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Esta é a vida eterna: que te conheçam, o único Elohim verdadeiro, e a Yeshua o Messias, a quem enviaste. JOÃO 17:3
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PODE YESHUA (JESUS) SER ADORADO?

PODE YESHUA (JESUS) SER ADORADO?

Segmentos religiosos diferenciados produzem respostas a pergunta que dá nome a este artigo. Os seguimentos dos quais menciono detêm de maneira comum o uso dos textos bíblicos, todavia seu maior diferencial consiste no fator “cristocêntrico”. Alguns movimentos religiosos que utilizam o Novo Testamento também como livro de fé, não centralizam suas formas de adoração na figura de Yeshua (Jesus), eles ressaltam a pessoa do Eterno como aquele que deve ser adorado, colocando Yeshua num status até de reconhecimento messiânico, mas não deteria Ele o direito de ser adorado.

Por muitos catequizados na doutrina da trindade, falar em adorar ao Filho, ao Espírito Santo e ao Pai são pela lógica religiosa a mesma ação. “Estou adorando a um único D’us.” não sendo esta uma questão discutível, nem mesmo dígina de um artigo. As camadas redacionais contidas no Novo Testamento corroboram para esta mentalidade desenvolvida pela Igreja Católica, a exemplo disto pode ser citado o texto de Mateus 28.19 “…em nome do Pai do Filho e do Espírito Santo.” referindo-se a prece ritual preservada pela Igreja Católica e suas ramificações protestantes e evangélicas atuais. Apesar dos testemunhos de batismos realizados no livro de Atos dos Apóstolos serem apenas em nome de Yeshua.

Mas a questão ADORAÇÃO quando refletida fora do conceito de Trindade, o que de maneira exegética é mais coerente, por não existir esta mentalidade trinitária no primeiro século, gera questões controversas quanto a quem deve ser direcionada a adoração no culto dos seguidores de Yeshua.

SOMENTE O ETERNO DEVE RECEBER ADORAÇÃO.
A Torá determina: “Nunca adore nenhum outro deus, porque o Senhor, cujo nome é Zeloso, é de fato D’us zeloso.” (Êxodo 34.14)

O Eterno expressa um tipo de exclusividade quanto ao ato de adorar, Ele deve Ser o foco de todo o serviço religioso. Qualquer outro ser celestial ou terreno, anjos, espíritos, sacerdotes ou sábios, animais, elementos da natureza ou qualquer ser humano não pode ser adorado de maneira alguma.

Yeshua, em princípio, não distorce nem contraria este critério cultual. O que pode ser confirmado nas narrativas dos evangelhos que testemunham o diálogo entre Ha Satã e Yeshua: “…Retire-se, Satanás! Pois está escrito: ‘Adore o Senhor, o seu D’us e só a Ele preste culto’”.(Mateus 4.10 ref. Lucas 4.8).

Confrontando esta postura inicial testemunhada pelos Evangelhos, os mesmos documentos religiosos apresentam Yeshua agora sendo adorado. Ele é adorado por um leproso (Mateus 8.2), por um chefe de uma sinagoga (Mateus 9.18), o mesmo por uma mulher fenícia (Mateus 15.25) e por um cego (João 9.38). em nenhum destes casos Yeshua repreende seus possíveis adoradores.

Precipitadamente a leitura dos textos caracterizam as Escrituras como uma reunião de documentos conflituosos que dificilmente poderiam ser utilizados como padrão para um critério cultual monoteísta.

Propõem-se então uma análise mais precisa dos texto partindo não das versões portuguesas, mas dos vocábulos gregos e hebraicos registrados nas principais versões.

ADORAÇÃO EM SEUS VOCÁBULOS GREGOS E HEBRAICOS

Quando vertido para o português diversos termos gregos e hebraicos foram traduzidos na simples palavra ADORAÇÃO. Todavia se analisados em seus idiomas originais os textos recebem uma profunda reflexão. Destacamos os principais termos:

shachah – inclinar-se, prostrar-se diante de superior em deferência, proceder humildemente, diante de D’us em adoração. Provavelmente o termo mais utilizado no Primeiro Testamento.

Avodah – trabalhar, servir de maneira geral, mas também referente ao serviço religioso do Templo, servir a D’us. Em boa parte das versões portuguesas veio como adoração por estar ligado ao serviço religioso levitical.

Outros termos são ainda mencionados como formas de apresentar adoração. O vocábulo Yadah derivado de Yad – “mão”. Yadah significa bater palmas, dar graças, elogiar, louvar com mãos estendidas, uma forma de adoração. Halel “saltar de alegria, regozijar-se, gritar”. A Palavra Halleluyah deriva-se deste termo dando sentido de se regozijar em Yah – abreviação respeitosa do nome de D’us utilizada na poesia hebraica.
Entre os termos gregos encontramos a expressão Latreia – que veio a ser vertido para o português hora como serviço, hora como adoração, por se referir ao serviço religioso do Templo de Jerusalém.
Sebomai – um termo que resume-se a reverenciar, ou adorar (marcos 7.6); e o termo mais comum seria proskuneo – cair de joelhos, prostrar-se, prestar homenagem, expressar respeito ou súplica, lamber a mão ou beijá-la, tocar a testa no chão.
A diversidade de termos hebraicos e gregos geram conflitos que poderiam ser amenizados pela Septuaginta, já que esta adequou alguns equivalentes gregos aos vocábulos hebraicos dos quais eram empregados no culto ao Eterno.
Logo, a questão se Yeshua deve ser adorado apresenta dois embates principais:
1 – Nenhuma relação dos seguidores de Yeshua e o reconhecimento de Sua messianidade pode ferir a Unicidade do Eterno e o direito a Ele devido e exclusivo de Ser o foco da Adoração.
2 – Yeshua Ben Elohim, cuja existência precede a Torá, que é modelo de cumprimento não legalista dos preceitos, Único do gênero e de paternidade Divina, cumprimento das profecias e digno de estabelecer o Milênio e restaurar a casa de Davi. Deve ser colocado em seu lugar de honra. Mas como dar ao Rosh (cabeça) de sua kehilah (Igreja) o merecedor louvor sem que Ele seja reverenciado numa condição de idolatria?
O Novo Testamento destaca uma incrível confecção dos textos referidos aos atos reverenciáveis à Yeshua e ao Eterno com termos específicos para cada gesto tido como religioso ou cultual.
Todas as vezes que foram registrados gestos interpretados e traduzidos como adoração, apenas o termo grego proskuneo foi utilizado para Yeshua. Mesmo no registro de Marcos em que um homem possuído se apresenta diante de Yeshua, o cronista usa proskuneo para se referir ao ato dos demônios reverenciarem a Yeshua, que na versão Almeida Revista e Atualizada veio traduzida como adorou. (Marcos 5.6)
Proskuneo denota uma ideia de curvar-se diante da autoridade do Messias. Yeshua não sofre nenhuma ação cultual de seus seguidores na condição de Sebomai ou Latreia. Pois ambas estão associadas a um conceito divino que (1) ou daria a Yeshua a ideia de ser Ele O D’US ETERNO, a pessoa dele plena, (2) ou o colocaria na condição de mais uma divindade de um panteão greco-romano e agora judaico frente ao costume pagão antigo de dar aos seus líderes e imperadores encarnação divina.
Yeshua não se coloca nesta condição cultual, mas para o Novo Testamento a palavra proskuneo tornou-se exclusiva para Yeshua. Em Atos 10.25-27 Cornélio decide projetar sua fé em realizar um proskuneo para Pedro. Ele lançou-se aos pés do Apóstolo que o repreendeu dizendo que ele era um homem como ele e indigno deste ato cultual.
O mesmo acontece no livro de apocalipse sendo narrado por duas vezes o episódio, tanto no capítulo 19.10 e 22.9 em que João faz o ato de proskuneo diante de um mensageiro:
“Então caí aos seus pés para adorá-lo, mas ele me disse: “Não faça isso! Sou servo como você e como os seus irmãos que se mantêm fiéis ao testemunho de Yeshua. Adore a D’us! O testemunho de Yeshua é o espírito de profecia”. (Apocalipse 19.10)
Em ambos os textos o Mensageiro não aceita o ato de proskuneo, afirmando que este ato deveria ser feito apenas a D’us, mas o orienta a ater-se ao testemunho de Yeshua.

CONCLUSÃO
Em muitas preces e canções de louvor ao Eterno contidas nas Escrituras, assim como nas maior parte das preces do Sidur (livro de ordem do serviço religioso judaico) inicia-se com a frase “Baruch atá Ad’nai…” Este vocábulo Baruch – bendito, ou abençoado, louvado, vem da raiz Barech que traduz-se também como joelho, ajoelhar-se, prostrar-se. Exatamente a ação do termo grego proskuneo.
Um ato de adoração ao Eterno deve ser prestado em moldes de shachah – inclinar-se, e num serviço religioso aos moldes da Avodah – referente ao serviço religioso do Templo, servir a D’us em adoração. Assim como a proposta contida nos equivalentes gregos Sebomai e Latreia devem ser direcionados única e exclusivamente ao Eterno.
Todavia como aproximar-se do Eterno e materializar um culto de adoração plena sem a figura do Messias?
Yeshua não furta a glória do Eterno. Quando nos apresentamos no serviço religioso de nossas congregações sem nosso ato de proskuneo ao Messias Yeshua, discernimos menos sobre O Eterno e quem Ele é. Uma avodah (serviço religioso) pode limitar-se a repetição de rituais, ou o pronunciar vão de adoração e repetição de textos que adoram ao Eterno, mas sem kavaná (intenção). Yeshua fez uso das palavras do profeta Isaías e alertou “Este povo achega-se a mim com a sua boca e honra-me com os seus lábios, mas o seu coração está longe de mim, em vão me SEBOMAI (me adoram), ensinando doutrinas [que são] preceitos <mandamentos> dos homens.” (Mateus 15.8-9).
Yeshua plenifica o sentido da adoração. Quando fazemos nosso proskuneo ao Messias Yeshua nos aproximamos mais do que realmente propõe O Eterno para a adoração. Quando O Messias foi questionado pela mulher samaritana (João 4) onde era o lugar desejado pelo Eterno para efetuar o proskuneo (adoração), Yeshua disse que a salvação viria dos judeus e os faria adorar em espírito e em verdade. A mulher por sua vez disse que o Messias faria conhecido a maneira correta de adorar. (v.25)
Yeshua revela O Eterno. Em cada serviço religioso que entre as canções, palmas, danças, notas musicais, ritos, tradições, bençãos e engradecimentos ao Eterno efetuarmos um proskuneo ao Messias Yeshua, recordando e descobrindo o cumprimento das profecias nele, seu ato salvífico como Cordeiro de D’us, pronunciando nossa gratidão, amor, reconhecimento de sua Messianidade, prostração e esperança de seu retorno. Não diminuiremos O Eterno, diferente disto estaremos mais próximos da plena ação de adorar a D’us.
Infelizmente na contra mão encontramos alguns judeus e evangélicos que minimizam Yeshua colocando-o fora de seus méritos. O reflexo disto são sinagogas antes messiânicas que agora tornam-se sinagogas que ainda esperam O Messias chegar. Na mesma tendência, mas em um volume muito mais escandaloso, denominações tidas como cristocêntricas que substituíram o seu proskuneo ao Messias Yeshua pela rentável teologia da prosperidade que deforma o evangelho de Yeshua a um nível mutilado
Baruch habá b’Shem Ad’nai. Yeshua HuAdon Melech ha Moshiach.

por
Pr. Renato Cesar

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