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Esta é a vida eterna: que te conheçam, o único Elohim verdadeiro, e a Yeshua o Messias, a quem enviaste. JOÃO 17:3
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O Caráter do Bom Ministro

O Caráter do Bom Ministro

O CARÁTER DO BOM MINISTRO
Por Lázaro Soares de Assis *

INTRODUÇÃO

Assim como o fruto é determinado pela espécie da árvore, o ministério inteiro de um homem de Deus será influenciado e será qualificado pelo tipo de homem que ele é. O Senhor Jesus disse: “a boca fala do que está cheio o coração” (Mt 12:34). O grande pregador escreveu: “Porque, como imagina em sua alma, assim ele é.” (Pv 23:7). Isso requer que o coração seja puro e repleto das coisas que ele deseja que transpareça no ministério. “Sobre tudo o que se deve guardar, guarda o teu coração, porque dele procedem as saídas da vida.” (Pv 4:23). Jesus era pleno da graça e da verdade; e assim, logicamente, isto é o que emanava de toda Sua vida (Jo 1:14).

1. QUALIDADES NATURAIS

Ao considerarmos o caráter de um bom ministro do Evangelho notaremos, primeiramente, certas tendências naturais que serão excelentes e quase necessárias. As inclinações vêm do berço; mesmo assim são passíveis de desenvolvimento e devem ser cultivadas. Outrossim, é bom saber que, embora parecendo ausentes determinados dotes, a maravilhosa graça de Jesus é tão excelente que podemos por meio dela adquirir muitas daquelas características consideradas “naturais”.

1.1. Coragem

A principal de todas essas características inatas é a coragem. Nosso Senhor, pessoalmente, não temia nem Herodes e nem Pilatos, nem mesmo todo o Sinédrio. Não temia a multidão pululante que exigia o Seu Sangue, nem o próprio Satanás no monte da tentação.
Essa é uma qualidade simplesmente imprescindível na vida de um pastor. O seu ministério sofrerá oposições severas, muitas vezes sem causa. O diabo é nosso adversário declarado e está pronto a exaurir todos os nossos recursos possíveis para torcer ou solapar o nosso trabalho.

1.2. Diligência

Outra qualidade essencial para o ministro bem sucedido é a diligência. Somos ensinados, em Rm 12:8,11, que “… aquele que preside, faça-o com diligência… “, e que não devemos ser preguiçosos em nossas atividades. “Vês a um homem perito na sua obra? Perante reis será posto; e não entre a plebe.” (Pv 22:29).
Ninguém pense que a vida de um pastor é fácil. O homem responsável por seu próprio negócio, jamais se satisfaz com as oito horas de trabalho e passa cada momento desperto em intensa concentração, a meditar sobre as obrigações do seu empreendimento. Esse há de ser o espírito e a preocupação de um verdadeiro homem de Deus. Não deve haver nele a menor sombra de preguiça, e cada parcela de suas energias, a cada instante, deve ser inesgotavelmente devotada à sua enorme tarefa.

1.3. Dignidade

A qualidade da dignidade não pode faltar, no ministro do Evangelho. Ao dizermos assim, não nos referimos à piedade forçada ou ao semblante solene, sepulcral e ameaçador; antes, temos em vista aquela calma temperança e reserva digna, que convém ao líder de almas e sobre quem pesam tão graves responsabilidade.

1.4. O Tato

O tato é outra qualidade de grande valor para o ministro. Há maneiras inconvenientes de fazer o trabalho de Deus, o que pode frustrar os propósitos desejados. Por exemplo, em corrigir uma desordem na Igreja, ao impugnar uma declaração feita por alguém publicamente e com a qual não se pode concordar, deve-se usar do máximo cuidado, evitando escolher palavras pesadas.

1.5. A Discrição

A discrição é qualidade que fica muito bem no ministro. Referimo-nos à conformidade com as leis da conduta apropriada, mediante o exercício da prudência em todas as ocasiões. Veja o conselho de Paulo, em Rm 1:16. Um coração totalmente simples pode colocar-se em situações delicadas, por falta de acuidade e chegar a ser falsamente acusado. Que uma mente sábia e uma vontade firme controlem o coração simples. Para sermos mais claros, todo o contato com o sexo oposto deve ser cuidadosamente vigiado.

1.6. A Cortesia

O apóstolo Pedro exortou aos convertidos que fossem corteses (1Pe 3:8). Espera-se de qualquer profissional que seja um cavalheiro. Quanto mais deve ser cortês o líder de crentes, que vive em contato com profissionais, para que saiba comportar-se dentro de certa linha. O “por favor” e o “muito obrigado” jamais devem faltar e as ordens sempre dadas em forma de solicitação.

1.7. O Asseio

Nos trajes pessoais, o pregador deve ser escrupulosamente limpo. Não dizemos que seja exagerado na moda, mas no asseio pessoal e na correção do vestir. O pregador do Evangelho deve expressar em seu asseio pessoal, aquilo que o Espírito de Deus tem colocado em seu interior.

1.8. A Linguagem

Devemos observar a pureza da mente e da linguagem, tanto quanto a higiene corporal. A mente pura resiste às meditações impuras, para não proferir palavras incompatíveis com o público. O uso de gírias é inteiramente impróprio para o pregador do Evangelho. Se o seu vocabulário carece de ser enriquecido, então que aprenda palavras saudáveis, pois existem suficientemente na língua portuguesa. Nosso Senhor, pessoalmente, como também Tiago, dizem-nos que nossa palavra deve ser “sim, sim”; e “não, não”. Paulo nos exorta a que “não saia da vossa boca nenhuma palavra torpe, mas só a que seja boa para a necessária edificação, a fim de que ministre graça aos que a ouvem.” (Ef 4:29).

1.9. A Pontualidade

A pontualidade é uma virtude. Quando empenhamos a palavra num encontro, assumimos uma obrigação que tem de ser cumprida. Atrasar-se num encontro e, pior ainda, faltar ao mesmo, é uma injustiça e um erro. Aborrece aqueles a quem damos a palavra, e reflete mal quanto à nossa honestidade e comportamento.

1.10. Habilidade de Liderança

A liderança envolve a concordância geral e a disposição de assumir responsabilidade. É mister tomar decisões. E embora seja conveniente não arriscar-se demasiadamente na tomada de posições, contudo, essa qualidade é parte inerente da liderança.
A habilidade executiva também se inclui nesta consideração e deve ser encontrada em boa medida no líder de uma Igreja.
A liderança envolve também o conhecimento da natureza humana. Isso vem mediante o instinto, a observação e a experiência.

2. QUALIDADES ESPIRITUAIS

Chegamos, agora, ao campo das qualificações e características espirituais. De imediato, vemo-nos face a face com o Filho de Deus, que é a incorporação consumada de todas estas virtudes: amor, fé, santidade, humildade, paciência e espírito perdoador.

2.1. O Amor

O amor de Deus significa: amor para com Deus e também amor divino em nossos corações. Em ambos esses sentidos, o ministro deve possuir um coração pleno de amor de Deus. O primeiro dever de todo pastor é amar o seu Deus de todo coração, alma e espírito. Procedendo assim, a sua consagração se tornará completa. Não haverá asperezas nem ressentimentos em qualquer feição de sua vida e ministério. Pois, se Aquele que ama foi quem o chamou, e o amor da pessoa a Ele permanecer fiel e verdadeiro, então todas as suas solicitações serão respondidas e tudo correrá bem.

2.2. A Fé

Bem próximo do amor, e quase tão importante quanto ele na vida e no serviço cristão, a fé é a chave capaz de abrir os tesouros de Deus. Pela fé somos salvos. Pela fé somos guardados. Pela fé recebemos o Batismo do Espírito Santo. O justo viverá da fé, e sem fé é impossível agradar a Deus. Pela fé, também nós, assim como Enoque, seremos arrebatados ao encontro do Senhor quando vier nas nuvens do céu. Todos os empreendimentos que devem ser realizados pelo pregador são de natureza sobrenatural. Quem pode salvar uma alma humana? Quem pode alterar as mentes e os corações dos homens? Quem pode efetuar alguma cura sobrenatural do corpo? Quem pode batizar no Espírito Santo? Quem pode derrubar por terra o preconceito e alterar os sentimentos de uma pessoa, independente de sua vontade? Somente pela fé!!!

2.3. A Santidade

Como pode uma pessoa pregar santidade e levar outras pessoas a uma vida santa, se ela própria não tem uma vida pura? “…purificai-vos, vós os que levais os utensílios do Senhor.” (Is 52:11). Sem a santificação, ninguém jamais verá a Deus (cf. Hb 12:14). Uma débil demonstração do poder do Evangelho é o que resulta, quando o pregador não mostra em sua vida o poder santificador de Deus!

2.4. A Humildade

O inimigo tem um meio de macular uma vida santa. Se não pode estragá-la de outro modo, ele semeia o joio do orgulho enquanto o crente “dorme”. Acontece sutilmente, sem que o incauto dê conta disto. Esse fermento de perversidade começa sua ação mortífera e em pouco tempo, haverá evidências flagrantes de orgulho espiritual. Além disso, manifestar-se-ão as formas mais comuns de soberba: da profissão, da posição e do lugar que ocupa.

2.5. A Paciência

As obras importantes, de valor permanente, não se realizam em pouco tempo. Um galinheiro, pode ser construído em uma hora, mas um templo magnificente, requer anos de labor diário. A obra de Deus, uma congregação ou comunidade, é, de fato, a ereção de um templo santo que servirá de habitação de Deus por meio do Espírito Santo. Nada sobre a face da terra pode comparar-se a esse edifício espiritual que o homem de Deus constrói, no que diz respeito ao seu valor ou à qualidade de permanência.

2.6. O Espírito Perdoador

Enquanto a natureza humana correr seu curso natural, haverá ocasiões em que o pregador terá de mostrar o espírito perdoador. Se ele for ofendido pessoalmente e guardar ressentimentos, poderá dar lugar a uma divisão da Igreja ou até mesmo à ruína geral. O pastor não pode esperar que seu povo seja mais semelhante a Cristo do que o líder desse povo. São necessárias duas pessoas para que surja uma contenda. Se, porém, o pastor tomar a iniciativa de deixar de lado o ressentimento e perdoar a pessoa que errou, dará demonstração de maturidade, como de fato lhe compete.

* Lázaro Soares de Assis (http://prlazaro.spaces.live.com) é Ministro do Evangelho. Apascenta a Comunidade Batista Monte Moriá (www.cobam.nafoto.net), em Ipatinga, Minas Gerais. É fundador e Diretor da FATEM, Faculdade de Teologia Monte Moriá (fatem@bol.com.br). Sua formação inclui Bacharelado em Teologia, Filosofia da Religião e Educação Religiosa; Mestrado em Teologia, com especialização em Aconselhamento Pastoral; e Doutorado em Teologia, Filosofia e Ciências da Religião.

Escrito por: Pr. Lázaro Soares de Assis

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