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Esta é a vida eterna: que te conheçam, o único Elohim verdadeiro, e a Yeshua o Messias, a quem enviaste. JOÃO 17:3
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Personificação prova personalidade?

Personificação prova personalidade?

“Aconteceu uma vez que as árvores foram ungir um rei sobre si. Disseram, pois, à oliveira: ‘Reina sobre nós.’ Mas a oliveira lhes disse: ‘Deveria eu renunciar à minha gordura com que se glorifica a Deus e os homens e deveria ir para oscilar sobre as outras árvores?’” – Juí. 9:8, 9.

A personificação, também chamada de prosopopeia, é uma figura de linguagem que consiste em atribuir dotes e qualidades pessoais a algo impessoal. A citação bíblica acima é um exemplo desse recurso literário. De fato, essa figura é bastante comum no dia a dia. Expressões tais como “hoje o dia está triste”, (quando o céu nublado e/ou o tempo frio produzem tristeza no ser humano,) e “esse parafuso não quer entrar”, (como se o parafuso tivesse vontade própria,) são exemplos comuns desse estilo. A Bíblia está repleta de exemplos de personificação, ou prosopopeia. Seguem, abaixo, alguns desses exemplos:

“A palavra de Jeová . . . foi dizer-lhe.” – 1 Reis 19:9.
“Meu divã me consolará.” – Jó 7:13.
“As próprias colunas do céu . . . estão pasmadas.” – Jó 26:11.
“Durante as noites me corrigiram os meus rins.” – Sal. 16:7.
“Levantai as vossas cabeças, ó portões.” – Sal. 24:7.
“Que a minha glória entoe melodias.” – Sal. 30:12.
“Que jubilem os ossos que quebrantaste”. – Sal. 51:8.
“As próprias baixadas . . . bradam em triunfo, sim, cantam.” – Sal. 65:13.
“Rejubile a campina”. – Sal. 96:12.
“O próprio sol sabe muito bem onde se põe.” – Sal. 104:19.
“O próprio mar viu e pôs-se em fuga.” – Sal. 114:3.
“Ele faz prantear a escarpa e a muralha.” – Lam. 2:8.

Os casos de personificação não se limitam a livros bíblicos poéticos. O pecado e a morte são personificados na carta apostólica aos Romanos, (5:14, 21; 7:8-11) a sabedoria é personificada nos Evangelhos, (Mat. 11:19; Luc. 7:35) e o sol e as árvores são personificados em livros proféticos. (Isa. 24:23; Eze. 31:9) Há inúmeros exemplos bíblicos de personificação. As pessoas não têm nenhuma dificuldade de entender o uso dessa figura de retórica, pois reconhecem que as coisas personificadas não são realmente seres com personalidade.

Contudo, o mesmo não acontece quando o espírito santo é personificado nas Escrituras. Isto se dá por causa do dogma da Trindade. Em 381 EC, o Concílio de Constantinopla atribuiu personalidade ao espírito santo, chamando-o de “Senhor”. Declarou ainda que tal espírito devia ser adorado.[1] Devido ao conceito prevalecente entre os membros da cristandade, de que o espírito santo é uma pessoa, muitos encaram a personificação desse espírito como evidência de personalidade. Tais pessoas desconsideram que as mesmas expressões são usadas para outras coisas impessoais. Observe, para tanto, as comparações abaixo:
“O espírito santo . . . vos ensinará.” (João 14:26) “Toda a Escritura é . . . proveitosa para ensinar.” (2 Tim. 3:16) Assim, as Escrituras também ensinam, embora não tenham personalidade.

“O espírito santo . . . vos fará lembrar.” (João 14:26) “E terá de vir a haver o arco-íris na nuvem, e eu certamente o verei para me lembrar do pacto.” (Gên. 9:16) O arco-íris, algo impessoal, também faz lembrar.

“O espírito da verdade, que procede do Pai, esse dará testemunho.” (João 15:26) “As próprias obras que meu Pai me determinou efetuar, as próprias obras que eu faço, dão testemunho de mim.” (João 5:36) Ninguém dirá que as obras são pessoas; contudo, elas também dão testemunho.

“O espírito da verdade, ele vos guiará a toda a verdade.” (João 16:13) “A própria coluna de nuvem não se afastou de cima deles de dia, para guiá-los no caminho.” (Nee. 9:19) Tal coluna, naturalmente, era algo, não alguém – mas também guiava.

“O espírito da verdade . . . falará as coisas que ouvir e vos declarará as coisas vindouras.” (João 16:13) “Ouvi, ó montes, a causa jurídica de Jeová.” (Miq. 6:2) “Os céus declaram a glória de Deus.” (Sal. 19:1) Os céus e os montes são seres inanimados; mas podem, figuradamente, “ouvir” e “falar”. Aliás, uma das definições dos dicionários para “falar” é “exercer influência”. (Aurélio; Michaelis) É com base nisso que existe o ditado: “As ações falam mais alto do que as palavras.” Quer dizer, as ações exercem maior influência do que as palavras.

Que dizer de Efésios 4:30? Esse texto declara em parte: “Não contristeis o espírito santo de Deus.” Trata-se, coerentemente, de mais um exemplo de personificação. O inteiro escopo de textos descritivos do espírito santo usam quadros verbais que o revelam como sendo algo impessoal. (Veja o artigo “É a Trindade uma doutrina bíblica?” neste blog.) Mas, como podemos entender a linguagem figurada desse texto?

Descrevendo a reação de Moisés à persistente obstinação dos israelitas, o Salmo 106:33 diz: “Amarguraram-lhe o espírito.” A Versão Almeida verte assim o texto: “Irritaram o seu espírito.” (Al) A respeito do Rei Acabe, de Israel, foi dito: “Por que está triste o teu espírito . . . ?” (1 Reis 21:5) Nesta acepção, “espírito” significa a força íntima “que induz a pessoa a demonstrar certa atitude, disposição ou emoção, ou a tomar certa ação ou adotar certo proceder”. [2] Essa força, evidentemente, não é uma pessoa, mas emana de uma pessoa. Por isso, atribui-se a ela os sentimentos da pessoa da qual tal força emana. Uma vez que o espírito santo emana de Deus, que é a sua fonte, a Bíblia atribui a esse espírito os sentimentos do próprio Deus.[3]

Similarmente, pela mesma razão de Jeová Deus ser a fonte do espírito santo, as Escrituras atribuem a esse espírito o que é feito a Deus. É por tal razão que encontramos em Atos 5:3 as palavras do apóstolo Pedro a Ananias: “Por que te afoitou Satanás a trapacear o espírito santo . . . ?” O versículo seguinte explica: “Trapaceaste, não homens, mas a Deus.” (Atos 5:4) Isto não significa que o espírito santo seja Deus, pois Jesus referiu-se a tal espírito como sendo o “dedo de Deus”. (Luc. 11:20) O dedo de uma pessoa não é a própria pessoa, apenas faz parte dessa pessoa e é dirigido por ela. Por esta razão, qualquer dano feito ao dedo de uma pessoa é considerado como tendo sido feito a ela.

Mas, em que sentido aquele casal ‘trapaceou o espírito santo’?[4] Naquela época, Jeová, por meio de seu espírito, ou figurativo “dedo”, estava movendo os cristãos de coração disposto a vender suas propriedades para ajudar seus concrentes necessitados. (Atos 4:34, 35) Ananias e sua esposa, Safira, também venderam uma propriedade, mas não para agir em harmonia com a influência altruísta com a qual o espírito santo estava movendo os fiéis. Por desviarem-se do nobre propósito induzido pelo espírito de Deus para um propósito egoísta, mesquinho, tal casal ‘trapaceou’ figuradamente tal espírito. Por fazer isso, literalmente ‘trapaceou’ a Deus, a fonte de tal espírito.

Por conseguinte, é meridianamente claro que a personificação do espírito santo é tão somente um recurso linguístico e não um suporte teológico para uma falsa doutrina. Personificação não prova personalidade. A dificuldade por parte de teólogos da cristandade em entender isso se deve à pesada neblina de obscuridade religiosa que foi legada pelos que apostataram do primitivo cristianismo. É, portanto, necessário se despojar do orgulho da batina e do diploma de teologia e ‘aceitar com brandura a implantação da palavra que é capaz de salvar as vossas almas’. – Tia. 1:21.

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