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Esta é a vida eterna: que te conheçam, o único Elohim verdadeiro, e a Yeshua o Messias, a quem enviaste. JOÃO 17:3
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SER ANTI-ISRAEL É UM ERRO TEOLÓGICO MORTAL

SER ANTI-ISRAEL É UM ERRO TEOLÓGICO MORTAL
O conhecido escritor Michael Brown, que conheci através do seu livro “Our Hands Are Stained With Blood” ( “Nossas mãos estão manchadas de sangue”), escreveu um excelente artigo sobre a actual onda de anti-semitismo que está arrastando muitos cristãos e até líderes evangélicos, pelo que passo a transcrevê-lo:

A idéia de que Deus terminou com o povo judeu como nação e de que a Igreja substituiu Israel nos planos de Deus não é apenas um sério erro teológico: é também um erro mortal.
Foi esta falsa teologia que ajudou a alimentar as chamas do ódio aos judeus em João Crisóstomo – um dos líderes mais respeitados da Igreja primitiva (347 – 407 d.C.) – o qual certa vez afirmou o seguinte: “Deus odeia os judeus, e no Dia do Juízo dirá àqueles que simpatizam com eles: ‘Afastai-vos de Mim, pois tivestes relações com os Meus assassinos!’ Fugi então das suas assembleias, correi das suas casas, e tratai as suas sinagogas com ódio e aversão.”
Sem esta teologia errónea, as Cruzadas nunca teriam tido lugar 700 anos depois.
Foi esta falsa teologia que ajudou a alimentar as chamas do ódio aos judeus no grande reformador Martinho Lutero (1483 – 1546 d.C.), o qual deu o seguinte conselho aos príncipes alemães da sua época: “Primeiro, lançar fogo às suas sinagogas ou escolas…em segundo lugar, aconselho que as suas casas sejam também arrasadas e destruídas…em lugar disso, eles podem abrigar-se debaixo de um tecto ou num celeiro, tal como os ciganos…em terceiro lugar aconselho que lhes sejam tirados todos os seus livros de oração e escrituras talmúdicas, nos quais são ensinadas essas idolatrias, mentiras, maldições e blasfémias. Em quarto lugar, aconselho que todos os seus rabinos sejam de hoje em diante proibidos de ensinar, sob pena de perda da vida ou de membros.” Para muitos outros exemplos, favor consultar o meu livro “Our Hands Are Stained With Blood”.
As palavras criminosas de Lutero foram postas em acção por nada menos nada mais que o próprio Adolph Hitler, iniciando na noite de 9 de Novembro de 1938, conhecida como a Krystallnacht (Noite dos vidros partidos) e em que, segundo o oficial nazi Reinhard Heydrich “815 lojas (judaicas) foram destruídas, 171 habitações queimadas ou destruídas… 119 sinagogas incendiadas, e outras 76 completamente destruídas…20.000 judeus foram detidos, 36 mortes foram reportadas e 36 outras pessoas ficaram gravemente feridas.”
Este é o resultado directo de uma teologia que estava completamente errada, ajudando a defender acções mortais. (Os nazis não eram obviamente verdadeiros cristãos, mas foram séculos de anti-semitismo “cristão” na Europa que tornaram possível o Holocausto).
Há na verdade bons cristãos nos dias de hoje que abraçam este mesmo erro teológico (denominado teologia da substituição ou super-cessacionismo, alegando que a Igreja substituiu ou sucedeu a Israel). Eles não são anti-semitas em absoluto, e nunca sancionariam a perseguição ao povo judeu em nome de Jesus. E também repudiam totalmente citações odiosas tais como essas mencionadas acima.
Mas o triste facto da História é que é esta mesma teologia que abriu a porta a séculos de anti-semitismo “cristão” no passado que está mais uma vez ameaçando abrir de novo essa porta nojenta para os dias actuais.
À luz da terceira conferência “Christ at the Checkpoint” (Cristo no posto de controle) que acabou de ter lugar na antiga localidade de Belém, e onde assuntos como estes foram muito mais do que abstracções teológicas, é importante lembrar-se como a teologia errada conduz a acções erradas.
Segundo Actos 1, depois de os discípulos terem passado 40 dias com Jesus após a Sua ressurreição, falando-lhes “acerca do reino de Deus” (v. 3), os Seus devotos seguidores quiseram fazer-Lhe uma pergunta antes que Ele ascendesse aos céus.
Eles questionaram: “Senhor, restaurarás Tu neste tempo o reino a Israel?”
Ele respondeu: “Não vos pertence saber os tempos ou as estações que o Pai estabeleceu pelo Seu próprio poder. Mas recebereis a virtude do Espírito Santo, que há de vir sobre vós; e ser-Me-eis testemunhas, tanto em Jerusalém como em toda a Judéia e Samaria, e até aos confins da terra.” (vs. 6-8).
Em outras palavras: é uma boa questão, e certamente faz sentido à luz de tudo o que temos estado a falar, mas a altura em que isso vai acontecer – quando Deus vai “restaurar o reino a Israel” – não nos diz respeito neste momento. Devemos concentrar-nos no cumprimento da Grande Comissão com a ajuda do poder do Espírito.
Mas não foi assim que João Calvino interpretou a resposta de Jesus. Tal como referido pelo Dr. Paul R. Wilkinson no seu livro “Understanding Christian Zionism” (Entendendo o Sionismo Cristão), Calvino afirmou que havia tantos erros quanto palavras na questão dos discípulos relativa à restauração de Israel. Isto – assim ele acreditava – mostrou “quão maus alunos eles eram sob tão bom Mestre”, e, portanto, “quando Ele (Jesus) disse: recebereis poder, repreendeu-os pela sua imbecilidade.”
Wilkinson também refere o seguinte: “Na 5ª Conferência Internacional Sabeel em 2004 (esta é uma conferência anti-sionista), Mitri Raheb denunciou os discípulos como sendo de “mente estreita”, “nacionalistas” e “cegos” ao terem feito uma pergunta dessas.”
Preferindo ser moderado, digo que interpretações como estas não são nada mais do que disparates exegéticos…
Se por exemplo os discípulos tivessem dito a Jesus: “Senhor, é chegada a altura de nós pegarmos em espadas e deceparmos os nossos inimigos?”, Ele não teria respondido: “Não vos compete saber os tempos para decapitar as cabeças que o Pai estabeleceu. Concentrem-se em pregar o Evangelho.”
Dificilmente! Em vez disso, tê-los-ia repreendido com termos indescritíveis.
Mas não foi isso que Ele fez, apesar do facto de as Suas palavras estarem sempre sendo interpretadas como se Ele tivesse dito: “Seus idiotas! Não sabeis que já terminei com Israel? Não sabeis que a Igreja substituiu Israel? Tenho estado convosco há tanto tempo e ainda não compreendestes?”
Em vez disso, Ele simplesmente lhes disse que não lhes competia saber exactamente quando é que o Pai iria restaurar o reino a Israel (algo que tanto Jesus, como Pedro e Paulo afirmaram: Mateus 19:28; Actos 3:19-21; Romanos 11:28-29; 15:8). A missão deles era serem Suas testemunhas.
Infelizmente, nos nossos dias, ao vermos um número crescente de cristãos a voltarem-se contra o moderno estado de Israel – e não quero apenas dizer criticar Israel quando Israel merece ser criticado, mas estarem a rejeitá-lo como cumprimento profético em todo o sentido da palavra, abraçando também a narrativa palestiniana de Israel como ocupante opressor e reivindicando que não restam mais promessas proféticas para o povo judeu como nação – estamos vendo as sementes do ódio aos judeus sendo novamente semeadas nos corações de muitos desses crentes. A hostilidade deles a Israel já não é mais segredo.

Tende cuidado, povo de Deus!
A História pode facilmente voltar a repetir-se – para agravo do Nome de Jesus, para desgraça da Igreja, e para prejuízo espiritual e físico do povo judeu – a menos que tenhamos a teologia certa.
Vocês foram avisados.
in “Charisma Magazine” , edição de 18/3/2014

Shalom, Israel!

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