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Esta é a vida eterna: que te conheçam, o único Elohim verdadeiro, e a Yeshua o Messias, a quem enviaste. JOÃO 17:3
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QUALIFICAÇÕES DOS LÍDERES EM 1 TIMÓTEO 3.1-13

QUALIFICAÇÕES DOS LÍDERES EM 1 TIMÓTEO 3.1-13
A primeira carta de Paulo à Timóteo
As duas cartas enviadas à Timóteo e a carta à Tito são conhecidas como “cartas (epístolas) pastorais”, ou seja, cartas enviadas à pastores para orientá-los na condução das igrejas que estavam liderando.
Timóteo era natural de Listra (At 16.1) e estava pastoreando a igreja de Éfeso (1.3). Paulo foi a pessoa usada por Deus para que Timóteo fosse resgatado por Cristo (1.2), sendo que Timóteo passou a acompanhá-lo em sua segunda viagem (At 16.1).
Timóteo foi companheiro de Paulo em várias viagens e foi mencionado como cooperador no envio de seis cartas: 2 Coríntios, Filipenses, Colossenses, 1 e 2 Tessalonicenses e Filemon.
Éfeso: Era a capital da Ásia. Uma cidade pagã, onde se adorava a deusa Artemis (Diana) no templo pagão que era considerado uma das sete maravilhas do mundo. O templo tinha 127 colunas de 20 metros de altura numa área de 140 metros de comprimento por 70 metros de largura, entretanto, estava sucumbindo diante do evangelho. Em contraste com isso, a igreja de Cristo crescia a cada dia (At 19.17-18) e continuou se reunindo nas casas pelo menos duzentos anos.
Muitas pessoas creram no evangelho naquela cidade (At 19.13-20). Por este motivo, houve grande perseguição, visto que, quando as pessoas criam no evangelho, elas abandonavam aquelas práticas pagãs (At 19.23-29).
Timóteo era um jovem ministro designado por Paulo para firmar esta igreja na Palavra de Deus. Paulo cita por três vezes nesta carta a frase “Fiel é a Palavra” (1.15; 3.1; 4.9) e enfatiza a fidelidade à Bíblia em diversos momentos (1.3; 1.10; 4.6; 4.16; 5.17; 6.3-5).

Por que estudar sobre a qualificação dos líderes?
1. Porque a Palavra de Deus fala sobre este assunto;
2. Porque dará discernimento à igreja para avaliar e confrontar seu(s) líder(es) (1Tm 5.19-21);
3. Porque serve para o líder ou futuro líder fazer uma auto-avaliação;
4. Porque conseguiremos diferenciar presbíteros de diáconos e conhecer outras expressões;
5. Porque a maior parte dessas qualificações todo crente deve buscar, independentemente do desejo ou possibilidade de ser líder;
6. Porque é a maneira de Deus orientar a igreja para que ela reconheça ou não a pessoa como líder.
“Fiel é a palavra” – Paulo refere-se à declaração que irá fazer acerca dos líderes, ou seja, essa palavra sobre os bispos é fiel.
“Se alguém aspira – aspirar é desejar. Mas não é suficiente apenas desejar, pois não trata-se de um teste vocacional. Deus capacita cada líder para serví-lO na igreja e para preencherem as qualificações de um bispo (At 20.28). Três passos são necessários para que o desejo se torne realidade, são eles: chamado de Deus, desejo pessoal e aprovação da igreja usando os requisitos que serão comentados posteriormente.
“o episcopado,” – Segundo Phil Newton “os gregos usavam esse termo para definir um ofício que tinha funções de superintendência, quer no âmbito político, quer no religioso[1]”. A palavra tem o sentido de “olhar sobre, ter consideração para com algo ou alguém”. Ou seja, o bispo cuidava dos outros, especialmente dos necessitados. O episcopado é a função desempenhada pelo bispo. As palavras “bispo” e “presbítero” são usadas intercambiavelmente, ou seja, possuem o mesmo significado (Tt 1.5-7). Igualmente podemos pensar sobre essas duas palavras, pois elas se unem no mesmo significado com a palavra “pastor” (At 20.28; 1Pe 2.25; 5.1-2). A Bíblia se refere de formas distintas em relação ao líder para que algumas características sejam evidenciadas:
Bispo – “olhar sobre, ter consideração por algo ou alguém”. Implica em liderança e direção dada a igreja.
Presbítero – enfatiza a maturidade espiritual necessária para o ministério (At 11.29-30). Anteriormente era usada para se referir a homens de idade avançada (Jo 8.9). Paulo demonstra essa mudança designando o jovem Timóteo para esse ministério (4.12).
Pastor – significa “pastor de ovelhas”. Aquele que cuida, lidera, restaura, guia e supre as necessidades da ovelha.
“excelente obra almeja” – o trabalho ministerial é excelente, ou seja, profissões seculares não diminuem a importância do trabalho do ministro.
“É necessário…que o bispo…” – a palavra para bispo está no masculino, não permitindo dizer que a mulher pode exercer o episcopado. Além disso, a expressão “é necessário” demonstra que as instruções de Paulo não são meras dicas. Na verdade, são condições impostas àqueles que desejam ser ministros do evangelho.
“irrepreensível” – muitas vezes essa palavra é entendida como se o ministro possuísse uma blindagem às críticas, sendo proibido contestar qualquer desvio existente. Entretanto, o que Paulo está falando é que o ministro deve ter um comportamento exemplar, sem que sejam necessárias críticas à sua pessoa.
O bispo não será perfeito, mas não terá pecados pendentes. Ele sempre buscará acertar seus problemas de forma rápida e decisiva. Também não será dado a vícios, falta de domínio com dinheiro, impureza moral, etc. Paulo irá desenvolver esses e outros casos à seguir.
MacArthur afirma corretamente que “Um pastor profano é como uma janela com vitral: um símbolo religioso que impede a entrada de luz. Por isso, a qualificação inicial do líder é ser irrepreensível[2]”.
“esposo de uma só mulher” – novamente acontece a reafirmação de um ministério masculino, pois esta qualificação é específica do homem, visto que a tradução literal do texto é “Homem de uma só mulher”. Alguns pastores e teólogos defendem que este versículo é uma prova que, para ser pastor, é necessário que o candidato seja casado. Entretanto, vemos aqui que a intenção de Paulo era destacar o casamento monogâmico, visto que naquela cultura eram comuns casos de poligamia e prostituição ritual.
O ministro não pode ser divorciado nem “recasado”, pois não seria irrepreensível caso estivesse nesta situação (Rm 7.2-3). Além disso, é necessário que o bispo busque pureza de pensamentos, pois o adultério começa na mente (Mt 5.27-28).
“temperante” – a palavra no grego transmite a idéia do “estilo abstinente que os bispos devem levar”, tendo o significado de “evitar intoxicação” (não somente de bebida alcoólica). A Palestina era uma região muito seca e o vinho era uma bebida comum, mesmo que normalmente era misturado com grandes quantidades de água. Coloca-se aqui o princípio de domínio próprio para o ministro aprovado. Dessa forma, o pastor não deve ser dado ao vinho, princípio que é reforçado no próximo versículo. Paulo não está falando que é proibido tomar vinho, até porque ele aconselhou Timóteo a tomar um pouco de vinho para fins medicinais (5.23). Não sendo dessa forma, o melhor é evitar bebida alcoólica, visando não escandalizar o próximo e ser um ministro temperante. Além disso, a palavra temperante faz referência a intoxicação, não somente de vinho, mas de qualquer outra coisa, sendo comida um outro exemplo.
“sóbrio” – essa palvra significa “prudente”, “disciplinado”. Phil Newton comenta que o ministro sóbrio é aquele que “é capaz de exercer juízo correto, mesmo em tempos difíceis. O homem sóbrio evita excessos e pensa com clareza. O ministro tem uma vida ordenada e autodisciplinada, determinando com clareza suas prioridades”[3].
Portanto, ser sóbrio é possuir pensamentos e objetivos claros, expondo prioridades, não fazendo as coisas precipitadamente, mas sendo cauteloso em todos os passos.
“modesto” – “digno”, “bem comportado”, “sereno”. O significado básico dessa palavra é “ordeiro”. Sua mente disciplinada (sóbria), leva a uma vida disciplinada. MacArthur (pág. 129) comenta que “Um líder espiritual não deve viver uma vida caótica, mas, sim, de forma ordenada, desde que seu trabalho envolva boa administração, supervisão, organização e prioridades bem estabelecidas[4]”.
“hospitaleiro” – o bispo deve ser hospitaleiro, ou seja, receber bem as pessoas. O contexto da igreja primitiva era de igreja nas casas (Rm 16.3-5; Cl 4.15). Hospedar missionários itinerantes e receber irmãos que estavam sendo perseguidos por causa do evangelho (At 8.1; Tg 1.1) também estão entre as razões para o ministro ser um bom hospedeiro.
A atitude de receber pessoas em casa revelará o coração do líder. Ele poderá demonstrar todo seu amor pelas pessoas, a harmonia que existe em seu lar, o desprendimento de bens materiais e um coração obediente (Rm 12.13).
“apto para ensinar” – o ministro deve conhecer as doutrinas da Bíblia, manejando-a de forma coerente e segura. Ele não precisa saber todas as coisas, mas precisa transmitir convicção doutrinária. Segundo MacArthur (pág. 131) “O presbítero deve ser um professor habilidoso. Esta é a única qualificação que o diferencia dos diáconos e do resto da congregação”. Phil Newton também contribui com esse assunto quando afirma que o presbítero, além de líder deve ser mestre, pois não há como separar essas características do bispo. Portanto, o bispo deve ser um líder que ensina[5].
Existem as lideranças administrativas em diversas igrejas, mas não vejo como algo bíblico afirmar que a liderança administrativa é a liderança espiritual da igreja, já que a Escritura sequer faz alusão a este tipo de governo. Futuramente veremos a diferença entre presbíteros e diáconos.

“não dado ao vinho” (“colocar-se ao lado do vinho”) – cultos pagãos eram regados de bebedeira para se alcançar um estado de euforia. Já foi falado que o ministro deve ter uma vida abstinente de bebida quando Paulo declara a necessidade do bispo ser “temperante”. Quando o apóstolo cita que o bispo não deve ser “dado ao vinho”, ele quer instruir todo líder a não ter uma reputação de beberrão, ou seja, a ênfase aqui não é “apenas” na ingestão de bebida, mas àquele que é associado aos beberrões.
Não há nada de errado em conversarmos com pessoas reconhecidamente viciadas em bebida alcoólica ou qualquer outro tipo de droga, até porque Jesus nos deu esse exemplo, envolvendo-se com todo tipo de pessoas (Mt 9.11-13). O próprio Jesus foi associado a beberrões (Mt 11.18-19), entretanto Cristo foi associado por calúnias e não por associar-se de forma a criar vínculos na prática da bebedice.
O que Paulo quer nos dizer através desta frase é que o líder (e todo cristão) não deve ser conhecido como aquele que sente-se confortável em ambientes de bebedeira e farra, preferindo esse tipo de ambiente na companhia dos ímpios a estar em comunhão com o povo de Deus.
Portanto, o líder cristão deve avaliar os ambientes onde se insere. Ele não precisa ir à boate para evangelizar boêmios, ao motel para evangelizar adúlteros, a festa de música eletrônica para falar de Jesus para os drogados, etc. Também é importante que cristãos se abstenham de bebida alcoólica em eventos sociais por questão de testemunho (Rm 14.21-23; 1Co 10.31). Assim, os ministros evitarão tentações, suspeitas e críticas.

“não violento,” – o ministro não deve “dar golpes”, ou ser “espancador”. Ele não cogitará resolver problemas usando força e violência (2Tm 2.24). É provável que os falsos mestres usavam desse artifício contra cristãos e incrédulos e que alguns ministros estavam aderindo a esta prática.

“porém cordato” – esta qualidade diz respeito ao líder que necessita ter consideração, ser gentil, paciente, gracioso e tem facilidade para perdoar falhas alheias. John MacArthur comenta que “um líder gentil tem a habilidade de lembrar do bem e esquecer do mal. Não mantém um registro dos males que as pessoas cometem contra ele (cf. 1 Co 13.5)[6]”. A verdadeira sabedoria possui esta qualidade, traduzida na epístola de Tiago por “indulgente” (Tg 3.14-17).
O bispo e toda a igreja devem ser disciplinados para não falar nem pensar em pessoas que geraram algum tipo de prejuízo ou ofensa a sua pessoa. A mente do cristão precisa ser voltada para aquilo que edifica (Fp 4.8; Cl 3.1-2).

“inimigo de contendas” – “pacífico”, “que reluta em lutar”. Aqui o termo não se refere à violência física, mas a alguém encrenqueiro, que gosta de polemizar. Paulo alerta a igreja de Éfeso com relação aos falsos mestres, pois esses agiam dessa forma (1Tm 6.3-5). O ministro contencioso vive procurando brechas para criar polêmica. Ele sente prazer em discutir, tentando provar a superioridade dos seus argumentos.
A igreja é o povo de Deus que se reúne para glorificar ao Senhor Jesus como família de Deus, bem como para edificação mútua. Portanto, a igreja não se reúne para brigar, visto que essa atitude não reflete o caráter do povo de Deus. Sendo assim, líderes que se comportam de forma contenciosa ou estimulam brigas, estão desabilitados para o ministério.

“não avarento” – essa proibição significa “não amante do dinheiro”. O dinheiro é um dos pontos mais sensíveis do ministro e do cristão em geral. Falsos bispos olhavam o ministério como fonte de lucro (6.5). Atualmente, muitos líderes usam a igreja como um investimento, membros como clientes e ministério como oportunidade de estabilidade e bom salário. Sendo assim, o bispo deve arranjar estratégia para cativar mais clientes que possam contribuir com seu investimento, mantendo um padrão de crescimento nos lucros. O bispo nesse caso acaba sendo um empresário eclesiástico.
Paulo não reprova a idéia do ministro receber um salário por sua dedicação ao ministério. Muito pelo contrário, ele até incentiva a generosidade da igreja no sustento do ministro fiel (5.17-18; cf 1Co 9.9-10). John MacArthur alerta o bispos da seguinte forma: “se você corre atrás do dinheiro, nunca saberá se veio do Senhor ou de seus esforços, e isso o privará da alegria de ver Deus suprindo suas necessidades”. Portanto, o pastor não está no ministério para enriquecer, mas para dedicar-se ao ministério (Lc 16.13-14; 1Tm 6.10-11).

Conclusão: Paulo enfatiza neste versículo que o ministro deve ser exemplo de domínio sobre as paixões carnais como bebedeira, intrigas e amor ao dinheiro. Todas elas são indevidas para qualquer cristão e desqualificam o presbítero. Que o Nosso Deus sonde nossos corações e conceda-nos capacitação pelo Espírito Santo para vivermos de forma piedosa, tendo como objetivo sermos ministros e cristãos aprovados diante de Cristo (Rm 8.27; 2Co 5.10).

Paulo nos versículos 4 e 5 expõe qualidades do líder com relação ao relacionamento familiar. Éfeso era uma cidade portuária, onde a promiscuidade e a idolatria eram características marcantes. Isso ressalta ainda mais a importância de Paulo orientar Timóteo quanto a necessidade do bispo ter uma família estruturada.
“governe bem sua própria casa” – “presidir” , “ter autoridade sobre”. esposa e filhos, administração do dinheiro, etc.
Um bom governante administra todas as áreas da sua casa, inclusive a financeira. Uma má administração financeira desqualifica o bispo, mesmo que ele seja um bom pregador, dedicado pai de família, com esposa submissa.
“criando os filhos sob disciplina” – Segundo MacArthur “sob disciplina” “é um termo militar que significa alinhar em fila sob aqueles que tem autoridade[7]”. Os filhos reconhecem essa autoridade e respondem com obediência bíblica (imediata, inteira, interna). A palavra traduzida como “disciplina” nesse versículo diz respeito a ser criado nos padrões especificados pelo pai.
“com todo respeito” – “dignidade”, “reverência”. Devem ser filhos que não envergonham, mas trazem honra ao pai. Isso tudo é conseguido com paciência e mansidão, pois violência não deve ser parte dos recursos do presbítero (3.3). Isso não impede que o líder seja firme, rígido e imponha respeito através da disciplina bíblica desde a infância (Pv 13.24; 22.15; 23.13-14; 29.15). Além disso, o líder do lar conquistará o coração dos filhos, servindo de exemplo para eles (Pv 23.26).
“(pois se alguém não sabe governar a própria casa, como cuidará da igreja de Deus?);” – aquele que não sabe governar sua família, certamente não saberá governar a igreja. O pastor é muito mais do que um pregador, ele deve ser modelo de autoridade a partir do seu lar. O trato com esposa e filhos é decisivo para a autoridade do ministro. Paulo endurece ainda mais o discurso, afirmando que o ministro que não consegue criar os filhos sob sua disciplina e colocá-los sob sujeição, como então ele conseguiria fazer isso com a igreja que possui muitas pessoas, sendo que várias sequer têm vínculo familiar.
O líder deve ter uma família (esposa e filhos) estruturada, sendo honrado por ela. Aquilo que a esposa e filhos falam do líder da casa conta muito. Mesmo que as palavras não sejam verdadeiras, elas servirão para demonstrar a insubmissão da família ao sacerdote do lar.
É indispensável que o bispo tenha uma família harmônica. Imagine um bispo em Éfeso, com esposa insubmissa ou incrédula, sendo uma das prostitutas do templo de Diana, por exemplo. Paulo afirma que o ministro deve ter uma família cristã exemplar.
Filhos que andam longe da comunhão com Deus, esposa insubmissa e endividamento familiar são sinais de um governo familiar deficiente. Portanto, a melhor maneira de conhecer a autoridade de um líder é através de sua família. A preocupação com os filhos e esposa, o empenho em suprir suas necessidades e o esforço para conduzí-los espiritualmente são atitudes de um ministro aprovado.
Não é sem razão que Paulo faz comparação entre família e igreja, pois a igreja deve ter igual tratamento ao da família por parte do presbítero. A igreja deve ser liderada sob disciplina, tendo como padrão a Palavra de Deus. O pastor será respeitado não apenas por ser pastor, mas será reconhecido por sua vida coerente com aquilo que está falando. Portanto, sua autoridade não está apenas num título mas naquilo que vive.

Estes dois versículos (vv. 6-7) encerram as exigências impostas sobre os ministros do evangelho. O apóstolo Paulo enfatiza nesse momento a importância da igreja possuir pastores maduros para a condução do rebanho. O argumento segue com a necessidade do ministro ser coerente biblicamente, tanto na igreja quanto em sua vida na sociedade como um todo.
“não seja neófito” – a tradução literal de “neófito” é “recém-plantado”. Lógicamente é necessário que o ministro seja convertido. Como em nossos dias o padrão dos cristãos tem se rebaixado continuamente, corre-se o risco da igreja possuir líderes que nem sequer crentes são, pois uma pessoa assídua nas reuniões já é considerada uma pessoa de compromisso e apta para assumir o pastorado na igreja.
A Palavra de Deus exige que o crente seja um homem maduro espiritualmente, possuindo algum tempo de igreja. A Bíblia não estipula tempo para que o membro possa ser uma pessoa madura, visto que o padrão de maturidade num local pode não ser em outro devido ao desenvolvimento espiritual de cada igreja. Sendo assim, aquela que almeja o ministério deve ter maturidade suficiente para liderar a congregação em questão.
Como já foi ressaltado em outra ocasião, Paulo não está desqualificando os jovens para o ministério, pois o próprio Timóteo era um jovem ministro e não deveria ser desprezado por causa disto (4.12). A questão envolvida aqui é a restrição quanto a cristãos imaturos para o exercício do presbitério. Esta passagem não isenta “veteranos de igreja” do exame, pois anos de igreja nem sempre são reflexo de maturidade. A avaliação deve levar em conta o conjunto das características expostas nesta passagem e em Tito 1.6-9. Existem outras passagens (At 6.3, por exemplo), todavia elas refletem características expostas nestas duas passagens.
“para não suceder que ensoberbeça” – “ensoberbeça” significa “envolver em fumaça”. Com essa figura de linguagem, Paulo quer dizer que o ministro não deve ser novo convertido (recém plantado) para não acontecer que ele fique envolto na fumaça por causa do orgulho. A soberba cega o ministro como uma cortina de fumaça nos impede de olhar o caminho.
João Calvino sabiamente comenta que “os noviços não somente têm fervor impetuoso e coragem ousada, mas igualmente se orgulham com insensata confiança, como se pudessem voar para além das nuvens. Conseqüentemente, não é sem razão que são excluídos da honra do pastorado, até que, dentro do processo do tempo, seu orgulhoso temperamento seja dominado[8]”. Alford na mesma linha ressalta que “temos aqui a nuvem de poeira que o orgulho de um homem levanta sobre ele, de modo a não poder ver a si mesmo e aos outros conforme eles são[9]”. Essa soberba (nuvem de fumaça) era característica dos falsos mestres (1.7).
“e incorra na condenação do diabo” – nesta parte do versículo Paulo alerta Timóteo a gravidade das conseqüências ao colocar pessoas imaturas para liderarem a igreja. O que Paulo disse foi que novos convertidos na liderança da igreja terão seu orgulho aflorado de tal forma que receberão juízo igual o próprio diabo recebeu devido ao seu orgulho, ou seja, o líder será rebaixado da condição elevada que estava. A melhor forma de se lidar com o orgulho é a humildade, característica marcante do obreiro aprovado (Mt 23.11-12; Mc 10.43-44) exemplificada pelo próprio Cristo (Mc 10.45). Portanto, a igreja não deve colocar na liderança pessoas que Deus rebaixará futuramente.
“Pelo contrário, é necessário que ele tenha…” –
“…bom testemunho dos de fora,” – o bom testemunho do pastor é indispensável tanto em sua casa como na igreja. Entretanto, a Escritura afirma que o presbítero deve ter também uma boa reputação na comunidade. As pessoas em volta observam o procedimento dos cristãos, principalmente de seus líderes. Portanto, aquele que almeja ser líder deve ser bem visto pelas pessoas. Isso aplica-se a questões morais (fidelidade conjugal, cuidar bem dos filhos, ser educado, etc.) e a questões éticas (fiel em seus compromissos financeiros, bom vizinho, honesto, honra sua palavra, etc). As pessoas podem até discordar daquilo que o pastor ensina, mas não terão outros motivos para considerá-lo infiel.
Certamente as pessoas do mundo discordarão ou até perseguirão o ministro (Jo 15.18-20), entretanto, todas as oportunidades devem ser aproveitadas para testemunhar do evangelho (Cl 4.5-6).
“a fim de não cair no opróbrio e no laço do diabo” – novamente satanás é citado nesta passagem. Se no versículo anterior Paulo se referia ao juízo igual ao que satanás recebeu, aqui o apóstolo mostra o diabo em atividade, armando ciladas para insultar (opróbrio) o pastor. O inimigo produz armadilhas com o intuito de destruir a integridade e credibilidade do bispo.
O líder pode possuir áreas vulneráveis como qualquer pessoa (dinheiro, poder, cobiça, domínio próprio, etc) e, quando está desprovido de discernimento e maturidade, cai nas armadilhas do diabo, que está em plena atividade para tirar a autoridade do ministro. A palavra “laço” refere-se a “armadilha”. Essa palavra era usada para indicar algo que apanha animais. É importante ressaltar que as armadilhas do inimigo sempre existirão (1Pe 5.8). Sendo assim, o que pode mudar é a atitude do ministro, sendo vigilante e tendo conduta cristã exemplar (bom testemunho) diante de todos (Ef 6.11-12).

Diáconos (v. 8) – esta palavra e os termos relacionados aparecem aproximadamente 100 vezes no Novo Testamento e seu significado é “servo”, “ministro”.
Essa palavra ocorre na maioria das vezes num sentido geral, ou seja, para expressar trabalho ou obra. Normalmente, quando a Escritura usa essa palavra é para referir-se ao servo e não ao ofício. Alguns exemplos são:
A Escritura relata que Cristo veio para ser servo (diácono) e dar a vida por muitos (Mc 10.45);
Os serventes (diáconos) das bodas de Caná (Jo 2.5);
Ser servo (diácono) de Jesus é segui-Lo (Jo 12.26);
Existe o dom de ministério (diácono), mesmo não possuindo o cargo de diácono (Rm 12.7);
Os governantes são ministros (diáconos) de Deus (Rm 13.4);
Paulo e Apolo são servos (diáconos) de Deus (1Co 3.5);
Cristo não é ministro (diácono) do pecado (Gl 2.17).
Portanto, vemos nessas passagens, especialmente em João 12.26 e Romanos 12.7 que é papel de todo crente servir. O trabalho da igreja não deve ficar somente sob a responsabilidade dos presbíteros e diáconos. Não existem crentes espectadores, visto que todos fomos chamados para servir.

Qual o papel dos diáconos?
À princípio, os diáconos, no sentido técnico, eram auxiliares dos presbíteros (At 6.2-4), com a atribuição de servir as mesas. Esse significado expandiu-se com o tempo, vindo a compor todo tipo de tarefa administrativa, pois muitas outras surgiram com o tempo. Alguns exemplos são: Coleta de ofertas, distribuição de cestas básicas, decisões de manutenção do prédio, compra de móveis, instrumentos, prioridades orçamentárias, etc. Obs: Algumas questões envolvidas no ministério do diácono são levadas para decisão com toda a igreja. Esse tópico veremos quando tratarmos sobre governo na igreja (congregacional, presbiteriano, pluralidade de presbíteros, episcopal, etc).
Devemos ressaltar novamente que, assim como a mulher não é inferior ao homem, da mesma forma o diácono não é inferior ao presbítero. Ele é auxiliar do presbítero, sendo funcionalmente submisso ao presbítero. Isso não faz do diaconato uma tarefa menos nobre, pois cada ministério na igreja tem sua importância no corpo de Cristo.
Para fazermos distinção às duas funções podemos dizer que o presbítero é responsável pelo ensino doutrinário e pelo governo da igreja (1Tm 5.17) enquanto que os diáconos se preocupam com as questões administrativas da igreja, dentro do padrão ensinado e atribuído pelos presbíteros.

Qualificação dos diáconos
As qualificações dos diáconos são iguais à dos bispos em muitas questões. Entretanto, existe uma questão que precisa ser ressaltada.
O que difere presbíteros de diáconos é que o primeiro precisa ter aptidão no ensino (3.2) enquanto essa qualificação não é necessária ao segundo. Esta é a única qualificação que diferencia o presbítero do diácono, pois todas as outras são necessárias tanto aos obreiros quanto à todo membro da igreja.
O que talvez dê a impressão de existirem outras diferenças são as expressões distintas para citar as qualidades que o diácono deve ter. Entretanto, tratam-se de expressões similares, que vão dar ênfase as mesmas áreas a serem avaliadas. Vejamos algumas delas:
“Respeitáveis” – sérios, tanto no sentido mental quanto no caráter. A pessoa que tem essa qualidade gera naturalmente o respeito dos outros. Sendo assim, o diácono é aquele que trata os assuntos com a seriedade necessária. Ele não é tolo ou irreverente, tratando assuntos sérios como se fossem brincadeira.

“de uma só palavra” – “não de língua dupla”, “insincero”. Nesta passagem Paulo não está se referindo à fofoca, mas a pessoas que diz uma coisa para uma pessoa e outra diferente para outra para tirar proveito de alguma situação. Esse tipo de pessoa “afina” seu discurso de acordo com o público e seus interesses. Sendo assim, a pessoa é conhecida como “diplomática”, entretanto buscam agradar a homens e nesse sentido estão desqualificados para o ministério (Gl 1.10; 1Ts 2.3-6). Exemplo: O diácono que recolhe as ofertas e, por saber a quantia que cada pessoa contribui, tolera atitudes pecaminosas dos mais generosos ou mais ricos, entretanto, as pessoas menos favorecidas ou menos generosas são tratadas com intolerância. Ser parcial nos julgamentos desqualifica para o ministério.

“não inclinados a muito vinho” – essa qualificação vem com alguma diferença em relação aos presbíteros. Quando Paulo refere-se ao epíscopo ele declara que é necessário que o presbítero não seja “dado ao vinho” (3.3), ou seja, o pastor deve ter uma vida abstinente de bebida. Nesse momento, quando refere-se aos diáconos, a orientação é para que estes não sejam “inclinados a muito vinho”, que pode também ser traduzido como “voltar a mente para”, “ocupar-se com”.
Os diáconos foram instruídos a apreciar o vinho sem exageros. Isso não quer dizer que o diácono contemporâneo possa beber com moderação. A diferença existente é que no início do primeiro milênio o vinho era consumido misturado a grandes quantidades de água. Dependendo da concentração da bebida, poderia ser misturado a até vinte medidas de água.
John MacArthur em seu atigo “O uso do vinho na Escritura” comenta que “O vinho fermentado por meios naturais tem um conteúdo alcoólico de nove a onze por cento (…) o vinho não misturado dos antigos tinha um conteúdo alcoólico máximo de onze por cento. Mesmo que mesclado pela metade (uma mistura que segundo Menesiteo gerava demência), o vinho teria um conteúdo máximo de cinco por cento. Sendo que o vinho mais forte que se bebia normalmente era mesclado pelo menos em três partes de água por uma de vinho, o seu conteúdo alcoólico estaria numa categoria não superior a 2.25-2.75 por cento, muito abaixo a 3.2 por cento, o que é considerado atualmente como o parâmetro para classificar uma bebida como alcoólica[10]”. (Retirado do site www.monergismo.com)
O padrão que deve ser adotado em nossa época não deve ser o de beber com moderação mas de abster-se da bebida alcoólica. Visto que o vinho produzido atualmente possui grande teor alcoólico e haverem milhões de pessoas com vidas destruídas devido à dependência do álcool, o diácono é chamado a cumprir o princípio de não fazer o irmão tropeçar (Rm 14.21) e não ser motivo de escândalo (1Co 10.32). Portanto, o diácono não deve demonstrar tendência para com o vício do alcoolismo e zelar pelo seu testemunho, a fim de não escandalizar ninguém com suas atitudes.
“não cobiçosos de sórdida ganância” – Neste capítulo, esta orientação é dada aos diáconos, mas o presbíteros também devem possuir essa característica (Tt 1.7). “Cobiçosos de sórdida ganância” significa “ganho desonesto” ou “cobiça pelo dinheiro”.
Os diáconos já nos tempos de Paulo eram encarregados da coleta de ofertas, da distribuição de dinheiro para as viúvas e para os órfãos. As pessoas encarregadas dessa tarefa andavam com uma sacola e poderiam sentir-se tentadas a retirar uma quantia para si. Mesmo antes da existência do ofício de diácono, vemos que essa prática desonesta já existia (Jo 12.4-6). Como esse tipo de tentação é real, é necessário que o diácono seja uma pessoa digna de confiança e não ganancioso. O propósito do diácono em nenhum momento deve ser o enriquecimento ou ganhar dinheiro desonestamente.
Sabemos que atualmente existem melhores instrumentos de controle, como por exemplo o dinheiro que é depositado em conta corrente depois de conferido por duas pessoas, talão de cheque que precisa ser assinado por outra pessoa e autorizado por um grupo (líderes, ou em alguns casos toda a igreja), extratos discriminando gastos, etc. Entretanto, como o coração do homem é corrupto, novas maneiras de desviar o dinheiro da obra de Deus surgiram. Ex: Desviar dinheiro de retiros, almoços, campanhas, ficar isento de pagar passeios, lanches, etc.
“conservando o mistério da fé” – a Bíblia por diversas vezes refere-se a doutrina cristã como “mistério”. Normalmente, o Novo Testamento refere-se a alguma verdade divina, que antes estava oculta e agora tornou-se revelada usando a palavra “mistério”. O Novo Testamento revela a ação redentora de Cristo, algo que o Antigo Testamento não trazia de forma completa. Como exemplos podemos citar a encarnação de Cristo (1Tm 3.16), o evangelho da salvação (Ef 6.19; Cl 4.3) e o arrebatamento da igreja (1Co 15.51-52). O diácono deve conservar o conteúdo da doutrina cristã. Isso deverá ser feito através do conhecimento e propagação desse mistério. Portanto, mesmo o ministério do diácono sendo as questões administrativas da igreja, seu foco deve ser as questões espirituais da igreja refletidas no seu trabalho, visto ele não ser um mero administrador, mas um servo de Deus.
“com a consciência limpa” – a consciência do diácono deve estar limpa, ou seja, livre de acusação, pura moralmente. O ministro não deve apenas crer (Tg 2.19) mas também viver de acordo com os mistérios de Deus (Tg 1.22). A verdade é que, quanto mais conhecimento bíblico é adquirido, mais forte deve ser a consciência. Portanto, o diácono deve ser exemplo de santidade para todos os crentes, pois se a sua consciência está sendo trabalhada pela Palavra de Deus, o ministro está no processo de transformação à imagem de Cristo (2Co 3.18).

“experimentados” – essa palavra não quer dizer uma pessoa de idade, visto que já falamos ser Timóteo um jovem ministro (4.12). A palavra em questão refere-se a “aprovar”, “aceitar como comprovado”. Vemos marcas de aprovação em muitos momentos. Brinquedos com selo de qualidade (inmetro), remédios com aprovação do ministério da saúde, empresas com selo de qualidade, profissionais identificados por conselhos (medicina, engenharia, contabilidade, economia, etc). Enfim, a sociedade identifica aquilo que é considerado aprovado de acordo com um padrão.
Assim como em todo lugar existe um padrão de conduta aprovado, a igreja necessita de diáconos que sejam aprovados em suas atitudes. O candidato a obreiro é aprovado quando demonstra sua disposição em servir, além de sua reação madura diante do calor das dificuldades.
Aquele que almeja exercer o diaconato não precisa ser “veterano de igreja” no sentido de estar a várias décadas congregando, mas também não deve ser novo convertido. É necessário que o candidato já tenha passado por algumas situações de dificuldade dentro da igreja para que haja oportunidade de ser observada sua conduta nestas circunstâncias. Além das reações na igreja, é necessária uma observação sobre sua vida familiar e suas reações neste contexto. Um obreiro inexperiente e/ou hipócrita certamente trará grandes problemas à igreja.
Portanto, o obreiro deve ser experimentado, como a moeda que era testada a qualidade do seu metal (Pv 25.4; Is 1.22) e como Israel será salvo (Zc 13.9).
“se se mostrarem irrepreensíveis” (anegklhtoi) – Paulo coloca debaixo do mesmo padrão espiritual presbíteros e diáconos. O diácono deve ser livre de toda acusação justa, ou seja, ele não pode ter qualquer pendência relacionada àquilo que qualifica um obreiro, pois tal pendência seria um empecilho para um ministério aprovado por Deus. Visto que o bom nome da igreja não deve ser maculado, seus obreiros devem possuir caráter irrepreensível.
Certamente você já tem a imagem formada sobre políticos, pedreiros, mecânicos, advogados, policiais, etc. Muitas vezes, seu ponto de vista não se deve a profissão, mas as pessoas que trabalham nessas áreas e agiram de alguma forma peculiar. Isso fez com que você olhasse para aquela profissão de maneira particular, algumas delas ganhando sua simpatia, outras sendo olhadas com reprovação.
A igreja do Senhor Jesus deve ter uma vida reta, e para isso, seus ministros devem ter um caráter exemplar, pois o corpo de Cristo deve demonstrar seu caráter santo.
Quando as pessoas olham para a igreja, o que elas pensam? Quando olharem para a “nossa igreja”, o que pensarão? A escolha dos obreiros terá grande influência no que a sociedade pensará da igreja (1Pe 4.14-16).
“exerçam o diaconato” – Visto que existem sérias implicações na escolha errada de um diácono, Paulo coloca condições para a escolha do assistente. Dentro do ministério, o diácono deve ser constantemente provado quanto ao seu caráter e sua espiritualidade. Sua disposição no serviço cristão, sua seriedade, sua firmeza doutrinária, entre outras questões serão periodicamente analisadas.
Semelhantemente aos pastores, os diáconos não estão no cargo de forma vitalícia. Isso é muito claro quando vemos Paulo colocando as qualificações desse obreiro como condições para exercer o ministério. O ministro não poderá mais exercer o ministério quando for exortado, colocado no processo de disciplina e continuar descumprindo os requisitos bíblicos.

Quanto às mulheres, elas são diaconisas ou apenas esposas dos diáconos? (v. 11)
Alguns argumentos a favor do ofício de diaconisas:
As mulheres não são citadas quando Paulo refere-se aos presbíteros. Neste caso, não faria sentido referir-se apenas às esposas dos diáconos;
As qualificações colocadas neste versículo eram muito elevadas para serem apenas para as esposas dos diáconos;
Paulo não refere-se à diaconisas porque esse termo não existia na lingua grega. Sendo assim, caso Paulo usasse o termo diáconos, não haveria como fazer distinção entre homem e mulher. Portanto, o uso da palavra “mulher” é justificada (Como não existe termo grego para diaconisas, o mais correto seria dizermos mulher diácono);
Febe servia (Rm 16.1).
Alguns argumentos contrários ao ofício de diaconisas:
Paulo está fazendo referência às esposas dos diáconos, visto que as qualificações da mulher estão entre as qualificações do diácono. Caso fosse referir-se à diaconisas, Paulo abriria um parágrafo antes ou depois das qualificações dos diáconos e não no meio.
Os diáconos tinham um contato mais pessoal com as pessoas naquela época. Eles levavam mantimentos aos órfãos e viúvas, e na maioria das circusnstâncias era necessária a presença de sua esposa. Dessa forma, as qualificações da esposa deveriam ser evidentes e faziam parte da qualificação do diácono.
Esta é uma lista de qualificações muito pequena para ser considerada como necessária a um ofício;
Quando a Bíblia refere-se a Febe como uma pessoa que servia (Rm 16.1), está referindo-se a servir no sentido não técnico. Portanto, Febe era uma ajudante.
Conclusão:
Existem fortes argumentos para ambas as posições, entretanto, a que possui argumentos mais contundentes é a que refere-se à mulher como esposa do diácono.
Mesmo as pessoas que entendem que o texto está falando de diaconisas, nosso conselho é que haja discernimento no desenvolvimento desse ministério, pois como já frisamos, muitas igrejas confundem ou misturam o ofício de presbítero com o de diácono. Isso implicaria muitas vezes em igrejas pastoreadas e dirigidas por mulheres, o que é claramente contrário à Escritura (1 Tm 2.11-12).
É necessário enfatizarmos que estamos falando que a mulher não deve ser diaconisa no sentido oficial da igreja. Mesmo assim, ela deve ser uma serva do Senhor, pois não depende de um oficio para serví-lO.

Vejamos então a qualificação das esposas dos diáconos:
“respeitáveis” – sérias, tanto no sentido mental quanto no caráter. A pessoa que tem essa qualidade gera naturalmente o respeito dos outros. Sendo assim, a esposa do diácono é aquela que trata os assuntos com a seriedade necessária. Ela não é tola ou irreverente, tratando assuntos sérios como se fossem brincadeira.
“não maldizentes” – a palavra grega para essa palavra é “diabolos”, que também significa “caluniador”, “acusador”. Esta palavra também é usada para referir-se à satanás (Mt 4.1, 11). Assim como o diácono deve ser de uma só palavra (v. 8), sua esposa não deve ser caluniadora.
Para que um diácono seja qualificado em seu ministério, é necessário que sua esposa tenha domínio sobre a lingua, esforçando-se para não prejudicar pessoas com suas palavras. Um exemplo é a sabedoria em manter a discrição quanto à situação financeira que as pessoas se encontram, pois existe o perigo de exagerar na sua narrativa, bem como constranger as pessoas que estão envolvidas.
“temperantes” – a palavra no grego transmite a idéia do “estilo abstinente que as pessoas devem levar”, tendo o significado de “evitar intoxicação” (não somente de bebida alcoólica). A palavra temperante faz referência a intoxicação, não somente de vinho, mas de qualquer outra coisa, sendo comida um outro exemplo. Assim como o diácono não deve ser dado “a muito vinho”, sua esposa deve seguir o mesmo exemplo pois não há possibilidade de um homem exercer o diaconato se sua companheira de ministério não esta sóbria constantemente para emitir julgamentos sábios quanto às diversas situações da igreja.
“fiéis em tudo” – a mulher do diácono deve ser fiel em tudo, o que quer dizer que ela precisa ser digna de confiança. Isso é necessário, pois dentre outras funções, seu esposo trabalhará com distribuição de alimentos e coleta de ofertas na igreja. Visto serem atribuições que podem gerar tentações para desviar recursos, distribuição desigual, privilegiando parentes ou amigos mais próximos, é imprescindível que a esposa do diácono seja digna de confiança, não gerando nenhum tipo de suspeita devido ao seu caráter.
Conclusão: A esposa do diácono não é uma peça de decoração no ministério do seu marido. Ela participa ativamente desse ministério, com sua seriedade, sabedoria, temperança e fidelidade. A falta dessas características impossibilita que seu esposo exercite o ofício de diácono. Portanto, vemos nessa passagem que as qualificações não são atribuídas apenas aos líderes, mas também se estendem para sua família, bem como para toda a igreja, pois esta deve refletir o caráter de Cristo (1Co 11.1).

Diácono
Paulo retorna a expor as qualificações dos diáconos, expondo que o servo deve sser primeiramente exemplo em sua casa.
“marido de uma só mulher” – novamente acontece a reafirmação de um ministério masculino, pois esta qualificação é específica do homem, visto que a tradução literal do texto é “Homem de uma só mulher”. O texto não está falando que para ser diácono é necessário que o candidato seja casado. Entretanto, vemos aqui que a intenção de Paulo era destacar o casamento monogâmico, visto que naquela cultura eram comuns casos de poligamia e prostituição ritual. O diácono não pode ser divorciado nem “recasado”, pois não seria irrepreensível (3.10) caso estivesse nesta situação (Rm 7.2-3; 1Co 7.29). Além disso, é necessário que o diácono busque pureza de pensamentos, pois o adultério começa na mente (Mt 5.27-28).
“governe bem seus filhos e sua própria casa” – “presidir” , “ter autoridade sobre”. esposa e filhos, administração do dinheiro, etc. Paulo coloca a necesidade de haver uma administração da autoridade de pai que o diácono possui, bem como as demandas do lar, tais como, alimentação, roupas, etc.
Os filhos reconhecem essa autoridade e respondem com obediência bíblica (imediata, inteira, interna). A esposa é submissa ao marido e auxilia para uma vida harmônica no lar, sem colocar os filhos contra o pai ou tomando decisões precipitadas, desafiando a autoridade do marido e colocando a família em dificuldades financeiras.
Um bom governante administra todas as áreas da sua casa, inclusive a financeira. Uma má administração financeira no lar desqualifica o diácono, mesmo que ele seja atuante nas programações da igreja, dedicado pai de família e com esposa submissa. Fica claro neste versículo que o diácono precisa trabalhar um conjunto de qualidades, visando ser modelo de vida na igreja do Senhor Jesus, refletindo a imagem de Cristo na sua vida. Além disso, aquele não governa bem sua própria famíla não terá condições para ser um bom administrador das questões físicas da igreja, tais como: observar reformas prioritárias, distribuir de forma justa alimentos, ser sábio para avaliar a necessidade de comprar. Lembremos que o diácono é um observador e pode influenciar nas decisões a serem tomadas nas áreas administrativas da igreja.

“Pois os que desempenharem bem o diaconato alcançam para si mesmos justa preeminência”
Nesse versículo Paulo ressalta os resultados de ser um diácono qualificado. O resultado não está ligado a prosperidade ou reconhecimento dos homens. A Escritura declara que os diáconos aprovados “alcançam”, ganham, adquirem “para si mesmos justa preeminência”.
A palavra “preeminência” significa “passo”, “degrau”, como se o diácono fosse colocado um passo à frente ou um degrau acima. Paulo se refere dessa forma ao diácono fiel a Deus, pois trata-se de um ofício honroso e importante. Dessa forma, o diácono será exaltado por Deus bem como terá o respeito dos cristãos.
Portanto, a primeira promessa para o diácono aprovado inclui de forma inseparável a aprovação de Deus e o respeito dos cristãos por sua pessoa.
“e muita intrepidez na fé em Cristo Jesus” – o apóstolo também discorre sobre uma segunda promessa para o obreiro aprovado. A palavra “intrepidez” significa “ousadia no falar”, “confiança” “na fé em Cristo Jesus”. Sendo assim, o diácono fiel também é suprido de ousadia para testemunhar acerca da fé em Jesus Cristo. Isso nos mostra a responsabilidade que a igreja possui quando vai escolher um diácono para servir.
Conclusão acerca dos líderes na igreja:
• As qualificações do presbítero não se limitam a esta carta. A carta de Paulo enviada a Tito também possui qualificações para o bispo. É verdade que muitas delas são repetidas, entretanto, algumas qualificações são distintas, pois o autor procurou enfatizar questões diferentes devido ao contexto de cada igreja. Para fins de comparação, leia Tito 1.5-9 e observe o quadro comparativo na página seguinte. Além disso, vemos passagens que trazem ordens referentes a essas qualidades (p. ex. At 20.28; Hb 13.17; 1Pe 5.2).
• Pode-se perceber que as qualificações para presbítero e diácono são muito semelhantes. A maior diferença é que o bispo precisa ser apto para ensinar a doutrina bíblica (3.2). Mesmo assim, o diácono deve possuir firmeza doutrinária (3.9), pois como servo de Deus deve ser seguro no que se refere às doutrinas biblicas. Isso é necessário porque cada área da igreja deve ser conduzida com zelo e temor ao Senhor, inclusive a área administrativa, que faz parte da responsabilidade do diácono.
• A forma para a escolha dos diáconos não fica muito clara na Escritura. Deus não dá ênfase na forma de escolha, mas nas qualificações do diácono. Sigamos este princípio como exemplo, não nos prendendo a fórmulas para escolher o obreiro, mas tendo a preocupação de que este preencha as qualificações bíblicas de um servo aprovado por Deus.

Quadro comparativo das qualificações dos presbíteros em 1 Timóteo e Tito

1 Timóteo 3.2-7 Tito 1.6-9
“Irrepreensível” (3.2) “Irreprensível” (1.7)
“Esposo de uma só mulher” (3.2) “Marido de uma só mulher” (1.6)
“Temperante” [abstinente] (3.2) “Que tenha domínio de si” [abstinente] (1.8)
“Sóbrio” [exerce juízo correto] (3.2) “Sóbrio” [exerce juízo correto] (1.8)
“Modesto” [ordeiro] (3.2) ——————————————————
“Hospitaleiro” (3.2) “Hospitaleiro” (1.8)
“Apto para ensinar” (3.2) “Apegado à palavra fiel” (1.9)
“Não dado ao vinho” (3.3) “Não dado ao vinho” (1.7)
“Não violento” (3.3) “Nem violento” (1.7)
“Inimigo de contendas” (3.3) “Não irascível” (1.7)
“Não avarento” (3.3) “Nem cobiçoso de torpe ganância” (1.7)
“Governe bem a própria casa, criando os filhos…” (3.4) “Tenha filhos crentes” (1.6)
“Não seja neófito” (3.6) ———————————————–
“Bom testemunho dos de fora” (3.7) ———————————————–
———————————————- “Não arrogante” (1.7)
———————————————- “Amigo do bem” (1.8)
———————————————- “Justo” (1.8)
———————————————- “Piedoso” (1.8)

Quadro comparativo entre as qualificações dos presbíteros e diáconos em 1 Timóteo
Presbíteros Diáconos
1 Timóteo 3.2-7 1Timóteo 3.8-12
“Irrepreensível” (3.2) “Irrepreensíveis” (3.10)
“Esposo de uma só mulher” (3.2) “Marido de uma só mulher” (3.12)
“Temperante” [abstinente] (3.2) ————————————
“Sóbrio” [exerce juízo correto] (3.2) ————————————
“Modesto” [ordeiro] (3.2) “De uma só palavra” (3.8)
“Hospitaleiro” (3.2) ———————————–
“Apto para ensinar” (3.2) “Conservando o mistério da fé” (3.9)
“Não dado ao vinho” (3.3) “Não inclinados a muito vinho” (3.8)
“Não violento” (3.3) —————————————–
“Inimigo de contendas” (3.3) —————————————–
“Não avarento” (3.3) “Não cobiçosos de sórdida ganância” (3.8)
“Governe bem a própria casa, criando os filhos…” (3.4) “Governe bem seus filhos e sua própria casa” (3.12)
“Não seja neófito” (3.6) “Experimentados” (3.10)
“Bom testemunho dos de fora” (3.7) “Respeitáveis”, com os crentes e incrédulos (3.8)
———————————————- Esposas tementes a Deus (3.11)
Obs: Deve-se ficar atento a abrangência das palavras. Ex: A ausência na passagem sobre diáconos da qualificação “não violento” não quer dizer que o obreiro pode agir com truculência, pelo contrário, ele deve ser uma pessoa respeitável e irrepreensível. A necessidade dessas qualificações impede que o diácono possa agir de forma violenta.

LEITURA COMPLEMENTAR – MARK DEVER “NOVE MARCAS DE UMA IGREJA SAUDÁVEL” páginas 242-268.

Bibliografia
A Bíblia Anotada. Texto Bíblico: Versão Almeida, Revista e Atualizada. Notas de Charles Caldwell Ryrie: Tradução de Carlos Osvaldo Cardoso Pinto, – São Paulo: Mundo Cristão, 1994.
BROWN, Colin; COENEN, Lothar. Dicionário Internacional de Teologia do Novo Testamento, 2a. ed., 2 vols. São Paulo: Vida Nova, 2000.
CHAMPLIN, Russel Norman. O Novo Testamento Interpretado: Versículo por versículo: volume 5. São Paulo: Hagnos, 2002.
DEVER, Mark. Nove Marcas de Uma Igreja Saudável.São José dos Campos-SP: Fiel, 2007.
GRUDEM, Wayne A.. Teologia Sistemática. São Paulo: Vida Nova, 2006.
MACARTHUR Jr., John. Homens e Mulheres. Rio de Janeiro: Textus, 2001.
MERKH, David. Apostila de Lar Cristão. Atibaia: Seminário Bíblico Palavra da Vida, 2006.
NEWTON, Phil A.. Pastoreando a Igreja de Deus. São José dos Campos-SP: Fiel, 2005.
RYRIE, Charles Caldwell. Teologia Básica – Ao alcance de todos. São Paulo: Mundo Cristão, 2004.
STOTT, John. A Mensagem de I Timóteo e Tito. São Paulo: ABU Editora, 2004.

Artigo
“O uso do vinho na Escritura”, de John MacArthur, Jr. Tradução: Ewerton B. Tokashiki. Disponível em www.monergismo.com

Programa de computador
Bíblia on-line 2.0. SBB.

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