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Esta é a vida eterna: que te conheçam, o único Elohim verdadeiro, e a Yeshua o Messias, a quem enviaste. JOÃO 17:3
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O que é esoterismo?

O que é esoterismo?
Texto Básico: 1 João 4.1-6
Leitura diária
D – 1Jo 1.1-4 – A Palavra da vida
S – 1Jo 1.5–2.14– Condições para a comunhão
T – 1Jo 2.15-29 – Cuidado, muito cuidado!
Q – 1Jo 3.1-24 – Vivendo como filhos de Yahweh
Q – 1Jo 4.7-21 – Amemos como o Messias amou
S – 1Jo 5.1-12– Vitória e salvação
S – 1Jo 5.13-21 – Segurança inabalável
Introdução
É bastante complexa a tarefa de definir o que seja realmente esoterismo. Primeiro, porque há de fato uma antiga corrente filosófica chamada de esotérica, que abrange uma gama variada de pensadores – como Pitágoras, Platão e outros. Segundo, porque quando alguém pensa na palavra esoterismo, dificilmente (a não ser que seja um entendido do assunto) faz associação com a filosofia, mas sim com um significado mais ligado a uma definição popular, que é mística e religiosa; menos filosófica.
Os dicionários e enciclopédias dão significados um tanto quanto genéricos ao termo, mas creio que quatro palavras nos ajudarão a estabelecer um denominador comum quanto à essa prática: conhecimento, iniciados, oculto e sobrenatural.
O esoterismo, portanto, prega que existe certo conhecimento que é oculto à maioria, e que somente alguns iniciados podem atingi-lo, por meio de uma busca que envolve, em alguma medida, o sobrenatural.
Estabelecida essa premissa, surge uma pergunta: a Bíblia se pronuncia sobre o esoterismo? Nesse estudo, procuraremos algumas semelhanças da doutrina esotérica com certas práticas da igreja destinatária da primeira epístola de João, e as respectivas respostas do apóstolo João a elas.
I. A busca pelo conhecimento oculto
1João foi escrita no final do primeiro século. Nessa época, começava a aflorar na igreja os primeiros conceitos de uma heresia originada no platonismo, que mais tarde tornou-se conhecida como gnosticismo. Embora o assunto de nosso estudo seja o esoterismo, verificamos a realidade de que “não há nada novo debaixo do sol” (Ec 1.9), ou seja, dificilmente algum argumento ou posicionamento é, em essência, inédito. Isso se comprova no esoterismo, quando verificamos que suas fontes estão no antigo gnosticismo, conforme condenado pelo apóstolo João, em sua epístola.
Há algumas semelhanças entre as duas correntes, principalmente no que tange à busca pelo conhecimento. Para o esotérico, o ser humano pode se aperfeiçoar na medida em que encontra um conhecimento além daquele tido por comum, a que têm acesso os “reles mortais”. Por meio dessa busca, ele pode transcender a matéria, o próprio corpo, que teria menos valor que seu espírito. O conhecimento é, portanto, o alimento da parte imaterial do ser humano, segundo eles.
Criticando esse posicionamento, a Escritura declara que o conhecimento só é válido na medida em que aproxima o cristão das leis de Deus (1Jo 2.3-4). Deus pode ser conhecido e a Bíblia, desde o Antigo Testamento, nos estimula nesse exercício (Jr 31.34), mas “insiste em que nenhuma experiência religiosa é válida, se não tem consequências morais”¹. Ao escrever a Tito a respeito do comportamento de certos líderes da igreja de Creta, Paulo apontou exatamente essa discrepância entre a busca por conhecimento e a falta de conformidade com a vontade de Deus (Tt 1.16). Afinal, “feliz é o homem que não se condena naquilo que aprova” (Rm 14.22).
É raro alguém se dizer esotérico e isso se deve ao fato de não haver uma religião com esse nome. O esoterismo, na maioria das vezes, multiplica-se na forma de influências sobre outras religiões. Vemos, por isso, seus traços desde o espiritismo, passando pelo judaísmo, como praticado segundo a cabala, e até mesmo no cristianismo.
Cristãos evangélicos podem sofrer essa influência também? Infelizmente a resposta é positiva. No que tange à busca pelo conhecimento, muitas seitas afirmam que encontraram mensagens escondidas nos textos bíblicos. Um exemplo disso é a declaração de uma líder, que se autointitula pastora evangélica, que teria lido o salmo 91 em hebraico – a língua original na qual foi escrito – e encontrado o nome de vários demônios e uma forma de hierarquia infernal.
Triste também é o fato de muitos cristãos darem valor a isso, ao invés de usar a Bíblia para conhecerem mais a Deus e se alimentarem espiritualmente. A Escritura condena aqueles que se perdiam em especulações a respeito de fábulas (1Tm 4.7) e genealogias (1Tm 1.4). Alguns cristãos se reuniam para ler as genealogias do Antigo Testamento e criavam histórias fictícias para aqueles nomes. Usavam a Bíblia, mas não se edificavam com ela e, por isso, se perdiam em “discussões inúteis” (1Tm 1.6 – NVI).
A vontade de Deus para nossa vida é explicita em sua Palavra e ele nunca montaria um jogo de quebra-cabeças com ela ou então um “caça-palavras”. “As coisas encobertas pertencem ao Senhor, nosso Deus, porém as reveladas nos pertencem, a nós e a nossos filhos, para sempre, para que cumpramos todas as palavras desta lei” (Dt 29.29) Ou seja, o que Deus quer que saibamos, ele nos revelou em sua Palavra. Aquilo que não foi revelado é porque não é da vontade do Pai que conheçamos.
¹. I, II e III João, Introdução e Comentário. John Stott, Vida Nova.
II. A busca pelo sobrenatural
Juntamente com o desejo por conhecer segredos e desvendar mistérios, o coração humano é ávido pelo sobrenatural. Aliás, as duas coisas andam juntas, pois não há nada mais misterioso do que o mundo espiritual.
É comum ao esoterismo certas práticas ocultistas, como:
Feng shui – Essa prática esotérica consiste em identificar em certo espaço, como por exemplo, o de uma casa, lugares que atraem energias positivas e/ou negativas e rearranjar os móveis para que o ambiente fique energeticamente equilibrado. Uma cama não pode ficar em um lugar da casa que concentre energia negativa. Se um bebê chora demais, segundo os defensores do feng chui, a razão pode estar atrelada ao posicionamento do berço.
Astrologia – Chamada popularmente de horóscopo. É uma prática “segundo a qual as posições relativas dos corpos celestes podem, hipoteticamente, prover informação sobre a personalidade, as relações humanas, e outros assuntos mundanos. É, como tal, uma atividade divinatória, quando usada como oráculo, mas também pode ser usada como ferramenta para definição das personalidades humanas” (Wikipédia).
Numerologia – Aqueles que acreditam nisso defendem que “os números têm muita influência energética em nossas vidas”². Há inclusive empresas que traçam o perfil de seus candidatos por esse método.
A busca pelo sobrenatural, segundo as influências esotéricas, são as mais diversas: poderíamos ainda citar o baralho de tarô, leitura das linhas das mãos, uso de pirâmides, runas, chás, descoberta do anjo da guarda, etc. A lista parece não ter fim.
A Bíblia nos ensina que não devemos dar crédito a qualquer espírito sem antes prová-lo (1Jo 4.1). Ao escrever sobre isso, João tinha a intenção de desmascarar o ensino pré-gnóstico de que Yehshua não era um ser humano de verdade, mas que tinha apenas uma aparência de humanidade (cf. 1Jo 4.2-3).
O espírito do anticristo, então, está operoso no mundo, por meio da indução ao erro. A igreja evangélica precisa estar atenta ao fato de que pessoas se levantarão dentro dela própria (1Jo 2.18-19) para tentar desviá-la da verdade do evangelho. Um dos ardis será o da ênfase no sobrenatural, como que imitando a prática esotérica. Há de tudo no “mercado gospel”: sal grosso, rosa de Saron, réplicas da Arca da Aliança, copo com água em cima da televisão ou na frente do rádio, etc. Recentemente divulgou-se o absurdo de uma igreja “evangélica” que estava distribuindo caneta esferográfica ungida para seus fiéis fazerem concurso público.
No livro de Apocalipse, João enfatiza a grande armadilha satânica que é a busca pelo sobrenatural, ao afirmar que a besta que emerge da terra iria seduzir a muitos por meio dos sinais que viria a praticar (Ap 13.13-14).
A fé verdadeira não é construída sobre os sentidos humanos, mas sim sobre a Palavra (Rm 10.17). Quando estava para ser assunto aos céus, um pouco antes de sua prisão, Jesus rogou ao Pai “por aqueles que vierem a crer em mim, por intermédio da sua palavra” (Jo 17.10). O efeito que alguns esperam por meio de coisas deve ser buscado na Palavra e nela somente. Aí está a beleza e a sobrenaturalidade da fé: crer sem precisar ver, como escreveu Pedro: “no qual, não vendo agora, mas crendo, exultais com alegria indizível e cheia de glória, obtendo o fim da vossa fé: a salvação da vossa alma” (1Pe 1.8-9).
². http://www.acervoesoterico.com.br/category/numerologia/ [acesso em 20.05.2012]
III. Iniciação e iniciados
No esoterismo, o conhecimento que é oculto à maioria é revelado a alguns. Essa revelação, em geral, se dá por um processo de iniciação e aprofundamento. No espiritismo, por exemplo, a evolução se dá pelo desenvolvimento da mediunidade que, segundo eles, deveria ser o objetivo de todo ser humano, por abrir a visão para o conhecimento do mundo espiritual.
Essas mesmas influências esotéricas podem ser verificadas no hinduísmo, Seicho-No-Ie e outros ramos de budismo, Rosa-cruz e até mesmo na maçonaria, conforme alguns estudos.
Essas passagens por estágios de evolução ou graus tem um duplo resultado. É um processo de engajamento, no qual o adepto se envolve e passa a desejar crescer mais e mais na instituição. Em segundo lugar, é também uma forma de subordinação e até mesmo de subjugação, em alguns casos. Certas religiões impõem um sistema de hierarquia tão forte que não há qualquer lugar para a divergência de opinião ou qualquer manifestação de liberdade pessoal.
Esse esquema de castas torna a religião extremamente personalista, tão qual afirmou João a respeito daqueles que tentavam seduzir seus destinatários (2.26). A igreja evangélica tem passado também por um processo parecido sob o disfarce do apostolado. Líderes se tornam inquestionáveis se escondendo por detrás de uma titulação pseudobíblica. Não se contentam mais em ser pastores e presbíteros, agora são bispos, apóstolos, primazes, ungidos com a bênção de Melquisedeque, e por aí seguem – a criatividade humana não tem limites.
Quando se crê em determinado conhecimento que somente alguns podem dominar, o primeiro resultado é o orgulho e a divisão entre os membros. A igreja de Corínto foi exortada a respeito de algo assim, quando os cristãos que ali estavam afirmavam ser de Paulo ou de Apolo (1Co 1.12). “É revelador enfocar as tendências contra as quais o apóstolo Paulo teve de lutar em Corinto a partir das cartas de João. Também em 1Cooríntios 8.1 consta o termo-chave gnosis = ‘conhecimento’. Paulo percebe o perigo que esse tipo de gnose representa: ela ‘ensoberbece’, renegando assim o ‘amor’ que, afinal, é a única coisa decisiva diante de todo conhecimento e toda riqueza ‘pneumática’”³.
Se por um lado de fato Deus concedeu dons aos homens para que desempenhassem diferentes papeis na igreja (Ef 4.8-12), por outro, no entanto, isso não pode significar a invalidade do sacerdócio universal (1Pe 2.9). Sua vida espiritual não pode depender de um líder, pois com ousadia, cada um de nós, crentes, pode entrar no Santo dos santos e ter acesso ao Pai (Hb 10.19). Cristo rasgou o véu que muitos estão querendo restaurar (Hb 9.12).
³.Cartas de João – Comentário Esperança, Werner de Boor, Editora Evangélica Esperança.
Conclusão
Como vimos, o esoterismo não se caracteriza por uma religião em particular, mas por uma influência sobre várias religiões. Infelizmente, até mesmo sobre o cristianismo.
Não há possibilidade de ajuntar as duas coisas, pois a Bíblia é bastante clara em condenar as práticas esotéricas. Isso deve nos levar a fugir de suas manifestações óbvias como horóscopos e similares, mas também, nos fazer prestar atenção em suas concepções e práticas mais sutis, que muitas vezes são apresentadas como sendo práticas validadas pela Palavra, a quais não são.
Aplicação
Talvez você não tenha uma pirâmide na sua estante, um ramo de arruda atrás da porta ou um elefante de louça voltado de costas para a porta de entrada. Mas será que a Bíblia aberta no Salmo 91 não está ocupando a mesma função? E a caixinha de promessas? Verifique se você não tem seguido algumas práticas que não passam de influências esotérica e busque eliminá-las.
Boa leitura
Para aprofundar-se no tema, sugerimos a leitura de três livros: Crendices de crentes, de Gary Kinnaman, Bruxaria global e Falsa identidade, de Peter Jones. Todos publicados pela Editora Cultura Cristã.
>>Publicado na revista Nossa Fé , da Editora Cultura Cristã, com o tema O que é isso?
>> Autor da Lição: Fernando de Almeida

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