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Esta é a vida eterna: que te conheçam, o único Elohim verdadeiro, e a Yeshua o Messias, a quem enviaste. JOÃO 17:3
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Sacrifício Humano e Yeshua!

Sacrifício Humano e Yeshua! (Parte 1)
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Oferecer seres humanos, nomeadamente crianças, em holocausto a uma divindade, é uma das práticas pagãs mais antigas da história, e abomináveis para o Eterno, conforme vários textos das Sagradas Escrituras.

Este é um dos principais problemas apresentados pela maioria dos Judeus praticantes que não crêem que Yeshua seja o Mashiach, e também por anti-missionários:
Como é que Yeshua pode ter protagonizado um sacrifício pelo pecado quando o Eterno se opõe ao sacrifício humano na Sua Lei?” Normalmente reforçam esse argumento citando passagens como esta:

Levítico 18:21 E da tua semente não darás para a fazer passar pelo fogo perante Moloque; e não profanarás o nome de teu Elohim. Eu sou YHWH.

Levítico 20:1-5 Falou mais YHWH a Moisés, dizendo: Também dirás aos filhos de Israel: Qualquer que, dos filhos de Israel ou dos estrangeiros que peregrinam em Israel, der da sua semente a Moloque, certamente morrerá; o povo da terra o apedrejará com pedras. E eu porei a minha face contra esse homem e o extirparei do meio do seu povo, porquanto deu da sua semente a Moloque, para contaminar o meu santuário e profanar o meu santo nome. E, se o povo da terra de alguma maneira esconder os olhos daquele homem que houver dado da sua semente a Moloque e o não matar, então, eu porei a minha face contra aquele homem e contra a sua família e o extirparei do meio do seu povo, com todos os que se prostituem após ele, prostituindo-se após Moloque.

Deuteronómio 12:31 Assim não farás a YHWH, teu Elohim, porque tudo o que é abominável a YHWH e que ele aborrece fizeram eles a seus deuses, pois até seus filhos e suas filhas queimaram com fogo aos seus deuses.

“Fazer passar [o filho] pelo fogo perante Moloque”, é um eufemismo do sacrificar um filho ao deus Moloque (um dos muitos nomes de satanás no paganismo que exigia o sacrifício de crianças).

É clarividente que YHWH não deseja que sacrifiquemos os nossos filhos a Moloque, então como é que YHWH sacrificou o Seu próprio Filho por nós? Não seria estar a ir contra a Sua própria palavra no que ao tema diz respeito?

Quando Yeshua foi abordado pelos Saduceus, que lhe perguntaram sobre de quem seria a mulher após a ressurreição se ela tivesse tido sete maridos e nenhum filho de qualquer um deles, Yeshua responde-lhes que eles não conheciam nem a Palavra nem o Poder do Eterno, porque após a ressurreição, ninguém se dará em casamento como acontece agora (Mateus 22:23-33).

Yeshua contrapôs definitivamente as suas crenças ao falar no episódio da sarça-ardente (Êxodo 3:1-6), Ele disse que Elohim é Elohim dos vivos, não dos mortos, mostrando que todos os que morreram estão vivos para YHWH, isto não é difícil de entender, quando sabemos que o Eterno, é o provedor da vida, tendo Ele poder para fazer reviver qualquer um que tenha morrido.

Por essa razão é que a Palavra nos ensina que os que morreram, estão mortos numa perspectiva terrena, mas numa perspectiva mais elevada, apenas dormem no Senhor.

Quando Yeshua foi questionado hipocritamente pelos Fariseus sobre se um homem se podia divorciar da sua mulher por qualquer infracção (Deuteronómio 24:1-4), Yeshua respondeu-lhes perguntando-lhes o que dizia a Lei sobre isso.

Eles responderam que Moisés dá-lhes essa possibilidade, mas Yeshua diz-lhes que isso só foi permitido por causa da dureza dos seus corações (Mateus 19:3-9).

Aqui reside a chave de toda esta questão; a Torá, não se resume apenas aquilo que nós pensamos das leis e estatutos etc. A Torá pode ser, e é, usada pelo Eterno, neste caso através do Seu Filho, para nos mostrar algo que nós (tal como os Fariseus e os Saduceus antes de nós), não entendíamos até que Yeshua nos esclarecesse, e como essas existem outras questões que por vezes interpretamos de forma equivocada!

Esse conceito aplica-se também à ideia do Eterno ser capaz de sacrificar o Seu Filho Yeshua.

Quando o Eterno prova Abraão, ao pedir-lhe que sacrifique o seu único filho unigénito Isaque, sacrifício esse que se ficou pela intenção, não sendo consumado porque foi impedido por Yeshua (na qualidade de Anjo de YHWH – tantas vezes citado no Tanach), Ele providencia um substituto de Isaque, um carneiro.

Esta é uma sombra perfeita de YHWH a sacrificar o Seu Filho, o Cordeiro de Elohim, por nós.

Este entendimento poderá não convencer um judeu que negue Yeshua, mas esperamos que possa esclarecer os crentes de como é que Elohim pode sacrificar o Seu Filho por nós, apesar do que está escrito em Levítico 20, porque neste caso (ainda que sejam situações distintas), Génesis 22, que também faz parte da Torá, suplanta Levítico 20.

Assim como acontece com a proibição de trabalhar no Shabat (Êxodo 20:8-11; 31:12-17), que é suplantada quando um bebé judeu do sexo masculino, de 8 dias de idade, precisa de ser circuncidado (que é um trabalho) no dia de Shabat (João 7:21-24).

O sacrifício do Filho de Elohim, é parte do Plano divino desde o princípio, e demonstra como é que o Pai pode demonstrar o Seu amor pelo Seu outro Filho – Israel (Êxodo 4:22; Salmos 118:19-24; Jeremias 31:31-34; Romanos 16:25; 1ª Coríntios 2:7; Gálatas 6:16; Efésios 1:4; 2:12; 3:9; 1ª Pedro 1:20; Apocalipse 13:18; 17:8).

Bem diferente dos sacrifícios que eram feitos a Moloque, o sacrifício de Yeshua não é um sacrifício a um deus-pagão, e de facto, essa é apenas uma das várias diferenças, visto que um caso e outro, não têm qualquer tipo de ligação.

Além disso, inerente ao sacrifício do cordeiro(s) pascal no Egipto, porque foi um sacrifício que selou o Pacto entre YHWH e Israel, todos os outros são sacrifícios prescritos pela Torá, e os dois tipos de sacrifício pelo pecado encontrados na Torá estão lá, bem como os outros três tipos de sacrifício.

Inerente ao Pacto Renovado, o sacrifício de Yeshua como Cordeiro de Elohim, contempla todos os conceitos de sacrifício que encontramos nos sacrifícios prescritos pela Torá, os sacrifícios dos pecados intencionais, e não intencionais.

Portanto, SIM, o sacrifício de Yeshua tira (verdadeiramente) os nossos pecados, e purifica-nos de tal modo que o Espírito do Eterno pode habitar em nós (João 14:23), tal como no antigo Tabernáculo de Moisés, visando transformar-nos à imagem de Yeshua, o Cordeiro de Elohim.

Conclusão

Os textos normalmente utilizados para tentar desacreditar a validade do sacrifício de Yeshua, são forçosamente aplicados, quando na realidade são situações totalmente distintas.

Nesses textos, o Eterno condena uma prática pagã, de sacrificar os filhos no fogo como acto de adoração a uma divindade. Nunca o Eterno ordenou tão abominável prática, e disse para não O adorarmos da mesma forma que os pagãos adoravam aos seus deuses.

O que aconteceu no sacrifício de Yeshua, foi totalmente distinto. Foi o plano divino (e por isso perfeito) que o Eterno traçou (não os homens), para que todo aquele que crê não pereça, mas tenha a vida Eterna.

Nos sacrifícios a Moloque, os pagãos mataram um número incontável dos seus filhos como demonstração de devoção a um deus.

No sacrifício de Yeshua, é YHWH que demonstra o seu amor pela humanidade, e que através de um só sacrifício, demonstra que mais ninguém terá que passar pela morte (a segunda), contando que creiam na Perfeição dos Seus planos, e nAquele que Ele enviou.

Isaías 55:8 Porque os meus pensamentos não são os vossos pensamentos, nem os vossos caminhos, os meus caminhos, diz YHWH.

Romanos 11:33-36 Ó profundidade das riquezas, tanto da sabedoria, como da ciência de Elohim! Quão insondáveis são os seus juízos, e quão inescrutáveis, os seus caminhos! Porque quem compreendeu o intento do Senhor? Ou quem foi seu conselheiro? Ou quem lhe deu primeiro a ele, para que lhe seja recompensado? Porque dele, e por Ele, e para Ele são todas as coisas; Louvem-no, pois, a Ele eternamente. Amém!

Tiago Casimiro.

Sacrifício Humano e Yeshua (Parte 2)
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Na semana passada, fizemos uma curta abordagem que nos deu alguns tópicos relativamente à validade do Sacrifício de Yeshua diante de YHWH. Este estudo vem na sequência do estudo que publicámos na passada semana, como tal, consideramos pertinente a leitura da parte 1, para melhor entendimento do propósito e objectivo. Clique aqui para ler a primeira parte.

Um dos argumentos mais utilizados pelos anti-missionários, é que nem todas as ofertas pelo pecado, exigiam o derramamento de sangue. Para suportar tal teoria, os anti-missionários citam alguns exemplos do texto Sagrado, como os que se seguem

1º Argumento Anti-Missionário: Expiação pelo dinheiro

Êxodo 30:16 E tomarás o dinheiro das expiações dos filhos de Israel e o darás ao serviço da tenda da congregação; e será para memória aos filhos de Israel diante de YHWH, para fazer expiação por vossas almas.

Em primeiro lugar, em jeito de introdução, não podemos deixar de salientar que normalmente os anti-missionários trabalham com dois pesos e duas medidas, consoante a conveniência.

Por exemplo, os anti-missionários defendem acerrimamente que todo o texto deve ser lido dentro do devido contexto, que deve ser analisado como um todo, e que nunca deve ser lido de forma isolada.

Mas relativamente, a Êxodo 30:16, contrariam os seus próprios métodos, pois tiram o vs. 16 fora do contexto para tentar provar que a expiação aqui era feita pelo dinheiro. Nada mais longe da verdade. Vamos ler o texto dentro do seu contexto (como defendem os anti-missionários), e aí, não poderemos começar no vs. 16, mas sim no 12:

Êxodo 30:12 Quando tomares a soma dos filhos de Israel, conforme a sua conta, cada um deles dará a YHWH o resgate da sua alma, quando os contares; para que não haja entre eles praga alguma, quando os contares.

Êxodo 30:13 Isto dará todo aquele que passar ao arrolamento: a metade de um siclo, segundo o siclo do santuário (este siclo é de vinte geras ); a metade de um siclo é a oferta a YHWH

Êxodo 30:14 Qualquer que entrar no arrolamento, de vinte anos para cima, dará a oferta a YHWH.

Êxodo 30:15 O rico não aumentará, e o pobre não diminuirá da metade do siclo, quando derem a oferta a YHWH, para fazer expiação por vossas almas.

Êxodo 30:16 E tomarás o dinheiro das expiações dos filhos de Israel e o darás ao serviço da tenda da congregação; e será para memória aos filhos de Israel diante de YHWH, para fazer expiação por vossas almas.

Segundo a promessa a Abraão, não se poderiam contar os filhos de Israel de tão numerosos que seriam, cf. Génesis 15:5; 32:12. Aqui a questão de não poder implica “impossibilidade de”, contudo este texto mostra que também não se podia fazer também no contexto de “não ter permissão para” contar os filhos de Israel.

Quando o rei David o tentou fazer, veio uma praga sobre o povo, cf. 2 Samuel 24:1-10; 1 Crónicas 21:7.

Os filhos de Israel teriam que fazer duas coisas para evitar a praga. A primeira coisa é que cada um desse uma moeda e assim se poderiam contar as moedas em vez de contar o povo directamente. A segunda coisa é que essa moeda de prata serviria como um preço de resgaste, uma expiação para que não viesse a praga ao serem contados.

Supostamente aqui a expiação é feita por causa do dinheiro certo? Nada mais errado. O dinheiro que cada um dava, era unicamente para serem contadas as moedas, em vez deles mesmo, para assim integrarem o grupo dos que seriam expiados, e essa expiação é mencionada neste mesmo capítulo, e mais uma vez, não começamos a ler nem no 16, nem mesmo no 12, mas sim no 10:

Êxodo 30:10 E uma vez no ano Arão fará expiação sobre as pontas do altar com o sangue do sacrifício das expiações; uma vez no ano fará expiação sobre ele pelas vossas gerações; santíssimo é a YHWH.

A expiação efectiva dos pecados é sempre feita com derramamento de sangue.

2º Argumento Anti-Missionário: Expiação pelo incenso

Números 16:47 E tomou-o Arão, como Moisés tinha falado, e correu ao meio da congregação; e eis que já a praga havia começado entre o povo; e deitou incenso nele e fez expiação pelo povo.

Este texto de Números, vem na sequência do episódio da rebelião de Corá. Quando Arão queima o incenso no incensário, a praga cessa, provando que era Arão o escolhido pelo Eterno para o serviço de Sacerdócio. Aqui não está em causa o perdão efectivo dos pecados, mas sim parar a praga, e definir posições hierárquicas.

Vejamos mais uma vez este episódio dentro do seu contexto, como tal, comecemos pelo início:

Números 16:2-3 Levantaram-se perante Moisés com duzentos e cinquenta homens dos filhos de Israel, príncipes da congregação, eleitos por ela, varões de renome,

Números 16:3 e se ajuntaram contra Moisés e contra Arão e lhes disseram: Basta! Pois que toda a congregação é santa, cada um deles é santo, e YHWH está no meio deles; por que, pois, vos exaltais sobre a congregação YHWH?

Corá, Datã, Abirão e Om, num total de 250 homens dos filhos de Israel, cometeram o pecado de cobiça, pois queriam usurpar a Moisés e a Arão, o protagonismo que estes tinham diante do Eterno, conforme entendemos pelo texto de Números 16:

Números 16:5-7 E falou [Moisés] a Corá e a todo o seu grupo, dizendo: Amanhã pela manhã, YHWH fará saber quem é dele e quem é o santo que ele fará chegar a si; aquele a quem escolher fará chegar a si. Fazei isto: tomai vós incensários, Corá e todo o seu grupo; e, pondo fogo neles amanhã, sobre eles deitai incenso perante YHWH; e será que o homem a quem YHWH escolher, este será o santo; basta-vos, filhos de Levi.

Moisés transmite a Corá e aos outros rebeldes, que não seria ele, nem Arão a definir posições de autoridade, mas sim o próprio Eterno. Vejamos que Moisés não se inclui a si mesmo, entre aqueles que iriam fazer ofertas de incenso a YHWH, mas sim somente aqueles que pretendiam a posição privilegiada de Sacerdócio que era de Arão, e por isso inclui também Arão entre aqueles que fariam a oferta no incensário:

Números 16:16-17 Disse mais Moisés a Corá: Tu e todo o teu grupo, ponde-vos perante YHWH, tu, e eles, e Arão, amanhã. Tomai cada um o seu incensário e neles ponde incenso; trazei-o, cada um o seu, perante YHWH, duzentos e cinquenta incensários; também tu e Arão, cada qual o seu.

Os 250 “candidatos” (leia-se usurpadores), cada um dos quais queima o incenso diante de YHWH e o que acontece? Vamos ler:

Números 16:18-40 Tomaram, pois, cada qual o seu incensário, neles puseram fogo, sobre eles deitaram incenso e se puseram perante a porta da tenda da congregação com Moisés e Arão. Corá fez ajuntar contra eles todo o povo à porta da tenda da congregação; então, a glória de YHWH apareceu a toda a congregação. Disse YHWH a Moisés e a Arão: Apartai-vos do meio desta congregação, e os consumirei num momento. Mas eles se prostraram sobre o seu rosto e disseram: Ó Elohim, Autor e Conservador de toda a vida, acaso, por pecar um só homem, indignar-te-ás contra toda esta congregação? Respondeu YHWH a Moisés: Fala a toda esta congregação, dizendo: Levantai-vos do redor da habitação de Corá, Datã e Abirão. Então, se levantou Moisés e foi a Datã e a Abirão; e após ele foram os anciãos de Israel. E disse à congregação: Desviai-vos, peço-vos, das tendas destes homens perversos e não toqueis nada do que é seu, para que não sejais arrebatados em todos os seus pecados. Levantaram-se, pois, do redor da habitação de Corá, Datã e Abirão; e Datã e Abirão saíram e se puseram à porta da sua tenda, juntamente com suas mulheres, seus filhos e suas crianças. Então, disse Moisés: Nisto conhecereis que YHWH me enviou a realizar todas estas obras, que não procedem de mim mesmo: se morrerem estes como todos os homens morrem e se forem visitados por qualquer castigo como se dá com todos os homens, então, não sou enviado de YHWH Mas, se YHWH criar alguma coisa inaudita, e a terra abrir a sua boca e os tragar com tudo o que é seu, e vivos descerem ao abismo, então, conhecereis que estes homens desprezaram YHWH. E aconteceu que, acabando ele de falar todas estas palavras, a terra debaixo deles se fendeu, abriu a sua boca e os tragou com as suas casas, como também todos os homens que pertenciam a Corá e todos os seus bens. e todos os que lhes pertenciam desceram vivos ao abismo; a terra os cobriu, e pereceram do meio da congregação. Todo o Israel que estava ao redor deles fugiu do seu grito, porque diziam: Não suceda que a terra nos trague a nós também. Procedente de YHWH saiu fogo e consumiu os duzentos e cinquenta homens que ofereciam o incenso. Disse YHWH a Moisés: Diz a Eleazar, filho de Arão, o sacerdote, que tome os incensários do meio do incêndio e espalhe o fogo longe, porque santos são; quanto aos incensários daqueles que pecaram contra a sua própria vida, deles se façam lâminas para cobertura do altar; porquanto os trouxeram perante YHWH; pelo que santos são e serão por sinal aos filhos de Israel. Eleazar, o sacerdote, tomou os incensários de metal, que tinham trazido aqueles que foram queimados, e os converteram em lâminas para cobertura do altar, por memorial para os filhos de Israel, para que nenhum estranho, que não for da descendência de Arão, se chegue para acender incenso perante YHWH; para que não seja como Corá e o seu grupo, como YHWH lhe tinha dito por Moisés.

O Eterno YHWH destrói Corá e todos aqueles que foram influenciados por este, para provar que Arão era uma escolha Sua, e que ninguém fora da sua descendência deveria acender incenso a YHWH.

Todavia, essa não fora ainda prova suficiente para a congregação, levando a crer que a influência de Corá, era bem mais abrangente, não se limitando aos 250 homens, conforme podemos ler:

Números 16:41-50 Mas, no dia seguinte, toda a congregação dos filhos de Israel murmurou contra Moisés e contra Arão, dizendo: Vós matastes o povo de YHWH. Ajuntando-se o povo contra Moisés e Arão e virando-se para a tenda da congregação, eis que a nuvem a cobriu, e a glória do YHWH apareceu. Vieram, pois, Moisés e Arão perante a tenda da congregação. Então, falou YHWH a Moisés, dizendo: Levantai-vos do meio desta congregação, e a consumirei num momento; então, se prostraram sobre o seu rosto. Disse Moisés a Arão: Toma o teu incensário, põe nele fogo do altar, deita incenso sobre ele, vai depressa à congregação e faze expiação por eles; porque grande indignação saiu de diante de YHWH, já começou a praga. Tomou-o Arão, como Moisés lhe falara, correu ao meio da congregação (eis que já a praga havia começado entre o povo), deitou incenso nele e fez expiação pelo povo. Pôs-se em pé entre os mortos e os vivos; e cessou a praga. Ora, os que morreram daquela praga foram catorze mil e setecentos, fora os que morreram por causa de Corá. Voltou Arão a Moisés, à porta da tenda da congregação; e cessou a praga.

De que forma Moisés tenta resolver o problema? Da mesma forma que o povo iria perceber quem era o escolhido do Eterno para as funções de sacerdócio; através da queima do incenso. Quando Arão cumpre a ordem de Moisés, a praga cessa. Esse é o propósito da queima do incenso – cessar a praga.

O povo constata assim, que somente o incenso queimado por Arão, aplacaria a ira do Eterno, provando definitivamente à multidão incrédula, que era SIM Arão o escolhido.

Aqui não está em causa o perdão da congregação, mas sim o definir posições e hierarquias. É feita a referência a expiação, não como uma purificação dos pecados, mas sim como precedente para acabar com a praga.

Mais uma vez, a expiação da alma é sempre feita com derramamento de sangue.

Não porque o Eterno seja um sanguinário ou uma divindade sedenta de beber sangue, conforme as divindades pagãs, mas simplesmente, porque a vida está no sangue. O Eterno não carece de sangue, nem de nada, para nos perdoar, pois ele é auto-suficiente, e a sua misericórdia é imensurável. Mas nós precisamos do sangue para ser perdoados. Pois sendo nós carne, a nossa vida está no sangue, só pelo sangue podemos alcançar a vida e o perdão efectivo dos nossos pecados, pois essa é a forma prevista no Plano perfeito do Altíssimo para a Sua criação.

O Eterno determina a seu bel-prazer os critérios para perdão dos pecados, sem que seja necessária uma explicação lógica. A sua misericórdia é por si só suficiente para o perdão dos pecados, mas Ele definiu regras, e a Sua Palavra não muda, como tal, não ousemos contestar o que Ele delineou.

3º Argumento Anti-Missionário: Expiação pela farinha

Levítico 5:11 Porém, se as suas posses não lhe permitirem trazer duas rolas ou dois pombinhos, então, aquele que pecou trará, por sua oferta, a décima parte de um efa de flor de farinha como oferta pelo pecado; não lhe deitará azeite, nem lhe porá em cima incenso, pois é oferta pelo pecado.

Infelizmente, os anti-missionários, que alegadamente se pautam pela leitura contextualizada dos versículos, mais uma vez isolam textos para justificarem o injustificável.

Usam este texto de Levítico, para tentar provar que a expiação pode ser feita sem sangue. Antes de adentrarmos no texto, lembramos que segundo a Torá, diariamente (Êxodo 28:38; Números 28:3), semanalmente (Números 28:9-10), e anualmente (Êxodo 12; Levítico 16) eram feitos sacrifícios de sangue pela congregação.

Só por aí percebemos que tal sacrifício de farinha não demonstra ser suficiente para expiação. Mas até mesmo esse sacrifício de farinha, que se aplicava a alguém com poucos recursos, tem um pormenor interessante, e para nos apercebermos dele, mais uma vez não podemos isolar o texto; como tal, vamos ler o que se segue:

Levítico 5:12-13 Entregá-la-á ao sacerdote, e o sacerdote dela tomará um punhado como porção memorial e a queimará sobre o altar, em cima das ofertas queimadas a YHWH; é oferta pelo pecado. Assim, o sacerdote, por ele, fará oferta pelo pecado que cometeu em alguma destas coisas, e lhe será perdoado; o restante será do sacerdote, como a oferta de manjares.

O texto diz-nos que a o punhado de farinha se queimaria em cima das ofertas queimadas a YHWH. Que ofertas queimadas seriam essas? Certamente que seriam a das ofertas diárias, e essas pressupunham a oferta de sangue (Números 28:3-6).

Outro dado que não podemos ignorar, é que essa oferta de farinha seria para perdão de pecados específicos, pecados esses que são mencionado nos vs. 1-5 de Levítico 5. E mesmo esses pressupunham ofertas de sangue, caso não houvesse disponibilidade financeira para tal, é que como solução de recurso se ofereceria farinha, mas juntamente com “outras” ofertas queimadas a YHWH.

Outro argumento dos anti-missionários, é afirmar que os que crêem em Yeshua, não compreendem o objectivo do sistema sacrificial. Isso revela-se um problema, pois seria bom que os anti-missionários não ignorassem, que entre os crentes em Yeshua, existem muitos judeus que conhecem o sistema sacrificial tão bem ou mesmo melhor do que a maioria desses novos judeus anti-missionários, que são nada mais nada menos do que ex-cristãos.

Os anti-missionários afirmam que a oferta pelo pecado não tinham como propósito providenciar um substituto para o que fazia a oferta, ou para morrer no lugar deste(*), mas sim contemplava uma forma de punição ou compensação financeira pelo seu pecado, dado que abdicar de um dos seus animais, causaria um prejuízo.

Não deixa de ser um argumento interessante mas… e que tal se voltássemos ao Génesis?

Génesis 3:21 Fez YHWH Elohim vestimentas de peles para Adão e sua mulher e os cobriu.

O sangue de animais cobre os pecados, não os tira. E o texto de Génesis diz-nos que o Eterno cobriu-os com vestimentas de peles. Ainda que o texto não nos diga literalmente a origem dessas peles, é razoável concluir que foi sacrificado um animal ou mais para que com as peles desses animais, Adão e Eva fossem cobertos.

Percebemos pelo texto, que mesmo o primeiro pecado de Adão e Eva foi expiado pela morte de um animal, morte essa que era uma sombra, um prenúncio do sacrifício perfeito do Cordeiro que estava preparado desde a fundação do mundo.

Os anti-missionários por norma só se fazem valer da regra pshat do sistema PARDES, isto é, o significado literal do texto. E como eles não dão qualquer tipo de crédito aos Escritos Apostólicos (vulgo Novo Testamento), o conselho do apóstolo Shaul (Paulo) sobre o tema, para eles vale zero:

2 Coríntios 3:6 “o qual nos habilitou para sermos ministros de uma aliança renovada, não da letra, mas do espírito; porque a letra mata, mas o espírito vivifica”.

Nós também defendemos sempre o sentido literal do texto, mas não raras vezes, existe uma mensagem bem mais forte por trás da simplicidade de cada versículo, se assim não fosse, muitos textos não fariam sentido, e isso não é especulação, é o denominador comum daqueles que estudam as Escrituras.

Por exemplo, bem recentemente, chegou até nós um texto de um ex-crente em Yeshua, hoje um assumido anti-missionário, que dizia que as Escrituras devem ser lidas sempre dentro do seu contexto literal. No entanto, num outro estudo, o mesmo autor anti-missionário diz que o relato do Génesis não deve ser encarado de forma literal, mas sim como um relato alegórico, no sentido de desmistificar a existência de Satanás.

Dar uma no cravo e outra na ferradura, aplicar dualidade de critérios, e trabalhar com dois pesos e duas medidas, é cada vez mais uma característica intrinsecamente relacionada com os anti-missionários.

Não nos deixemos enganar. Somente através do sacrifício do Messias Yeshua, podemos reconciliarmo-nos com o Eterno, mas esse sacrifício só é válido para aquele que se arrepende verdadeiramente dos seus pecados, e se volta para o Eterno de todo o seu coração e de toda a sua alma, e com todas as suas forças.

Bendito seja o Altíssimo, e aquele que Ele Ungiu e colocou acima de toda a Sua criação.

Bendito seja YHWH, O Único Elohim Verdadeiro e provedor da vida, e bendito seja Yeshua, que foi constituído pelo Eterno, nosso Senhor e Salvador.

Continua na próxima semana…

Tiago Casimiro.
*) Poderíamos citar aqui vários midrashim, ou excertos do Talmude que mostram sob uma óptica judaica que o sacrifício dos animais implica uma substituição, já que o animal é sacrificado como um substituto do que faz a oferta. Essa é uma ideia bem conhecida e defendida pelo judaísmo rabínico. Mas como consideramos que as Sagradas Escrituras (A Bíblia) são por si só suficientes para provar a Verdade, não recorreremos a essas fontes.

Hebreus 6:4-6

Porque é impossível que os que já uma vez foram iluminados, e provaram o dom celestial, e se fizeram participantes do Espírito do Santo, e provaram a boa palavra de Elohim e as virtudes do século futuro, e recaíram sejam outra vez renovados para arrependimento; pois assim, quanto a eles, de novo crucificam o Filho de Elohim e o expõem ao vitupério.

Sacrifício Humano e Yeshua (Parte 3)
Uma das ideias mais promovidas pelos anti-missionários, é o facto da ideia de sacrifício humano para expiação de pecados, ser um conceito neotestamentário e cristão. Várias profecias que anteriormente eram encaradas pelo judaísmo como messiânicas, deixaram de ser para os anti-missionários, quando constataram que essas profecias tiveram o seu cumprimento em Yeshua.

À medida que uma pessoa sai do conforto das igrejas e se aprofunda nas raízes hebraicas da fé, ela depara-se com dilemas que jamais confrontara. Uma das questões que praticamente todos nós que estudamos a Torá já confrontámos, é se Yeshua foi ou não um sacrifício válido.

Muitos de nós fomos criados em lares cristãos, onde nos foi ensinado que Yeshua protagonizou um sacrifício… um sacrifício pelo pecado! E, claro (assim fomos ensinados), na medida em que ele fez um sacrifício; não mais precisamos de fazer sacrifícios.

Esse conceito foi tão enraizado nas nossas mentes, que nós nunca lhe demos a devida importância. E assim é até ao momento em que nos confrontamos com uma discussão sobre a Bíblia com outras pessoas que estudam como nós, e uma delas questiona de forma pertinente:

– Mas Deus não abomina o sacrifício humano???

Com esta é que não contávamos. “É claro que Yeshua fez um sacrifício, mas também é evidente que Deus odeia o sacrifício humano… mas…” E aqui temos o problema.

Deparamo-nos com duas posições distintas, e agora teremos que harmonizá-las. Se Deus abomina o sacrifício humano, e se Yeshua e os Seus seguidores clamam que Ele foi um sacrifício, então será Yeshua o Messias prometido? Mais, podemos confiar no “Novo Testamento” como sendo divinamente inspirado por Deus?

Nós fomos confrontados com isso, e sabemos que muitos de vós também o foram. Infelizmente para alguns, quando se confrontaram com isso, não estavam devidamente firmados na Palavra de Elohim para responder àqueles que colocaram essas questões.

À medida que nos aproximamos da época da Páscoa (Pêsach), é fundamental que compreendamos as Escrituras relativamente ao sacrifício humano, especialmente no que concerne ao Messias, o Cordeiro de Elohim.

Neste estudo, procuraremos demonstrar que Yeshua foi de facto um sacrifício. Diríamos até mais, Yeshua não foi apenas um sacrifício, mas sim “o” sacrifício, a verdadeira figura para a qual apontam todos os outros sacrifícios prescritos pela Torá.

Começaremos por perguntar se o sacrifício humano é ou não válido, e então esquadrinharemos as Sagradas Escrituras para perceber o que dizem sobre o sacrifício humano.

Para estudarmos este assunto, não podemos ignorar o sacrifício de Isaque, como tal, falaremos também sobre isso e depois faremos uma curta exposição sobre o que é que os antigos Judeus escreveram sobre o sacrifício humano. Por fim, iremos tentar entender porque é que Yeshua se sacrificou a si mesmo. Vamos lá então começar!

Yeshua nasce para salvar as pessoas dos seus pecados. Ao instruir Yosef (José) relativamente à sua noiva, o anjo disse:

Mateus 1:21 E ela dará à luz um filho, e lhe porás o nome de Yeshua, porque ele salvará o seu povo dos seus pecados.

Na cultura hebraica, é usual atribuir um nome respeitante à missão do seu portador. O nome Yeshua significa salvação, e é essa palavra que é usada no texto de Génesis 49:18 na profecia sobre as doze tribos de Israel, que diz:

“a tua salvação יְשׁוּעָה [Yeshuah] espero ó YHWH”.

Ao Messias é dado o nome de “Salvação” porque ele teria como missão salvar o povo do salário do pecado – a segunda morte.

Esta passagem de Mateus, é muitas vezes incompreendida, mas é suficientemente enfática para mostrar que Yeshua nasce para restaurar o Seu povo – Israel – de retorno à aliança que os seus ancestrais fizeram com o Eterno.

Mas como é que isso aconteceu? Terão sido a Sua morte e ressurreição suficientes para restaurar essa aliança? Se assim é, qual foi o propósito dos anos do seu ministério, e do tempo que ele passou a ensinar os que o seguiam, e as suas constantes viagens ao longo da Judeia e Samaria, e dos milagres e curas que lhe trouxeram notoriedade?

E, claro, por que razão é que Yeshua teve que passar por uma morte tão horrenda, se uma “simples” morte e enterro teriam cumprido os requisitos. É perfeitamente claro quando lemos os Escritos Apostólicos que a vida de Yeshua foi uma vida de sacrifício.

Mas, com todas as suas boas acções, todos os sacrifícios de tempo e energia despendida no sentido de trazer o povo de volta ao Eterno Seu Pai, ainda assim parecem ter sido insuficientes para livrar Israel do problema de ser exilado.

Esse aparente problema, de acordo com o profeta Isaías, foi o pecado:

Isaías 59:1-2 Eis que a mão de YHWH não está encolhida, para que não possa salvar; nem o seu ouvido, agravado, para não poder ouvir. Mas as vossas iniquidades fazem divisão entre vós e o vosso Elohim, e os vossos pecados encobrem o seu rosto de vós, para que vos não ouça.

Então, o que é que lida com o pecado? Sabemos de acordo com Romanos 6:23, que o salário do pecado é a morte, a menos que o sacrifício de sangue inocente possa expiar os pecados do povo.

Levítico 17:11 Porque a alma da carne está no sangue, pelo que vo-lo tenho dado sobre o altar, para fazer expiação pela vossa alma, porquanto é o sangue que fará expiação pela alma.

De acordo com o testemunho de judeus da época – os apóstolos (cujo testemunho é irrelevante para os anti-missionários) – Yeshua terá protagonizado esse sacrifício de sangue inocente.

Mateus 20:28 bem como o Filho do Homem não veio para ser servido, mas para servir e para dar a sua vida em resgate de muitos.

Ao que tudo indica, os escritores dos Escritos Apostólicos – o Novo Testamento – eram judeus, à excepção de Lucas, e estes judeus não viram qualquer problema em Yeshua ter sido um sacrifício, pelo menos no que diz respeito à Torá, e salientamos que alguns deles eram doutores da Lei, como era o caso de Shau’l (Paulo).

Mas hoje, esse é um problema para muitos! Então o que é que perdemos? YHWH odeia realmente o sacrifício humano? Se sim, por que razão Yeshua diz:

João 15:13 Ninguém tem maior amor do que este: de dar alguém a sua vida pelos seus amigos.

Este não é de todo um conceito estranho à Torá. Pois Moisés, que é considerado o maior profeta pelo Judaísmo, disponibilizou-se a sacrificar-se (morrer) pelo povo, para que a ira do Eterno não caísse sobre o povo:

Êxodo 32:32 Assim, tornou Moisés YHWH e disse: Ora, este povo pecou pecado grande, fazendo para si deuses de ouro. Agora, pois, perdoa o seu pecado; se não, risca-me, peço-te, do teu livro, que tens escrito.

Vamos reflectir por um momento. Certamente o leitor conhece casos, de pessoas que deram a sua vida por alguém. Não nos referimos a um polícia que foi alvejado no cumprimento do seu dever, ou de um soldado que morreu no campo de batalha, mas sim de alguém que saberia que ia morrer com o intuito de salvar a vida de outra pessoa.

Não precisamos de procurar muito para encontrar vários exemplos disso.

Em 2006, Ross McGinnis, um soldado americano destacado no Iraque, conduzia um veículo com quatro outros soldados, quando este foi atacado, tendo uma granada caído no veículo. No intuito de proteger os companheiros, Ross lançou-se para a granada e morreu de imediato quando esta explode.

Este jovem, de apenas 19 anos deu a sua vida pelos seus camaradas, e certamente nenhum de nós vê algo de errado nisso, antes pelo contrário, reputamos como nobre tal acto.

Outro exemplo, que de quando em quando, nos lembramos, principalmente quando lemos algo sobre o assunto, ou vemos documentários sobre o holocausto, vemos num dos episódios da série televisiva de 1983 intitulada “Winds of War” – “Ventos de Guerra”.

A cena passa-se num campo de concentração alemão onde dois meninos judeus pregam uma partida ao comandante alemão. Ele chama todos os ocupantes de uma barraca para se alinharem na rua no sentido de identificar quais os responsáveis pela brincadeira. Momentos antes dos jovens serem fuzilados, dois homens judeus pedem para ser mortos na vez dos meninos, poupando assim a vida das crianças. Esses homens sacrificaram-se a si mesmos pela vida dos meninos.

Obviamente que nenhum de nós terá qualquer problema com o sacrifício humano, desde que a pessoa ofereça voluntariamente a sua vida por outra. Na verdade, isso acontece algumas vezes, especialmente em tempos de guerra. Então surge a pergunta; porque é que Deus proíbe isso na Torá… se é que o faz?

Como já vimos na primeira parte desta sequência de estudos, na instrução de YHWH a Israel existem algumas referências a sacrifício humano. Com excepção do sacrifício de Isaque, todas elas têm um denominador comum, que devemos ser capaz de identificar abaixo:

Levítico 18:21 E da tua semente não darás para a fazer passar pelo fogo perante Moloque; e não profanarás o nome de teu Elohim. Eu sou YHWH.

Levítico 20:2 Também dirás aos filhos de Israel: Qualquer dos filhos de Israel, ou dos estrangeiros que peregrinam em Israel, que der de seus filhos a Moloque será morto; o povo da terra o apedrejará.

Deuteronómio 12:31 Não farás assim a YHWH, teu Elohim, porque tudo o que é abominável a YHWH e que ele odeia fizeram eles a seus deuses, pois até seus filhos e suas filhas queimaram aos seus deuses.

Deuteronómio 18:10 Não se achará entre ti quem faça passar pelo fogo o seu filho ou a sua filha, nem adivinhador, nem prognosticador, nem agoureiro, nem feiticeiro;

Como podemos ver, em todos estes casos de sacrifício humano, eram respeitantes ao sacrifício de crianças, e eram sacrifícios a outros deuses. Na verdade, em todos os casos de abomináveis sacrifícios humanos relatados no Tanach, as vitimas eram crianças… nunca se oferecia a mulher, o irmão, o tio ou o pai!

Agora vejamos, por que razão não ofereciam parentes adultos? Seria pelo facto dos adultos não quererem ser sacrificados? E se eles não estavam dispostos a morrer para apaziguar o deus de outra pessoa, a única forma era forçá-los a subir ao altar. Então, se não conseguiam arranjar adultos voluntários para serem sacrificados, como é que eles resolviam? Iam buscar alguém que não tivesse autodomínio – uma criança.

Uma criança não é um sacrifício voluntário, mas é pequena o suficiente para ser forçada pelos seus “amados” pais.

De acordo com a arqueologia, a maioria dos ossos humanos encontrados em antigos altares de sacrifício, eram de crianças.

Vamos ler mais algumas passagens que nos ajudarão a compreender a razão pela qual YHWH proíbe esses sacrifícios. Mais uma vez, vamos atentar para o factor comum.

Salmos 106:34-38 Não exterminaram os povos, como YHWH lhes ordenara. Antes, se misturaram com as nações e lhes aprenderam as obras; deram culto a seus ídolos, os quais se lhes converteram em laço; pois imolaram seus filhos e suas filhas aos demónios e derramaram sangue inocente, o sangue de seus filhos e filhas, que sacrificaram aos ídolos de Canaã; e a terra foi contaminada com sangue.

Ezequiel 23:37 Porque adulteraram, e sangue se acha nas suas mãos; com os seus ídolos adulteraram, e até os seus filhos, que de mim geraram, fizeram passar pelo fogo, para os consumirem.

Jeremias 19:4-5 Porquanto me deixaram, e profanaram este lugar, e nele queimaram incenso a outros deuses, que nunca conheceram, nem eles, nem seus pais, nem os reis de Judá; e encheram este lugar de sangue de inocentes. Porque edificaram os altos de Baal, para queimarem seus filhos em holocausto a Baal; o que nunca lhes ordenei, nem falei, nem subiu ao meu coração.

O factor comum destas passagens é que quando alguém oferece o seu filho em sacrifício, ela derrama sangue inocente, que de acordo com as Escrituras é homicídio.

Deuteronómio 19:11-13 Mas, havendo alguém que aborrece a seu próximo, e lhe arma ciladas, e se levanta contra ele, e o fere na vida, de modo que morra, e se acolhe em alguma dessas cidades, então, os anciãos da sua cidade mandarão, e dali o tirarão, e o entregarão na mão do vingador do sangue, para que morra. O teu olho o não poupará; antes, tirarás a culpa do sangue inocente de Israel, para que bem te suceda.

Portanto, de acordo com YHWH, quando uma pessoa toma o seu filho, mata-o, e depois o oferece em holocausto no altar, como acontecia nos casos de adoração a Moloque e em outras religiões pagãs, essa pessoa está na verdade a assassinar o filho porque a criança não toma uma decisão consciente, educada e voluntária para se oferecer a si mesma. Essa é a razão pela qual o Eterno considera o sacrifício de crianças uma abominação.

Mas YHWH abomina o sacrifício de um adulto? Isso depende, claro, da vontade da vítima sacrificada. Se a vitima não se predispõe a ser sacrificada, mas é forçada contra sua vontade a ser sacrificada, isso é conotado como homicídio.

Tanto quanto sabemos, não existem casos desses nas Escrituras. Por outro lado, existem pelo menos dois exemplos de adultos predispostos a serem um sacrifício, um desses, claro, é o Messias Yeshua, e o outro é Isaque, ainda que não haja base bíblica para afirmar categoricamente que Isaque foi um sacrifício voluntário, o facto é que a narrativa bíblica, dá boas bases para crermos nessa ideia, como veremos.

Vamos atentar primeiro para o sacrifício de Isaque, que no Judaísmo é chamad “akedah”, ou “Atadura de Isaque”. A história encontra-se no capítulo 22 de Génesis, tendo início no vs. 1 e continuando até ao vs. 19, resumindo a história temos:

YHWH diz a Abraão para tomar o seu único filho (o único da promessa) Isaque e oferecê-lo como oferta queimada no Monte Moriá (Jerusalém actual). Abraão, juntamente com Isaque e dois dos seus mancebos, levantam-se na manhã seguinte para fazer o que YHWH ordenou, levando lenha num jumento. No terceiro dia de viagem, Abraão avista o Monte Moriá à distância, retira a lenha do jumento e coloca-a nas costas de Isaque, e diz aos seus servos para aguardarem, porque ambos retornariam.

Vamos fazer aqui uma pausa, e reflectir sobre o que se passou até aqui. Abraão carregou lenha suficiente num jumento para queimar o corpo de um adulto. Então, após três dias de viagem, ele transporta toda a carga para o seu filho.

Apesar de não sabermos exactamente a idade de Isaque, tudo indica que Isaque era adulto, a rondar os 20/30 anos. De acordo com algumas fontes judaicas, ele teria mais de 30 anos. Mas mais importante do que a sua idade, é compreender que ele seria forte o suficiente para subir uma montanha com pelo menos 70 quilos de lenha às costas.

Obviamente que ele não era uma criança, mas sim, um robusto jovem – certamente bem mais forte que o seu velho pai que teria mais de 120 anos. Continuemos;

Abraão e Isaque continuaram a subir a montanha, Isaque carregava cerca de 70 quilos de lenha e Abraão levava a faca e o “fogo”, mas Isaque parece confuso… Ele sabia que, uma vez chegando ao destino, rapidamente construir-se-ia um altar, colocar-se-ia a lenha no altar, e então o seu pai rapidamente e de forma indolor cortaria o pescoço de um cordeiro inocente. Após o sangue ser drenado, tomaria o cordeiro, colocá-lo-ia no altar, e pegar-lhe-ia fogo. Provavelmente Isaque já teria visto antes isso centenas de vezes. Mas, à medida que aproximam do topo da montanha, o seu pai ainda não tinha adquirido um cordeiro. Então ele pergunta – “Pai, temos a lenha e o fogo, mas onde está o cordeiro para o sacrifício? Abraão responde que YHWH proveria.

Ainda que o texto não o diga, é razoável assumirmos neste ponto, que Abraão começou a explicar a Isaque o que iria acontecer, e que Isaque aceitara o seu destino. Por outro lado, Isaque poderia ter dito que não! Cremos que quando Abraão disse a Isaque aquilo que lhes era exigido, Isaque terá compreendido que ele seria o protagonista da maior profecia de todos os tempos.

As coisas começavam a fazer sentido. Ele sabia que era o resultado de um nascimento milagroso, uma criança especial. Ele apercebeu-se que era diferente, pois os pais dos seus amigos de infância eram jovens, enquanto os seus tinham mais de 100 anos.

O seu pai certamente ter-lhe-á contado sobre todas as vezes em que YHWH veio em seu socorro, quando o ajudou na batalha dos cinco reis, quando salvou o seu sobrinho Lot, e como YHWH respondeu às suas preces por um filho; Ele também estava bem ciente do facto de que havia enormes profecias e promessas feitas de que ele teria um filho do seu casamento.

À medida que ele e o seu pai continuaram a subir a montanha, ele provavelmente constatou que se voluntariamente se deitasse no altar, que ele mesmo se preparava para erguer, o seu pai seria glorificado, e ele, após um curto sono, vê-lo-ia novamente.

Como tal, Isaque concordou em levar tal propósito até ao fim, como um sacrifício voluntário, para o bem de seu pai, e para a esperança das gerações futuras. Assim como Abraão amarrou o seu filho e se preparou para o sacrificar, YHWH enviou um anjo para o impedir, e providenciou um carneiro, para ser sacrificado no lugar de Isaque.

Existe um estudo de um autoproclamado anti-missionário, que apresenta uma leitura alternativa do episódio da “atadura de Isaque”, apresentado a história sob uma diferente perspectiva.

Segundo o autor desse estudo, Abraão não se nega a sacrificar Isaque, pois essa era uma prática bem familiar para ele, na medida em que ele vinha da terra dos caldeus, terra essa onde a prática de sacrifício humano era bastante usual.

Por essa razão Abraão não estranha o pedido de YHWH, pois ainda não estava verdadeiramente convertido, e pensava que sacrificando o seu filho, agradaria a YHWH.

Assim sendo, YHWH estaria a testar Abraão quando lhe dá essa ordem, com o propósito de Abraão recusar-se a praticar tal acto. Segundo o autor desse estudo, YHWH pretendia que Abraão retaliasse com ele, tal como fez quando YHWH disse que iria destruir Sodoma. Mas para “desgosto” de YHWH, Abraão não contestou tal ordem, pois, segundo o autor, tinha ainda o seu coração ligado às suas origens.

Abraão teria assim reprovado no teste que YHWH lhe fez, e por isso mesmo, YHWH tem que intervir para impedir Abraão de cometer tal acto hediondo…! Nesse mesmo estudo, o autor chega ao ponto de defender a ideia, de que o anjo que impede Abraão de cometer tal acto, é na verdade o próprio discernimento de Abraão, isto é, a voz de YHWH que lhe fala ao coração e lhe diz: “que absurdo vais tu fazer? Eu não quero que faças nada disso, quero que percebas por ti mesmo que fazer isso é errado…”

Ainda nesse mesmo estudo, o autor afirma que Abraão é abençoado por ter tido o discernimento de parar a tempo de cometer um crime aos olhos de YHWH.

Não deixa de ser uma visão interessante, mas o problema é que tal estudo, tem como único objectivo desacreditar Yeshua como sendo o Messias, dado que os crentes em Yeshua afirmam que o sacrifício de Isaque é uma sombra do que viria a acontecer com Yeshua.

Essa seria sim uma leitura alternativa, se não existisse o vs. 16 e 18 do capítulo 22 que diz:

“e disse: Por mim mesmo, jurei, diz YHWH, porquanto fizeste esta acção e não me negaste o teu filho, o teu único (…) E em tua semente serão benditas todas as nações da terra, porquanto obedeceste à minha voz”.

A que ordem se referem os vs. 16 e 18 de Génesis 22? Logicamente que é à ordem dada no vs. 2:

“Toma teu filho, teu único filho, Isaque, a quem amas, e vai-te à terra de Moriá; oferece-o ali em holocausto, sobre um dos montes, que eu te mostrarei”.

Os vs. 16 e 18, derrubam a leitura alternativa apresentada pelo autor anti-missionário, pois demonstram que Abraão vê a promessa ser renovada pelo facto de ter obedecido à voz do Eterno, não se negando, nem mesmo sequer a oferecer o seu próprio filho, uma vez que era uma ordem de YHWH.

A visão apresentada pelo autor do livro de Hebreus (que para os anti-missionários não tem qualquer tipo de legitimidade), é na verdade a correcta:

Hebreus 11:17-18 “Pela fé, ofereceu Abraão a Isaque, quando foi provado, sim, aquele que recebera as promessas ofereceu o seu unigénito. Sendo-lhe dito: Em Isaque será chamada a tua descendência, considerou que Elohim era poderoso para até dos mortos o ressuscitar”.

Vamos agora olhar para o outro sacrifício voluntário que encontramos nas Escrituras, que diz respeito ao Messias Yeshua.

Yeshua sabia que desempenharia o papel central de todas as profecias e todas as promessas feitas pelo Seu Pai. Ele também sabia que a sua missão na terra na sua primeira vinda, chegaria a um final. Por essa razão, na noite em que foi traído, Yeshua orou:

João 17:1 Tendo Yeshua falado estas coisas, levantou os olhos ao céu e disse: Pai, é chegada a hora; glorifica a teu Filho, para que o Filho te glorifique a ti.

Yeshua ofereceu-se a si mesmo como um sacrifício voluntário – quando o prenderam, ele não resistiu, e no seu julgamento, ele não se defendeu.

Então porque é que Yeshua foi um sacrifício voluntário, e o povo judeu na época do seu ministério consideraram ofensivo o que ele fez? Vamos ver algumas passagens das Escrituras, bem como alguns testemunhos judaicos no sentido de encontrar uma resposta cabal para essas questões.

Os esclarecimentos mais óbvios encontram-se nos evangelhos. Sabemos que o Sumo-Sacerdote na época do julgamento de Yeshua acreditava que uma pessoa morreria para não perecer toda uma nação. João regista esse facto relativamente ao Sumo-Sacerdote:

João 11:49-50 Caifás, porém, um dentre eles, sumo-sacerdote naquele ano, advertiu-os, dizendo: Vós nada sabeis, nem considerais que vos convém que morra um só homem pelo povo e que não venha a perecer toda a nação.

Nesta passagem, Caifás expressa que uma pessoa teria que morrer em benefício do povo como um todo – um pensamento familiar para o judaísmo do primeiro século.

De onde vem essa ideia? Recordemos o exemplo do soldado que se atirou para a granada. Ele deu a sua vida, e assim salvou a vida de outros quatro. Se uma pessoa pode oferecer a sua vida para salvar a vida de outros tantos, não é esse um acto nobre e meritório?

Lembremos também mais uma vez o exemplo de Moisés, que após o pecado com o bezerro de outro, ofereceu a sua vida eterna em prol do perdão de Israel:

Êxodo 32:32 Assim, tornou Moisés YHWH e disse: Ora, este povo pecou pecado grande, fazendo para si deuses de ouro. Agora, pois, perdoa o seu pecado; se não, risca-me, peço-te, do teu livro, que tens escrito.

Mas sem sombra de dúvidas, a maior referência do Tanach de sacrifício voluntário, está em Isaías 53 – que até à expansão do cristianismo, era vista pelos judeus como uma profecia messiânica.

Surpreendentemente deixou de o ser quando os cristãos apresentaram Jesus Cristo como o Messias. Hoje, os anti-missionários afirmam que o servo sofredor de Isaías 53 é Israel, mas uma análise contextualizada desse capítulo, demonstra que Israel nunca pode ser a figura do servo sofredor.

Isaías 53:5, 10-11 Mas ele foi ferido pelas nossas transgressões e moído pelas nossas iniquidades; o castigo que nos traz a paz estava sobre ele, e, pelas suas pisaduras, fomos sarados (…) Todavia, a YHWH agradou o moê-lo, fazendo-o enfermar; quando a sua alma se puser por expiação do pecado, verá a sua posteridade, prolongará os dias, e o bom prazer de YHWH prosperará na sua mão. O trabalho da sua alma ele verá e ficará satisfeito; com o seu conhecimento, o meu servo, o justo, justificará a muitos, porque as iniquidades deles levará sobre si.

Não iremos hoje incidir sobre Isaías 53, pois consideramos que esse capítulo por si só exige um estudo inteiramente dedicado ao tema, mas prometemos fazê-lo a curto prazo, onde apresentaremos os argumentos utilizados pelos anti-missionários, e a respectiva refutação.

A passagem de Isaías 53, tem sido nos últimos 2 mil anos um problema para os rabinos porque fala de um justo que dá a sua vida para limpar Israel dos seus pecados. Portanto, quando eles discordam do chamado conceito “cristão” de sacrifício voluntário, estão na verdade a discordar do Tanach.

Michael Brown é um judeu que pouco depois do seu bar-mitzvá, contestou o judaísmo e mostrou o seu lado mais vil, por assim dizer. Aos 16 anos tornou-se um crente no Messias Yeshua, e devido às várias tentativas levadas a cabo pelos seus pais e pelos rabinos de trazê-lo de volta ao judaísmo, ele decidiu apresentar respostas bíblicas a todas as suas objecções.

Isso culminou numa compilação literária de quatro volumes intitulada “Respondendo a objecções judaicas sobre Jesus”.

No terceiro volume dessa compilação, ele tenta responder às objecções judaicas sobre o sacrifício voluntário, usando como referência escritos judaicos, um deles o Zohar – a enciclopédia do Judaísmo místico. Salientamos novamente que não consideramos o Zohar ou qualquer outro volume da Cabala uma referência, antes pelo contrário, consideramos que muitos dos seus ensinamentos são altamente desviantes. Todavia, se o citamos, é para que os leitores entendam que tais conceitos, não são estranhos ao judaísmo, como os anti-missionários querem fazer crer, antes pelo contrário, são o baluarte de muitas doutrinas do judaísmo rabínico.

Michael Brown cita o Zohar dizendo:

“Os filhos do mundo são membros uns dos outros, e quando o Altíssimo deseja curar o mundo, Ele fere um homem justo entre eles, e por causa desse, cura tudo o resto. De onde é que aprendemos isso? Pelo que foi dito: ‘Ele for ferido por causa das nossas transgressões, e moído por causa das nossas iniquidades…’ No geral, um justo só é ferido no sentido de obter a cura e o perdão de toda uma geração”.

Michael também cita outra fonte ainda mais familiar da literatura judaica – o livro dos Macabeus, que relata a história do povo Judeu desde o ano 300 AEC até ao ano 100 AEC que foi escrito provavelmente um século antes do nascimento de Yeshua.

Registado no livro estão várias orações que se crê terem sido feitas por muitos dos mártires judeus na sua luta contra o exército Selêucida (o exército de Antíoco Epifânio). Michael escreve:

“Está escrito que eles oraram ‘faz do nosso castigo uma expiação para eles. Torna o meu sangue a purificação deles e toma a minha alma como resgate das suas almas’ (4 Macabeus 6:28-29). Sobre esses mártires justos é registado: ‘Eles tornaram-se com um resgate pelo pecado da nação, e pelo sangue desses homens justos e a propiciação das suas mortes, a Providência Divina livrou Israel’ (4 Macabeus 17:22).

Portanto, o conceito de sacrifício voluntário para salvar a nação e perdoar os seus pecados não é de todo estranho para o judaísmo do primeiro século. Portanto, o povo da época, entendia perfeitamente o que Yeshua quis dizer quando fez declarações como as seguintes:

Marcos 10:45 Porque o Filho do Homem também não veio para ser servido, mas para servir e dar a sua vida em resgate de muitos.

João 10:14-18 Eu sou o bom Pastor, e conheço as minhas ovelhas, e das minhas sou conhecido. Assim como o Pai me conhece a mim, também eu conheço o Pai e dou a minha vida pelas ovelhas. Ainda tenho outras ovelhas que não são deste aprisco; também me convém agregar estas, e elas ouvirão a minha voz, e haverá um rebanho e um Pastor. Por isso, o Pai me ama, porque dou a minha vida para tornar a tomá-la. Ninguém ma tira de mim, mas eu de mim mesmo a dou; tenho poder para a dar e poder para tornar a tomá-la. Esse mandamento recebi de meu Pai.

Então por que razão o fez? Ele fê-lo para resgate, ou melhor – para resgatar as suas ovelhas. E quem são as ovelhas? Os Filhos de Israel – tanto Judá (o rebanho que estava próximo) como Israel (o rebanho disperso).

Ele não morreu para resgatar Israel como muitos afirmam. Ele morreu por ambas as casas – Israel e Judá. Ambas venderam-se à depravação espiritual e ambas necessitavam de um salvador que pagasse para os trazer de volta. Mas em vez de os comprar com dinheiro, Yeshua tornou-se o preço de resgate ao dar a sua vida para expiar os seus pecados. Assim não sendo, há muito que a humanidade teria sido extinta.

Isaías 52:3 Porque assim diz YHWH: Por nada fostes vendidos; também sem dinheiro sereis resgatados.

Tanto Judá como Israel precisavam de redenção, e ambos foram redimidos pelo sangue do Cordeiro, tal como o foram na primeira Páscoa. Só as casas que tinham o sangue do cordeiro nas portas, foram poupadas.

É interessante notar que a palavra hebraica para “curar” é “rafah” em hebraico הפָָּּר palavra #7495 da Concordância de Strong, a palavra raiz que de acordo com o Léxico do Antigo Testamento Gesenius deriva não se um significado pictográfico, mas do som de uma pessoa a costurar rapidamente.

Na verdade, o seu significado literal é “costurar juntos”. Isso encaixa perfeitamente no propósito de Yeshua, que ajunta os pedaços de tecido que em tempos foram rasgados (1 Reis 11:30) – Judá e Israel – costurando-os novamente num único pedaço.

O Eterno é bem mais comprometido com o Seu povo do que a forma que nós imaginamos. O povo que Ele chamou do Egipto há 3500 anos, o povo que Ele designou para uma missão única, é o mesmo povo que Ele chamou no primeiro século, e também o mesmo povo que Ele chama nos dias de hoje.

No livro de Efésios, Paulo escreve muito sobre as relações familiares, especialmente a relação existente entre o homem e a sua esposa. Ele dirige a maior parte dos seus conselhos aos homens. No capítulo 5 ele diz-lhes:

Efésios 5:25 “Vós, maridos, amai as vossas mulheres, como também o Messias amou a Congregação e se entregou a si mesmo por ela”.

Este conselho é habitualmente interpretado da seguinte forma: Yeshua (o Messias) deu a sua vida pela noiva, e que os maridos devem amar as suas mulheres de tal forma que deveriam fazer o mesmo.

Mas pensemos um pouco… a maioria dos homens não daria a sua vida pela sua esposa? Quantas vezes, quando olhamos para a nossa mulher, a nossa companheira de sempre, ou mesmo para os nossos filhos a passar por momentos de angústia e sofrimento, sentimos o desejo de trocar de lugar com eles.

Quantos homens, que amam verdadeiramente as suas mulheres, ficariam em silêncio e agiriam passivamente ao verem a sua mulher ser atormentada ou maltratada? Certamente nenhum! Em vez disso, qualquer homem faria tudo o que estivesse ao seu alcance para a proteger e a salvar, mesmo ao ponto de até perder a sua vida se fosse o caso. É dessa matéria que nós homens somos feitos!

Portanto, se Yeshua é (como muitos crêem) aquele que desposou Israel no Sinai (como mandatário do Eterno Seu Pai), saberia também que a menos que Ele fizesse algo, a Noiva eventualmente morreria.

Então, como muitos maridos fariam, Ele dá um passo em frente para assumir o seu lugar. Ele expiou os seus pecados ao tomar pecados dela sobre si mesmo, sendo penalizado pelos seus pecados. Ele foi de facto um sacrifício voluntário, e por isso pôde ser a expiação dos pecados da noiva.

Conclusão:

– As Escrituras não ensinam que Elohim se opõe ao sacrifício humano, mas sim opõe-se ao sacrifício de crianças, ou qualquer tipo de sacrifício forçado, pois Ele e qualquer sistema civilizado consideram tal acto hediondo um crime – um homicídio;

– Uma pessoa que voluntariamente dá a sua vida com o propósito de salvar a vida de outra pessoa, é vista como uma pessoa honrada e digna na maioria das sociedades civilizadas;

– Segundo os “sábios” judeus, Isaque aceitou voluntariamente ser sacrificado, e não vêem (ou pelo menos não viam) qualquer problema nisso.

– Os “sábios” judeus ensinam que um justo pode dar a sua vida em prol do povo;

– Yeshua foi um sacrifício voluntário;

– Yeshua deu a sua vida como expiação da nação de Israel – a Noiva.

Como estamos a aproximar-nos da época de Pêsach (Páscoa), não devemos ter qualquer tipo de receio em associar a morte do nosso Messias ao sacrifício da Páscoa, ou recear incorrer numa prática semelhante à de qualquer sacrifício a deuses pagãos.

Yeshua deu a sua vida para preservar a vida dos seus – a Noiva. Esse conceito não é (ou pelo menos não era) estranho para o judaísmo; esperamos não o ser para os nossos leitores; e definitivamente não o é para nós.

Com esta terceira parte, encerramos o estudo sobre a validade do Sacrifício de Yeshua diante do Altíssimo.

Se dúvidas haviam, certamente continuarão a haver, mas sentimos que o nosso propósito foi alcançado – o de esclarecer alguns pontos que consideramos pertinentes, e refutar argumentos falaciosos, apresentados pelos anti-missionários, que se dizem judeus, mas são na verdade pessoas que pulam de galho em galho, e não encontram poiso, e a razão para isso, é que não têm um coração circuncidado, e ouvem mais o seu próprio ego, do que a Voz do Eterno.

A maior parte dos anti-missionários, como assim se intitulam, eram católicos, depois viraram evangélicos, rapidamente se tornaram messiânicos, depois negaram Yeshua, e apresentam-se como judeus, mas como ainda assim não estão satisfeitos, autoproclamam-se como anti-missionários.

Apocalipse 2:9 “Eu conheço as tuas obras, e a blasfémia dos que se dizem judeus e não o são, mas são a sinagoga de Satanás”.

Este texto prova que muitos se apresentariam como judeus, mesmo não o sendo.

1 João 2:22 Quem é o mentiroso, senão aquele que nega que Yeshua é o Messias? É o anticristo esse mesmo que nega o Pai e o Filho. Qualquer que nega o Filho também não tem o Pai; e aquele que confessa o Filho tem também o Pai.

Este texto de João, refere-se exactamente a quem? Certamente não se refere aos verdadeiros judeus, pois a cegueira desses foi-lhes imposta pelo próprio Eterno, conforme nos mostra o texto de Romanos 11, e o tempo em que a casa de Judá crerá como um todo chegará em breve, Amén.

O anticristo é aquele que sabe da verdade, ou que pelo menos em tempos teve acesso a ela, e acabou por negá-la. E essa característica assenta como uma luva nos autoproclamados anti-missionários…

Hebreus 6:4-8

Porque é impossível que os que já uma vez foram iluminados, e provaram o dom celestial, e se fizeram participantes do Espírito Santo, e provaram a boa palavra de Elohim e as virtudes do século futuro, e recaíram sejam outra vez renovados para arrependimento; pois assim, quanto a eles, de novo crucificam o Filho de Elohim e o expõem ao vitupério. Porque a terra que embebe a chuva que muitas vezes cai sobre ela e produz erva proveitosa para aqueles por quem é lavrada recebe a bênção de Elohim; mas a que produz espinhos e abrolhos é reprovada e perto está da maldição; o seu fim é ser queimada.

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