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Esta é a vida eterna: que te conheçam, o único Elohim verdadeiro, e a Yeshua o Messias, a quem enviaste. JOÃO 17:3
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Marcos 7,18 diz que podemos comer carne de porco?

Marcos 7,18 diz que podemos comer carne de porco?

Marcos 7,18 diz que podemos comer de tudo, até carne de porco?
Pergunta de Flavio Cechinato Maciel, São Paulo Resposta de Luiz da Rosa, em 17/05/2011 Share on facebookShare on twitterShare on emailShare on printMore Sharing Services6 Leia mais sobre Alimentos
O texto de Marcos 7,18-19: E ele (Jesus) disse-lhes: “Então, nem vós
tendes inteligência? Não entendeis que tudo o que vem de fora, entrando no homem, não pode torná-lo impuro, porque nada disso entra no coração, mas no ventre, e sai para a fossa?” (Assim, ele declarava puros todos os alimentos.). Essa última frase, entre parênteses, é problemática. Literalmente diz “purificando todos os alimentos”. Provavelmente, se você confere, na sua bíblia terá um texto diverso.
Esse ensinamento de Cristo é colocado dentro de uma passagem relativa ao puro e ao impuro. Esse tema em âmbito do judaísmo é
amplo e, um dos seus aspectos, é o alimento. O fundamento bíblico se encontra em Levíticos 11. Sobre o porco fala, nesse capítulo, no versículo 7-8: tereis como impuro o porco porque, apesar de ter o casco fendido, partido em duas unhas, não rumina. Não comereis da carne deles enem tocareis o seu cadáver, e vós os tereis como impuros.
Essa questão deve ter sido muito importante na primeira comunidade cristã. De um lado os judeus-cristãos pretendiam observar os preceitos que haviam aprendido em casa, nas suas famílias que praticavam a
religião judaica. E nelas os preceitos descritos em Levíticos eram observados. Do outro lado existia a pressão dos gentios, que vindos do mundo helênico, não queriam observar tais prescrições. O auge desse conflito é descrito em Atos dos Apóstolos 15, no Concílio de Jerusalém. Nessa ocasião o nó da discórdia era a circuncisão, que os de origem hebraica queriam impor aos gentios. Esse concílio deliberou que aos gentios não fosse imposto nenhum peso “além destas coisas necessãrias: que vos abstenhais das carnes imoladas aos ídolos, do
sangue, das carnes sufocadas, e das uniões ilegítimas” (Atos 15,28-29).
Acredito que possa servir de juízo, em relação a nossa presunta ortodoxia na observância da Lei, a nossa atitude diante da questão da carne de porco. Provavelmente essa carne em particular ganha importância porque também os muçulmanos, como so judeus, não a podem comer. Todavia, junto com a carne de porco, como podemos ler em Levíticos 11, há tantas outros tipos de carnes proíbidos: coelho, peixes sem escama e/ou barbatanas, o avestruz e todos os répteis que
rastejam. Se fôssemos autênticos, a mesma preocupação que reservamos à carne de porco deveria ser observada para os outros alimentos.
O texto que você cita, do Evangelho de Marcos, pode ser considerado como pano de fundo para a práxis cristã, embora não fale diretamente das leis alimentares. O cristão deve viver a sua fé dentro da sociedade, respeitando também os seus valores adquiridos com o tempo e não alheio aos eventuais progressos (os alimentos hoje se conservam sem dificuldades; os meios de
comunicação em geral e a internet em particular, etc.). Na origem, pode até ser que a proibição de comer carne de porco (e de outros animais) derive do perigo de contaminação, visto que conservá-la, no passado, não era tarefa simples. É óbvio que não se limita a isso, pois foi adjunto também um valor religioso. O mesmo vale, por exemplo, também para a circuncisão, embora com um quadro mais complexo. Os cristãos acreditam, graças às palavras de Jesus, que o mais importante é o sentimento do coração, que santifica todas as ações que realiza.
A oração “santifica” alimentos “imundos”? (1Tim. 4:1-5) I TIMÓTEO 4:1-5
“Mas o espírito expressamente diz que nos últimos tempos alguns apostatarão da fé, dando ouvidos a espíritos enganadores, e a doutrinas de demônios, pela hipocrisia de homens que falam mentiras e têm cauterizada a própria consciência, que proíbem o casamento, e ordenam a abstinência de alimentos que deus criou para os fiéis, e para os que conhecem a verdade, a fim de
usarem deles com ações de graças; porque tudo o que deus criou é bom, e não há nada que rejeitar, sendo recebido com ações de graças; porque pela palavra de deus, e pela oração, é santificada”. É muito comum algumas pessoas se apegarem a esta passagem da Bíblia para justificarem o fato de que, segundo elas, a “nova aliança” (ou “dispensação” para os mais “chiques”) não exige mais a obediências aos princípios alimentares do Antigo Testamento (cf. Lev. 11).
Mas… é isso mesmo? Alimentos declarados como imundos na Bíblia são purificados pela oração? Há dois problemas com esse tipo de interpretação: 1. A contradição com outras passagens da Bíblia: • Isa. 66:17 – “os… que comem carne de porco, coisas abomináveis e rato serão consumidos, diz o Senhor”.
• Salmo 89:34 – “…não alterarei o que saiu dos Meus lábios”.
• 2Cor. 6:17 – “…não toqueis nada imundo, e Eu vos receberei” (Isa. 52:11; Deut. 14:8). • Apoc. 18:2 – “…babilônia, …esconderijo de toda ave imunda e detestável”. 2. Muito dificilmente os defensores dessa posição comeriam, mesmo com oração, certos animais. Teríamos também que admitir a prática do canibalismo, se os canibais apenas orarem antes de comer. Absurdo! Analisando o texto
“Mas o espírito expressamente diz que nos últimos tempos alguns apostatarão da fé, dando ouvidos a espíritos enganadores, e a doutrinas de demônios, pela hipocrisia de homens que falam mentiras e têm cauterizada a própria consciência, que proíbem o casamento, e ordenam a abstinência de alimentos que Deus criou para os fiéis, e para os que conhecem a verdade, a fim de usarem deles com ações de graças; porque tudo o que Deus criou é bom, e não há nada que rejeitar, sendo recebido com ações de graças; porque pela palavra de deus, e pela
oração, é santificada” (grifos acrescentados). 1. Apostasia da fé, doutrina de demônios, mentira – podemos dizer que as orientações bíblicas sobre alimentação são de natureza “apóstata”, “demoníaca” ou “mentirosa”? É claro que não! • Em Lev.11 é onde estão as leis sobre animais limpos e imundos, e o texto começa com a expressão “disse o Senhor a Moisés…”.
2. Proibir casamento – os que gostam de criticar a Igreja Adventista por defender os princípios de saúde do
AT ficam com uma grande dificuldade aqui, pois a IASD não pratica o celibato. 3. Quais os alimentos que Deus criou para os fiéis que conhecem a verdade? • Gên. 6:9 diz que Noé era justo, íntegro e andava com Deus. Noé era um fiel e foi o primeiro (mencionado na Bíblia) a conhecer a verdade sobre os animais limpos e os imundos (7:1-2). A Bíblia faz separação entre os alimentos dos fiéis e dos infiéis
• Deut. 14:21: “não comereis nenhum animal que morreu por si. Podereis dá-lo ao estrangeiro [infiel], que mora nas vossas cidades, ou vendê-lo ao estranho. Mas vós sois povo santo [fiel] ao Senhor vosso Deus”. 4. Tudo o que Deus criou é bom? Sim, mas nem tudo se come! • Prov. 16:4: “O Senhor fez todas as coisas para determinados fins e até o perverso, para o dia da calamidade”. Sendo assim, Deus fez tudo bom: • Os vegetais – para alimento, antes do dilúvio (Gên. 1:29).
• Certos animais – para alimento após o dilúvio (Gên. 9:3). • Outros animais – para ornamentação, cargas, limpeza, equilíbrio ecológico, etc. (mas não para alimentação). 5. Oração e ação de graças Em 1Tess. 5:18 somos admoestados a dar graças a Deus por tudo. Algumas mudanças operadas pela oração: • Êx. 15:23-25 – águas amargas ficaram doces. • Êx. 17 – da rocha jorrou água.
• 2Reis 2:19-22; 4:38-41 – o veneno da sopa e das águas foi neutralizado. • Marcos 16:18; Atos 28:3-6 – o veneno de serpentes e em bebidas perdeu o efeito. Mas não há NENHUM relato na Bíblia que nos faça crer que, pela oração, um animal imundo, vivo ou morto, tenha sido transformado em animal limpo.Só se for em livros apócrifos…rsrs
Na visão simbólica de Pedro em Atos 10 (também muito usado pelos que gostam de comer todo tipo de alimentos imundos), não são os
animais, mas os gentios (que eram considerados como animais pelos judeus) que são purificados (v. 28). A que Paulo, então, se refere em 1Tim. 4:1-5? Houve uma heresia grega que floresceu no seio do cristianismo primitivo, chamada degnosticismo, que entre outras coisas afirmava ser a matéria (corpo) algo mau.
Sendo assim, alguns renegavam a tudo o que fosse material, como certos alimentos (para eles eram criados por uma divindade inferior),
e o casamento. Simpatizantes destes pensamentos gnósticos chegaram a afirmar até que Jesus não tinha um corpo, apenas “parecia ter”, caso contrário Ele não poderia ser considerado um perfeito Messias. Outros se entregavam às mais degradantes práticas, por crerem que não importava o que fizessem com o corpo, pois isso não afetaria seu espírito.
Portanto, o que Paulo estava atacando era este movimento filosófico que tentava impor regras de vida para as pessoas, não como tentativa de adoração ao Senhor,
mas sim como meio de “maltratar” e subjugar a carne – o corpo. Nada tinha que ver com os alimentos imundos descritos em todo o restante das Escrituras. Por mais que os descrentes (e até alguns “crentes”) desejem justificar seus maus hábitos alimentares, jamais poderão usar a Bíblia para isso, pois ela sempre defendeu o uso de uma alimentação saudável, equilibrada e livre de artigos condenados pelas leis divinas.

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