria isso tão somente o reflexo de um mundo onde a primeira mentira implantada pela serpente já não teria mais lugar, e as suas consequências também não. O único que fica feliz da vida em ver o povo continuar crendo e propagando a heresia de que a alma é imortal é o diabo que inventou essa mentira, pois é por meio dela que ele sempre enganou e continua cegando bilhões de pessoas em todo o planeta.
A imortalidade da alma é a carta “coringa” de Satanás. É por meio dela que tantas pessoas desviam o foco e a atenção que deveriam ser direcionadas a Deus. Sem essa carta na manga, dificilmente o Inimigo conseguiria desenvolver outros métodos para desviar a devoção pura e sincera somente a Cristo. Por outro lado, o exame sincero e honesto das Escrituras nos faria desmantelar sistemas religiosos totalmente baseados na crença em uma alma imortal. Isso faria voltar ao evangelho puro e sincero de devoção somente a um homem, aquele que mesmo tendo morrido ainda vive, e por isso pode interceder por nós – Cristo: “Portanto, ele é capaz de salvar definitivamente aqueles que, por meio dele, aproximam-se de Deus, pois vive sempre para interceder por eles” (cf. Hebreus 7:25).
Resumindo este ponto, o que devemos ter em mente é que toda falsa doutrina criada por Satanás tem algum objetivo por detrás dela, e este objetivo nunca é levar o cristão mais perto de Cristo e da devoção única a Ele, mas sempre reside em desviar as pessoas da devoção única ao Senhor (cf. 2Co.11:3). Seria muito estranho que o diabo quisesse “inventar a mentira da mortalidade da alma”, uma vez sendo que isso apenas serviria para destruir por completo com todos os enganos existentes nos mais diversos sistemas religiosos falsos que existem no mundo, e que se baseiam na crença em uma alma imortal.
Em outras palavras, o diabo não ganharia nada pregando a mortalidade da alma; ao contrário, apenas perderia o seu império de engano e o veria caindo às ruínas. Teria que inventar outras mentiras que substituíssem a crença em uma alma imortal para conseguir conduzir novamente o povo à perdição. Não faz qualquer sentido a mortalidade da alma ser uma “heresia”, pois heresia é algo criado por Satanás com uma finalidade que de alguma forma consiste em poder desviar o cristão de Cristo. Quem é que vai “se desviar de Cristo” por crer que a vida termina na morte e recomeça na ressurreição? Ninguém. Ao contrário, iria apenas reforçar a importância do papel da ressurreição dentro da comunidade cristã. Iria fazer-nos retornar aos primórdios da fé, aos tempos em que a ressurreição era a maior esperança dos cristãos (cf. At.24:15; 26:6; 28:20; 23:6; 26:7).
Mas seria totalmente lógico que ele implantasse a mentira da imortalidade da alma e assim conseguisse enganar cada vez mais pessoas através dela, como de fato engana, pois a imortalidade da alma sim tem o poder de desviar o cristão de Cristo, de criar falsos sistemas religiosos em torno dela, de servir como base para a perda de um evangelho Cristocêntrico para colocar o foco nos mortos, para dar plausibilidade às crenças na transmigração e reencarnação das almas, evocação e consulta aos espíritos, oração e intercessão dos mortos e pelos mortos, culto e veneração àqueles que já morreram, e por aí vai.
Por isso que foi a primeira mentira implantada pela serpente no Jardim (cf. Gn.3:4). Note que Satanás não perdeu tempo em implantar essa mentira no mundo. Ela não foi a terceira, nem a quarta mentira inventada. Não foi inventada depois de muitos séculos, foi a primeira, foi a que serviu como ponto de partida para todas as demais mentiras que vimos acima.
Por tudo isso, eu concordo plenamente com a colocação verdadeira feita pelo professor Sikberto sobre isso: “A imortalidade da alma é a base doutrinária da rebelião de Lúcifer, e o fundamento das demais mentiras. Sempre que ele entra em ação em uma situação nova, a primeira coisa que tenta fazer crer é que a alma não morre. E sabe por quê? Pelo fato de que assim é mais fácil crer nas demais mentiras dele” [“A História da Adoração”].
Paz a todos vocês que estão em Cristo.
Por Cristo e por Seu Reino,
Lucas Banzoli.
A LEI E OS PROFETAS “DURARAM” ATÉ JOÃO
(Reflexão)
Vítor Quinta
Maio 2011
O versículo que está em Lucas 16:16 tem induzido em erro muitos que buscam conhecer a Palavra de Deus mas que não têm o discernimento nem a diligência de comparar esse versículo com outras passagens que a contradizem frontalmente. E contradizem porquê, se a Palavra de Deus não se contradiz?
Contradiz-se porque a mão (e intenção) do tradutor torceu aquela passagem ao acrescentar a palavra “duraram”, não porque ela estivesse escrita nos textos originais, mas porque entendeu que fazia mais sentido com aquele aditamento, o que denuncia a crença de alguém era contrário à Lei/Torá de Deus. Vamos procurar analisar melhor.
Desde logo, quando encontramos nas nossas Bíblias algumas passagens com textos em itálico é porque estamos perante alguma palavra que o tradutor acrescentou para dar melhor sentido ao texto… na opinião desse tradutor. No entanto, acrescentar ou retirar algo à Palavra de Deus é condenado pelo próprio Senhor YHWH que nos diz em:
Deuteronómio 4:2 e 12:32 – “Não acrescentareis à palavra que vos mando, nem diminuireis dela, para que guardeis os mandamentos de YHWH vosso Deus, que eu vos mando… Tudo o que eu te ordeno, observarás para fazer; nada lhe acrescentarás nem diminuirás”.
Porém, o homem tem-se esquecido deste e de outros preceitos de Deus.
O versículo 16 não nos diz que a autoridade da Lei/Torá e dos profetas existiram até ao momento em que apareceu em cena o “anjo” que preparou o caminho do Cordeiro: João, o Batista. Pelo contrário, diz-nos que “até João existiram a Lei e os profetas” para anunciarem a vinda do Reino de Deus, dando a sua visão profética do que estava para vir. Porém, em aditamento a estes testemunhos antigos, veio João, o Batista, e depois Yeshua e os Seus apóstolos, para anunciarem a proximidade do Reino ou, até, que o Reino de Deus já estava entre nós: ver verso 31; João 5:46; Romanos 3:21, como também nos é dito em Mateus 3:1-2 por João, e depois por Yeshua em Mateus 4:17; Marcos 1:15, tendo como resultado que todos fazem força para entrar no Reino dos céus: Mateus 11:12. Se na realidade a Lei/Torá e os profetas tivessem vigorado só até João, o Batista, onde caberiam então os ensinamentos de Yeshua e dos Seus apóstolos que são, todos eles, posteriores a João, o Batista e que se baseiam na Lei/Torá? Como se vê é fácil desmontar este erro.
Na realidade, a passagem de Lucas 16:16 deveria antes dizer “A Lei e os profetas profetizaram acerca de João”, o que é mais consentâneo com os textos originais. E, para que não restem dúvidas, estudemos os seguintes exemplos:
• A fé não veio abolir qualquer parte da Lei/Torá ou mesmo o seu todo: Mateus 5:17-20; 7:12; Tiago 2:10; Romanos 2:13.
• Na parábola do trigo e do joio (Mateus 13:37-43), Yeshua manifesta a condenação dos que violam a Lei/Torá de YHWH (os que cometem iniquidade ou “Anomia”, termo que é por Ele usado com frequência: e.g. Mateus 23:27-28 e 24:11-13).
• Guardar a Lei/Torá é parte integrante da fé que conduzirá o crente à vida eterna: Salmo 19:7-11; Mateus 19:17; Apocalipse 12:17; 14:12; 22:14.
• O crente permanece debaixo do amor de Yeshua se guardar os preceitos da Lei/Torá: João 14:15-23, da mesma forma que Ele permaneceu no amor do Pai por guardar toda a Sua vontade, a Sua Lei/Torá: João 15:9-10; Hebreus 2:17-18 (como fiel Sumo-Sacerdote); 4:15; 8:10; 10:16.
• A fé no Salvador Yeshua não nos liberta de guardarmos os preceitos da Lei/Torá (que Ele também guardou em obediência ao Pai), antes a estabelece: Romanos 3:31.
• A Lei/Torá é, em si mesma a “liberdade” e o padrão de conduta/vida perante a qual seremos julgados: Tiago 1:22-25.
• Não esquecer que a palavra “justo” quer dizer: “os que observam as leis divinas nas suas vidas” (o que pratica a justiça) – Lucas 1:5-6; Daniel 12:3. Estes são os que “ouvem”, “crêem” e “obedecem” (praticam).
• O Concílio de Jerusalém confirmou o ensinamento da Lei/Torá para os fiéis: Actos 15:20-21.
• A Lei/Torá e a Graça de Deus andam de braço dado, pois uma não exclui a outra. Somos salvos pela Graça de Deus (a Sua misericórdia ou perdão imerecido); porém, Ele instrui-nos para andarmos em obediência e fé em todos os Seus preceitos. Como, por exemplo, nos ensinam os apóstolos Tiago e João, a fé tem que se expressar através das obras, senão é uma fé vazia, morta: Tiago 1:22-25; 2:21-26; 4:11-12, 17; 1.João 2:3-7; 3:4; 5:2-3; 2.João 1:5-6.
• Sabemos que pelas obras da Lei/Torá ninguém será justificado diante de Deus, porque o justo viverá da fé (Gálatas 3:11); mas, sabemos também que é a fé que nos leva a produzir frutos e obras dignas de arrependimento, obras de justiça – Mateus 3:8; Actos 26:20; Romanos 3:27-28; Efésios 2:10.
• Yeshua e os Seus discípulos/apóstolos viveram sempre em obediência à Lei/Torá de YHWH/Moisés – e.g. Mateus 12:8; 15:1-6; 19:17-19; 28:19-20; Marcos 1:21; 2:27; João 8:39; 14:15-24, etc.
• São os que ainda não nasceram de novo (ainda não circuncidaram os seus corações/mentes) e que, por isso mesmo estão na carne, que não se querem sujeitar à Lei/Torá de YHWH: Romanos 8:5-8.
• Se dizes que O conheces e ignoras e não vives de acordo com a Sua Lei/Torá i.e., não vives pelos preceitos de YHWH, então és mentiroso: 1.João 2:3-7.
• Não importa se és judeu ou não judeu. O que importa é que guardes e vivas de acordo com os mandamentos de YHWH que Ele nos deu na Sua Lei/Torá: 1.Coríntios 7:19.
• A “Lei do Amor” consiste em guardarmos a Sua Torá – a qual não é pesada: 1.João 5:3; 2.João 1:6; Mateus 11:29-30.
• Naquele dia (quando Ele vier como Rei eterno), muitos Lhe dirão: “não fizemos muitas maravilhas em teu nome?”. A resposta Deste Rei será: “nunca vos conheci…vós que praticais a iniquidade [vós que transgredis as leis de YHWH]” – Mateus 7:21-24.
• O homem será avaliado pelos seus frutos (acções de justiça de acordo com a vontade de YHWH expressas na Lei/Torá) – Mateus 7:16, 20.
• O primeiro Concílio da Igreja (Jerusalém) determinou quatro regras iniciais para os neófitos da fé como sinal que tinham abandonado as práticas pagãs e idólatras, porquanto a Lei/Torá, i.e. Moisés era ensinado todos os Sábados nas sinagogas onde eles aprendiam a andar nos preceitos da Lei/Torá – Actos 15:21.
• É mais fácil passar o céu ou a terra do que cair um til da Lei/Torá – Lucas 16:17.
Não é preciso mais para entender que a passagem de Lucas 16:16 foi distorcida pelo tradutor, tendo até hoje causado muito dano a muitos.
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